Jogadores de Pokemon Go ainda existem? O que fazem? Onde vivem? Do que se alimentam?

Todo mundo se lembra quando, em 2016, um game mobile virou febre mundial e contagiou todo mundo. Inclusive este site aqui. As pessoas paravam na rua enlouquecidas para caçar um Pokemon com o celular.

Mãs o tempo passou e eu sofri calado… mentira. O tempo passou e as pessoas esqueceram do jogo. Nem tanto tempo assim vai. Uns 2 meses depois da febre ninguém mais jogava Pokemon Go. Ninguém?

Quando a Niantic lançou o jogo Pokémon Go, em 2016, Leandro Yorinori, hoje com 29 anos, não instalou o game imediatamente. Fã da franquia Pokémon desde a infância, ele só conseguiu resistir por uma semana. “Meus irmãos e amigos estavam todos jogando. Eu cheguei a acompanhá-los quando ainda não jogava e só passei vontade”, conta, aos risos. Quase dois anos depois do lançamento do jogo, o gosto segue firme. Leandro administra um grupo no Whatsapp que tem mais de 250 jogadores de Curitiba e região.

E a comunidade dos caçadores de Pokémon é, na verdade, ainda mais ampla. De acordo com os cálculos do engenheiro ambiental, só em torno da capital paranaense há, hoje, algo entre três e cinco mil jogadores ativos. Gente que, como ele, vibrou na época do lançamento e não se deixou abater pela queda de popularidade que o game enfrentou com o passar do tempo.

É o caso de Ricardo Paleari, 31, professor universitário. Ele é responsável pelo grupo Pokémon MegaGen BR, no Facebook. Lá, quase 31 mil pessoas falam sobre quase tudo relacionado à franquia Pokémon. Há tutoriais sobre o Pokémon Go e sobre os outros games relacionados, ilustrações dos “monstros de bolso” e muita troca de dicas sobre todo o universo Pokémon. “Esse jogo permite conhecer muita gente. O jogo em si não é tão bom quanto são os jogos principais nos portáteis, mas esses não têm essa experiência social que o Go tem. Isso faz toda a diferença”, avalia Ricardo.

Curitimon

O engenheiro e o professor afirmam que, atualmente, há gente de todas as idades que continua caçando Pokémons por aí. Gente que perdeu o preconceito depois de experimentar o Pokémon Go. Em Curitiba, os caçadores frequentam o Passeio Público e o Shopping Estação. Isso porque esses dois lugares têm uma grande concentração de Pokémons e Pokestops, que são os lugares em que você consegue itens para o jogo, por exemplo as pokebolas.

Quando há algum evento do jogo esses lugares ficam lotados de caçadores, ou “treinadores”, como alguns gostam de ser chamados. Leandro explica que esses eventos, em geral, acompanham as datas festivas mundiais. “Recentemente também foi implantado um sistema de eventos mensais que duram apenas três horas em um dia específico do mês. O último evento, em fevereiro, fez o Passeio Público ficar muito cheio, fez lembrar os tempos de lançamento do jogo”, recorda.

Por isso existem os grupos. Para falar dos eventos, localizar Pokémons raros e, no caso específico do grupo que ele administra, para organizar raids no centro de Curitiba. Confuso? Leandro esclarece. “Uma raid é quando jogadores se juntam para derrotar um Pokémon poderoso. Se os derrotam, eles ganham recompensas exclusivas e têm chance de capturar aquele Pokémon.”

Há cinco níveis de raid. Enquanto uma raid de nível um pode ser vencida por um treinador solitário, as raids de nível cinco exigem algo entre sete e oito treinadores unidos. Alguns Pokémons são exclusivos dessas raids e não aparecem para captura em outras situações. Para complicar, as raids só ficam disponíveis por 45 minutos cada. Daí a importância da organização.

Pokémigos

Uma das maiores vantagens do Pokémon Go, dizem os jogadores, é a interação que ele estimula entre os jogadores. “Antigamente o que mais mantinha pessoas jogando videogame era que você podia jogar com amigos em casa. Hoje em dia a maioria dos jogos só tem multiplayer online. É bom, mas não é a mesma experiência. O Go vai nessa direção mais antiga, você junta a galera e sai nas ruas e parques jogando em grupos”, avalia Ricardo.

Com a benção Pokémon, as amizades que nascem durante as caçadas se estendem para além do game. “Fiz muitos amigos e sempre fazemos confraternizações, muitas vezes que não estão relacionadas ao jogo”, diz Leandro. Essa vivência parece ser uma constante entre os treinadores. Ricardo afirma que “você acaba conhecendo gente de tudo quanto é canto da cidade por causa desse jogo, Claro que conhece pessoas que você não fazia questão de conhecer também, toda comunidade tem a sua parte tóxica, mas as pessoas legais ficam”.

Infância Pokémon

Muitos dos treinadores que estão no Pokémon Go têm tanto apreço pelo game por um motivo muito simples, mas muito profundo: a franquia teve forte presença em suas infâncias. Leandro, por exemplo, começou a se interessar por Pokémon ainda muito pequeno. “O desenho/anime fez parte da minha infância e com certeza foi importante para eu gostar de Pokémon, mas o que me marcou mais ainda foram os jogos originais de gameboy”, conta.

Ele lembra que teve o primeiro contato com esses games entre 1996 e 1998. Ali, ele explica, os jogadores se sentiam inseridos no universo Pokémon. Eram eles os responsáveis por todas as decisões – rotas a seguir, que Pokémons eram melhores para suas equipes, quais deveriam ser capturados ou fortalecidos, entre outras. Essa experiência não era possível só com o desenho.

Por isso, quando o Pokémon Go foi anunciado, ele tentou se controlar. Sabia que o jogo se tornaria quase um vício. “Pokémon Go é um novo patamar para se vivenciar uma jornada como um treinador Pokémon. A ideia ousada da Niantic de trazer para o mundo real os Pokémons foi genial.” Além da euforia de ter novas experiências envolvendo uma paixão que já o acompanhava, ele comemorou a grande repercussão que se seguiu ao lançamento do jogo.

“Eu achei legal, porque essas pessoas estavam tendo a oportunidade de conhecer um universo riquíssimo. Em geral, o público que não conhece bem a marca Pokémon associa Pokémon somente ao desenho/anime, e existe uma carga de preconceito em relação a isso, pois a série de TV é infantilizada.”, conclui.

Segurança

Vale lembrar que para sair por aí jogando Pokémon Go é bom estar acompanhando por um grupo, por questões de segurança, além de procurar lugares movimentados e ficar atento a possíveis furtos de celulares.

VIA

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