POSE – primeiras impressões

Você pode até não gostar de Glee. Ou de American Horror Story ou Feud. Mas você não pode dizer que Ryan Murphy não sabe escrever uma boa história.

Roteirista por trás dos três seriados citados e de filmes como Comer Rezar Amar e os sensacionais The Normal Heart e Correndo Com Tesouras, Murphy sabe como poucos contar histórias que emocionam, entretêm e fazem pensar. E Pose, que acaba de estrear na TV americana, não é diferente.

Alardeada como a série com o maior elenco trans da história, Pose vai muito além. É divertida, é emocional, é colorida, é engajada, é empoderadora. Te faz pensar, te faz torcer, te faz chorar e te faz querer lutar por um mundo melhor.

Suas personagens passam longe de estereótipos e sua direção de arte nos coloca no meio de uma cultura que estava apenas nascendo.

Em 1987 a cultura gay não era um décimo do que é hoje. Era impensável uma drag apresentando um programa de TV ou liderando uma parada de sucesso. Um filme estrelado por um casal gay? Só dos mais obscuros e tratando a relação como algo errado. A título de explicação: foi somente em 1993 que Filadélfia chegou aos cinemas com um gay protagonista, mas ainda era um drama de “castigo”.

Há 31 anos, bares gays eram escondidos, relacionamentos vistos como algo vergonhoso e jovens gays eram execrados pelas famílias. O tal “pride” que tanto falamos hoje, o Orgulho de se ser LGBTQ, estava escondido em algum lugar do armário, bem lá no fundo, pra ninguém ver.

Pose coloca tudo isso em evidência: a AIDS, a cultura gay, o preconceito, a aceitação e o orgulho. Tudo embalado em paetês, ombreiras e uma trilha sonora simplesmente espetacular. Enquanto acompanhamos o nascimento do “vogue”, acompanhamos também a vida daquelas personagens que nos cativam em alguns minutos  que nos fazem rir e chorar ao mesmo tempo.

Sim, a gente já sabe que os anos 80 estão na moda. Filmes, séries, livros e tudo o mais estão trazendo a década de volta. Mas Ryan Murphy faz isso como ninguém fez até agora. E, após o final do primeiro episódio, depois de secar as lágrimas, temos vontade de levantar e aplaudir.

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