Vocalista do Pink Floyd adere ao #EleNão e surpreende fãs que achavam que “The Wall” era sobre crianças felizes

Roger Waters, um dos fundadores da banda Pink Floyd, se apresentou nesta terça-feira (9) no Allianz Parque, em São Paulo. O primeiro show da politizada turnê Us + Them no Brasil- que conta com potente estrutura tecnológica e um repertório dominado por clássicos do Pink Floyd – dividiu o público de mais de 45 mil presentes.

Conhecido por seu ativismo político, Waters foi aplaudido por uns e vaiado por outros quando o telão de 70 metros de largura no palco apontou o candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, como neofascista.

O nome do presidenciável, que disputará o segundo turno com Fernando Haddad (PT) no próximo dia 28 de outubro, apareceu após a performance da música Another Brick in The Wall, que trazia crianças com camisetas escritas “resist” (resistência). No telão, apareceu uma lista indicando problemas aos quais os fãs devem resistir, incluindo anti-semitismo, destruição do meio ambiente e tortura.

Uma destas imagens dizia: “resista ao neofascismo”.

Na sequência, a projeção mostrou nomes líderes políticos de diversos países, sob o título “Neo-fascism is on the rise” (“Neofascismo está em alta”, em tradução livre). Além de Bolsonaro, a lista incluía os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, a líder nacionalista francesa Marine Le Pen, e o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.

Após a música Eclipse, o telão exibiu as cores da bandeira LGBT e a hashtag #EleNão, campanha criada contra o candidato do PSL.

De acordo com o G1, o público respondeu com vaias e aplausos durante cerca de 4 minutos. Houve quem entoasse a frase e quem criticasse a frase, gritando “Fora, PT”. “Vai tomar no c*”, “filho da p*” e “babaca” também foram xingamentos direcionados ao artista, segundo o Uol.

Após forte reação, Waters resolveu falar diretamente ao público:

“Vocês têm uma eleição importante em três semanas. Vão ter que decidir quem querem como próximo presidente. Sei que não é da minha conta, mas eu sou contra o ressurgimento do fascismo por todo o mundo. E como um defensor dos Direitos Humanos, isso inclui o direito de protestar pacificamente sob a lei. Eu preferiria não viver sob as regras de alguém que acredita que a ditadura militar é uma coisa boa. Eu lembro ds dias ruins na América do Sul, e das ditaduras, e foi feio.”

Em coletiva de imprensa no ano passado, antes do início da turnê, Waters disse que seus shows alertariam as pessoas de que governos autoritários estão no poder. “É por isso que as pessoas querem sair por aí e se embebedar. Querem esquecer disso”, declarou à época.

Um dos fatores que movem o ativismo do músico é sua história pessoal. O britânico nunca conheceu o pai, o tenente Eric Fletcher, morto na Segunda Guerra Mundial. Essa perda está por trás de um dos principais componentes da obra-prima do Pink Floyd, o álbum The Wall.

Roger Waters se apresenta mais uma vez no Allianz Parque nesta quinta-feira (10), em sua maior turnê no Brasil desde 2002. Depois de São Paulo, o músico passa por Brasília (13), Salvador (17), Belo Horizonte (21), Rio (24), Curitiba (27) e Porto Alegre (30).

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