Super Drags – primeiras impressões

Imagine que um dia, por uma falha qualquer de tecnologia, Os Padrinhos Mágicos sofreu uma interferência e foi misturado com South Park. Não conseguiu inaginar? Então assista Super Drags.

A melhor palavra para definir a nova animação da Netflix é “insano”. Três estereótipos gays se tornam super heróis drag queens para enfrentar uma supervilã que quer CHUPAR o highlight de todos os gays para se manter jovem e bonita. O tal do highlight é a essência de todo gay, aquilo que os torna poderosos… e pintosos.

Na produção não existe politicamente correto. Os vilões xingam homossexuais e, em nome da religião, querem exterminá-los. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Semelhanças com o mundo real, aliás, estão por toda parte de Super Drags. Dos comentários homofóbicos dos vilões aos estereótipos gays, está tudo lá: a bicha hipster, tatuada, fotógrafa de coque samurai discute com a ursa barbuda. A gay pintosa contracena com a “discreta e fora do meio”.

As piadas com a própria comunidade LGBT, inclusive, são algumas das melhores sacadas da animação. Com propriedade de quem entende do assunto, as personagens não se contêm e soltam gírias, gags e atitudes dignas de qualquer homossexual que já teve amigos.

Outro grande destaque é a personagem de Silvetty Montilla. A “mentora” das Super Drags tem alguns dos melhores momentos nas histórias.

Claro que Super Drags usa e abusa das piadas sexuais. E tome torres e robôs em formatos fálicos. E tome close nas “malas”. Porém tudo é tratado com tanto humor que nem de longe parece ofensivo (e convenhamos, a comunidade gay é exatamente assim né?).

No fim, Super Drags parece sim uma cruza de laboratório entre o colorido e a hiperatividade de Os Padrinhos Mágicos (e, claro, Meninas Superpoderosas) com o politicamente incorreto e os palavrões de South Park.

Ponto para a Netflix que teve coragem de produzir um programa assim, em que qualquer gay com um mínimo de senso de humor consegue se divertir e até se identificar, e que, no fim das contas, usa dos próprios estereótipos para fazer rir e mostrar ao público em geral que a crítica social pode sim ter em sua identidade secreta três drags queens.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s