A teoria que afirma que Chaves e seus amigos estão mortos e no inferno

Pode parecer loucura, mas uma teoria diz que o seriado Chaves é, na verdade, uma representação do inferno, onde todos os personagens estão mortos… Mestre dos Magos, é você?

Então, segundo a teoria do pós-doutor em poéticas visuais Ademir Luiz, publicada aparentemente em 2014 no site Revista Bula (não me perguntem porque ela ressurgiu agora), o seriado seria uma representação de uma espécie de inferno onde o espaço-tempo se repetiria em looping infinito.

Como o texto original é bastante rebuscado e científico, como cabe a um pós-doutor, a gente vai simplificar a coisa um pouquinho.

Se preferir, assista ao vídeo abaixo:

A teoria de Ademir remete ao mito de Sísifo. Na mitologia grega, Sísifo recebeu uma punição depois de morto (não vem ao caso dizer por que para não estender o texto com explicações): ele deveria, todos os dias, por toda a eternidade, rolar uma enorme pedra de mármore para o topo de uma montanha. Quando ele estivesse quase chegando, a pedra rolaria de volta para baixo, fazendo com que ele recomeçasse o trabalho infinitamente.

Ok, você está se perguntando agora: o que isso tem a ver com o Chaves?

Muito que bem, jovem Padawan. Segundo a teoria de Ademir Luiz, a vila do Chaves é uma espécie de mito de Sísifo, onde os personagens estariam condenados a viver eternamente naquele mesmo ciclo sem fimmmmmmm, que nos guiaráaaaaa…. não, espera.

Ademir apresenta diversas “provas” da sua teoria:

O título original, El Chavo del Ocho, faz referência ao “chavo”, em espanhol, moleque. E em português de Curitiba, piá. Moleque é quem faz travessuras, quem “subverte a ordem”. Portanto, um pecador.

Como este título diz, ele é “do 8”. Ou seja, ele não mora no barril, mas na casa 8. Deitando o número 8 temos o símbolo do infinito. Infinito como a morte (ok, até a gente achou essa meio forçada) ou a representação do looping infinito da história/punição.

O cenário da vila é um labirinto que representa um pedaço do inferno, onde aquelas pessoas estão presas. Ele não tem começo, meio ou fim. O universo dos personagens se resume à vila, uma praça, a escola, o restaurante e, raramente, uma visita a Acapulco. Dentro da vila, um ambiente leva a outro igualmente claustrofóbico, que leva a outro, que leva a outro….

Cada um dos personagens representa um dos pecados capitais, pelos atos que cometeram em vida:

  • Chaves – a gula. Segundo a teoria ainda, sua preferência por sanduíche de presunto representa uma afronta às leis de Deus, que proibiu o consumo de carne de porco;
  • Seu Madruga – a preguiça. Aliás, você já percebeu que os 14 meses de aluguel que ele deve NUNCA se tornam 15 ou 16? Outro sinal de que ali o tempo não passa;
  • Seu Barriga – a ganância. Quem mais cobraria o aluguel quase todos os dias?
  • Quico – a inveja. Sempre que outra criança tem alguma coisa, Quico quer. Mesmo que seja inferior à que ele já tem;
  • Chiquinha – a raiva. Aqui a teoria dá uma viajada. A gente sabe que a Chiquinha tá sempre nervosinha, mas Ademir afirma que, por ter morrido em uma briga de trânsito dentro da vila, ela usa o triciclo como arma para descontar sua ira (assim como o Pateta naquele desenho). Não existem informações sobre esta suposta briga de trânsito;
  • Dona Florinda e Professor Girafales – a luxúria. Também uma pirada na teoria, o pós-doutor Ademir afirma que o casal era “mestre da arte da luxúria” e, por isso, foi condenado a uma eternidade de abstinência sexual. Diz ainda que o Professor fuma em sala de aula como uma representação do “cigarrinho depois do sexo”, porque já que não tem o primeiro, usa do segundo;
  • Dona Clotilde – a vaidade. A Bruxa do 71, interpretada por uma ex-miss espanhola, é a mais vaidosa de todos na vila. (note o número: 71 = 7+1 = 8. Novamente o número do infinito). D. Clotilde ainda tem um animal de estimação, que às vezes é um gato e às vezes um cachorro, chamado SATANÁS. Este representaria os demônios errantes que andam pela vila.

No texto original, Ademir cita ainda outros personagens secundários, como Paty, Nhonho e Popis. Mas o mais interessante é o que ele diz de Jaiminho.

O carteiro, em sua função de mensageiro, seria o único representante do mundo dos vivos no seriado. Ele seria um médium que tenta fazer contato com os mortos e sua constante condição de cansaço é resultado de seu esforço para cruzar estas dimensões. Segundo ele, a prova disso seriam as descrições que Jaiminho dá de sua terra natal: Tangamandápio, onde tudo é gigantesco. Embora exista de verdade, a citação não se refere à cidade real, mas ao “mundo dos vivos”, onde tudo é maior que no mundo dos mortos.

As cartas que transporta são psicografias e a bicicleta que nunca larga, apesar de não saber andar, nada mais é do que um totem, ao estilo de “A Origem”, necessário para que possa voltar para realidade. (trecho do texto original)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: