Será que O Diabo Veste Prada 2 vale o hype?

20 anos se passaram desde que conhecemos Miranda Priestly e Andy Sachs e, de lá pra cá, muita coisa mudou.

Quando O Diabo Veste Prada 2 começa, o mundo está bem diferente e logo de cara a gente vê isso na tela: os grandes veículos de comunicação estão sucumbindo à era digital e às redes sociais.

Uma ficção parecida demais com a realidade que bate fundo em quem, assim como eu, costumava viver de jornalismo e foi obrigado a se adaptar. Um novo mundo em que o número de seguidores conta mais que o currículo. (true story, já perdi vaga em redação por ter poucos seguidores no Instagram).

Mas, não estamos ali para falar de jornalismo. Estamos ali para ver aqueles personagens que a gente ama, ver figurinos deslumbrantes e o humor mordaz da personagem icônica de Meryl Streep.

E talvez seja neste último ponto que o filme acaba pecando um pouco. De 2006 pra cá as coisas estão bem diferentes. Miranda não pode ser mais tão cruel. O RH e o politicamente correto não permitem. Ainda bem. Miranda não pode ofender seus funcionários e até mesmo tem que pendurar o próprio casaco, pobrezinha.

O que acontece é que, ao diminuir o tom da personagem, o filme acaba por diminuir um pouco do prazer também.

Claro que existem alguns outros poréns: não temos mais a personagem para quem torcer. Já conhecemos Andy, já sabemos pelo que ela passou. Continuamos adorando, mas o encanto da primeira vez acabou.

Por mais delicioso que o filme seja, e ele é, O Diabo Veste Prada 2 parece não ter um plot claro. Além da tentativa de salvar a revista, que ao contrário da realidade do ponto inicial acaba por ser bem fantasiosa, o longa é muito mais um desfile de personagens, lugares e figurinos. O que, por si só, já é bem melhor que muita coisa por aí.

Não deixa de ser irônico também ver o filme criticar tanto a internet e as redes sociais sendo que foram elas que transformaram o primeiro longa em ícone pop. Fica um pouco a impressão de que estão cuspindo no prato que comeram.

Mas o longa não tem só defeitos. Ele também tem muitas qualidades.

Um dos pontos altos é o maior espaço para personagens que continuam maravilhosos, como o Nigel de Stanley Tucci e a Emily de Emily Blunt. Se no primeiro longa eles eram meros coadjuvantes, aqui ganham profundidade e até mesmo reconhecimento.

No fim das contas o filme diverte, mas não tanto quanto o primeiro. O choque inicial de realidade é consertado por um final feliz mais fantasioso que As Crônicas de Nárnia e é delicioso reencontrar todos aqueles personagens de novo na telona.

Pode não se tornar icônico como o longa anterior, mas ainda assim está acima da média.

Confira esse conteúdo em vídeo:

Deixe um comentário

Acima ↑