O filme noir é uma espécie de subgênero do cinema que foi muito popular dos anos 30 a 50 nos Estados Unidos. Com algumas características bem marcantes, ele se tornou clássico pelos seus heróis, geralmente investigadores particulares cínicos fãs de um bom whisky, suas tramas de espionagem cheias de segredos, seu preto e branco contrastante entre o claro e o escuro e suas damas fatais que, invariavelmente, se envolviam romanticamente com o protagonista.
Essa teia toda produziu clássicos absolutos como O Falcão Maltês, Pacto Sinistro, A Dama de Shangai e aquele que é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos: Crepúsculo dos Deuses.
O clima noir também esteve presente em filmes mais recentes, como Los Angeles: Cidade Proibida, Dália Negra ou Sin City. E volta com tudo em Spider Noir.
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Disponível em duas versões na Amazon Prime, colorida e preto e branco, a série implora para ser vista na versão em duas cores. Toda a atmosfera de filme noir, que se mistura a toques que remetem às páginas dos quadrinhos, brilha no preto e branco. Os altos contrastes entre luz e sombra e o humor cínico formam o par perfeito e nos deixam com a impressão que as páginas ganharam vida.
Na história, Nicolas Cage é Ben Riley, um detetive particular que se vê no meio de uma trama política ao ser contratado por uma cantora de cabaré. Claro que ele irá se envolver romanticamente com ela e piorar a situação. Mas, além de investigador, Ben Riley é também o Homem-Aranha. Ou foi, já que ele se considera aposentado dessa função.
Como o ator mesmo já disse em entrevistas, ao misturar um dos mestres do cinema noir, Humphrey Bogard, com Pernalonga, Nicolas Cage entrega um Homem-Aranha diferente de tudo que já vimos: cansado, desiludido com o mundo, mas ainda assim capaz de amar e de fazer o bem.
Com diálogos incríveis e bem humorados, uma trama que fisga logo de cara, personagens carismáticos e seus heróis e vilões, Spider Noir se destaca das produções recentes de heróis justamente por não ser genérica.
Muito além de ser uma coleção de referências aos quadrinhos ou de exigir que a gente assista a 385 produções do Universo Marvel para ser entendida, a série é uma homenagem a um cinema que não se faz mais: focado em diálogos, interpretações e silêncios.
Uma produção impecável, com atuações brilhantes, texto rápido e ágil e uma fotografia deslumbrante, Spider Noir é um respiro de originalidade em um mundo onde superpoder se tornou moeda barata na luta pela bilheteria, e onde a qualidade se tornou apenas um detalhe na briga dos efeitos especiais.
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