Dia desses, em um dos vídeos que publiquei, alguém comentou que um dos filmes que eu citava era “mais uma cópia mal feita americana de um filme europeu”. E isso me fez pensar em uma pergunta que já me fiz muitas vezes: por que Hollywood insiste em refazer filmes de outros países?
CONFIRA ESSE CONTEÚDO EM VÍDEO
Pra mim, o caso mais claro é Vanilla Sky. Eu fui ver no cinema. E ria toda vez que o filme copiava um frame ou um diálogo do original espanhol. Ou seja: ri o filme todo. Costumo dizer que só quem gosta de Vanilla Sky é quem nunca assistiu o original, Preso na Escuridão. Um filme sensacional, cheio de clima e suspense, que foi mastigado e regurgitado por Hollywood.
Mas ele não é o único. E a lista pode ser grande: o clássico cult sul coreano Oldboy ganhou sua versão americana; o ótimo espanhol REC perdeu todo o suspense em nome dos sustos e virou Quarentena nos Estados Unidos; o sueco Deixa Ela Entrar perdeu toda a sutileza em sua versão norteamericana; e nem o Oscar de melhor filme estrangeiro impediu que o incrível O Segredo dos Seus Olhos ganhasse sua versão hollywoodiana.
Mas só existem exemplos ruins? Claro que não. A Gaiola das Loucas e Os Infiltrados, por exemplo, são ótimas versões americanas pra filmes de outros países. Mas acho que dá pra dizer que são mais a excessão do que a regra.
Existe um senso comum de que americano não lê legenda. Por isso, os estúdios muitas vezes refazem os filmes para atingir um público maior. Querem mais dinheiro, não julgo.
O problema é que às vezes nem isso é uma desculpa válida. Se a barreira é o idioma, por que refazer um filme inglês?
Foi o que aconteceu com Morte no Funeral. Um filme sarcástico, ácido, inteligente, produzido no Reino Unido e falado em inglês que ganhou remake americano e foi transformado em um besteirol baixo nível, cheio de piadas escatológicas e humor nível quinta série. Por quê? Nunca consegui entender.
O diretor Bong Joon-ho, ao receber o Oscar por Parasita em 2020 – primeiro filme em língua não inglesa a ganhar o Oscar de melhor filme em 92 anos de premiação – , sintetizou tudo isso perfeitamente ao declarar que as pessoas descobririam filmes incríveis assim que superassem a “barreira de um centímetro de altura das legendas”.
Enquanto essa barreira persistir, os estúdios preferem comprar direitos de histórias já testadas e reapresentar essas histórias ao público já “mastigadas”.
O problema é que, nessa tradução cultural, muitas vezes a essência do original se perde, gerando remakes desnecessários e muito inferiores.
Hollywood vai continuar refazendo filmes estrangeiros porque histórias boas são ativos valiosos. Mas, enquanto a indústria priorizar a preguiça do público em vez da autenticidade das obras originais, a lista de remakes descartáveis só tende a aumentar.
E pra você? Qual o remake americano mais desnecessário do cinema? Conta pra mim nos comentários.
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