Resenha do blog: Sombras da Noite

Antes de qualquer coisa é preciso que se explique: Sombras da Noite era um seriado de TV da década de 1960, meio terror, meio trash ainda cultuado por muita gente nos Estados Unidos e praticamente desconhecido no Brasil. Dito isso, pode-se começar a falar do filme de Tim Burton de mesmo nome, uma homenagem ao seriado. Foi no set de filmagem de Sweeney Todd que o diretor descobriu a paixão em comum com Johnny Depp pela série.
Na plateia muita gente não gostou do clima pastelão de algumas cenas, por não entender o espírito da coisa. Não se trata somente de mais um arroubo visual do diretor, aqui amenizado, diga-se de passagem. Mas realmente de uma homenagem à série que tinha Jonathan Frid no papel que hoje é de Depp: o vampiro Barnabas Collins. Frid, falecido em abril deste ano, faz inclusive, uma ponta no filme.
Na história, Barnabas Collins é um rico empresário amaldiçoado por uma bruxa por não lhe dar seu amor e, ao invés disso, apaixonar-se por uma outra jovem. Preso por quase dois séculos em um caixão como vampiro, Barnabas ressurge em 1972 com seu visual e vocabulário deslocados para se espantar com carros, eletricidade, TV e outras modernidades e ainda apaixonado pela mesma mulher que acaba encontrando reencarnada na pele de uma babá. Retornando ao que sobrou de sua família, o vampiro tentará salvá-los da bancarrota, mas terá novamente de enfrentar a bruxa que o amaldiçoou e ainda o ama.
Uma mistura de horror, fantasia e humor fácil. Isso resume bem Sombras da Noite (Dark Shadows, EUA, 2012 – Warner). Johnny Depp está eficiente como sempre no papel do protagonista – mas não brilhante como em Piratas do Caribe ouEdward Mãos-de-Tesoura, primeira parceria diretor/ator no cinema. Uma falha grave é a má escalação da vilã: caso a fraca Eva Green trocasse de lugar com a deslumbrante Michelle Pfeiffer, a personagem conseguira toda uma outra projeção e cresceria em qualidade. Mas mesmo num papel menor e menos relevante Pfeiffer se impõe. Quem ressurge das trevas aqui também é Johnny Lee Miller, um dos protagonistas junkies de Trainspotting, praticamente desaparecido desde então. Já Chloë Moretz (que agora ganha um nome do meio, Grace) continua sua escalada ao estrelato, iniciada com Kick Ass e Deixe-me Entrar.
Claro que a esposa do diretor também está no elenco. Helena Bonham Carter segue a escola de Johnny Depp e coleciona papeis bizarros nos filmes do marido. Aqui ela é uma psiquiatra alcoólatra teoricamente responsável pelo tratamento do mais novo membro da família Collins, David (Gulliver McGrath), um garoto de 8 anos cuja mãe se suicidou e o pai é um patife.
Divertido, às vezes um pouco lento, com personagens interessantes e trilha setentista (os saudosistas vão adorar!). Uma comédia trash, como o diretor já havia feito em Marte Ataca. Uma história que mistura diversos gêneros. Um filme de vampiro com uma história de amor, tão em voga ultimamente. Mais um personagem histórico de Depp, mais uma bizarrice pop de Burton. Mas quem não gosta e não pede cada vez mais?

Uma curiosidade: Este é o primeiro vampiro que Depp encarna no cinema, mas foi num filme de vampiros (A Hora do Espanto, de 1984) que ele iniciou sua carreia aos 21 anos

** Texto publicado também no site Mondo Bacana

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