Resenha do blog: Oz – Mágico e Poderoso

Oz-the-Great-and-Powerful-Review

Sam Raimi não é um diretor lá muito eficiente. Sempre equilibrado entre obras boas e ruins, seus blockbusters da trilogia do Homem Aranha nunca passaram de medianos. Seu filme seguinte, Arrasta-me Para o Inferno, conquistou crítica, mas ainda permaneceu num limbo de público. Outro filme anterior era excelente – O Dom da Premonição, de 2000 com Cate Blanchet – mas também não encontrou seu público. Qual o problema com o diretor? Não sei, mas os estúdios Disney resolveram deixar uma grande aposta em suas mãos… e não é que deu certo?

Setenta e quatro anos se passaram desde que Dorothy foi levada por um furacão junto com seu cachorro Totó da fazenda de seus tios no Kansas. Setenta e quatro anos!! Não é pouco tempo… Então, em pleno 2013 temos novamente Oz no cinema. Mas contando uma história anterior a do filme de 1939.

Ou seja, Oz: Mágico e Poderoso não é uma sequência de O Mágico de Oz. Ou ainda menos um remake. É sim um prequel, onde a história se passa antes daquela onde Dorothy, Totó, o Espantalho, o Leão e o Homem de Lata passeiam pela estrada de tijolos amarelos. Entre referências garimpadas e visual espetacular, este novo filme funciona. Graças em parte à nostalgia, é verdade.

O Mágico de Oz é um filme adorado e venerado até hoje. Adultos e crianças (muitas vezes influenciadas pelos pais) assistem e reassistem ao filme. Edições especiais em blu-ray foram lançadas recentemente mostrando que, se o filme não envelheceu no sentido fábula e fantasia, infelizmente envelheceu (e bastante) no sentido tecnológico. Este, e outros percalços são reparados, já que hoje nada parece impossível para o cinema.

Então, no início da década de 1900, Oscar (James Franco, que o diretor trouxe de Homem Aranha) é um mágico canastrão de um circo falido que está passando pelo Kansas. Fugindo de um marido traído (porque ele também é um conquistador), o mágico acaba sendo levado com seu balão para o mundo fantástico de Oz. Ali conhecerá Theodora (Mila Kunis, de Amizade Colorida, um pouco pesada na mão) que se apresenta como uma bruxa boa e se apaixona por ele. A bruxa o leva para conhecer sua irmã, Evanora (Rachel Weisz, de A Múmia, divertindo-se bastante). Ambas acreditam que ele é o mágico das profecias que salvará a terra das maldades da bruxa má Glinda (Michelle Williams, não tão iluminada quanto em Sete Dias Com Marilyn). A trama desenvolverá e personagens adicionais aparecerão. Digitais, em sua maioria. Por mais que não sejam tão reais (no quesito personalidade) como o Gollum de O Senhor dos Anéis ou o Richard Parker de As Aventuras de Pi, o macaquinho voador Finley e a pequenina menina de porcelana são extremamente graciosos e carismáticos, roubando a cena em vários momentos do filme.

Referenciando e reverenciando a todo momento o filme de 1939, Oz: Mágico e Poderoso luta o tempo todo para evitar que a Disney leve um baita processo judicial nas costas. Explicando: O mágico de Oz, o filme, pertence aos estúdios Warner Bros. Oz: Mágico e Poderoso é dos estúdios Disney. Sendo uma das galinhas dos ovos de ouro do estúdio, os ‘irmãos Warner’ não liberariam os direitos para um de seus maiores concorrentes. O que faz todo o sentido. Porém, não há como falar em O Mágico de Oz sem pensar em Dorothy e seus sapatinhos de rubi, nas frases icônicas, na estrada de tijolos amarelos ou na cidade das Esmeraldas como o filme mostra. Nesse ponto Sam Raimi e seus roteiristas Mitchell Kapner e David-Lindsay Abaire fazem ginástica e o impossível se torna possível. Em frames, clima, imagens, frases (ainda que não sejam repetições das antigas), referências mais ‘escondidas’, tudo faz lembrar o clássico. É bem verdade que o tom da atuação de James Franco incomoda um pouco, mas é totalmente em sintonia com uma atuação de 1939. Ou é verdade também que ficamos esperando alguém dizer “Acho que não estamos mais no Kansas…” ou “Não há lugar como a nossa casa”, só que direitos de propriedade proibiram tais citações, então ficamos esperando e não acontecem.

Mas não é por falta de referências que esquerecemos o clássico. Assim como em 39, aqui atores “duplicam” suas atuações entre o Kansas (mundo real) e Oz: Michelle Williams é uma suposta namorada do mágico do circo, mas também é a bruxa Glinda em Oz. Zack Braff (de Scrubs) é o assistente de palco que em Oz é o macaquinho voador seu ajudante. Joey King (de Amor À Toda Prova) é uma menina deficiente que pede que o mágico a faça voltar a andar e na terra mágica é a boneca de porcelana encontrada com as pernas quebradas e consertadas pelo mágico. Isso já aconteceu em O Mágico de Oz, onde atores estavam presentes no Kansas e em Oz, duplicando seus papeis em formatos diferentes. Podemos pensar então que Oz é uma terra de sonhos onde pessoas assumem outras “formas” mas mantêm sua personalidade e essência.

O mais interessante de tudo porém é perceber como o clássico se constrói neste novo filme. Tudo o que acontece em cena leva para um ápice que termina pronto para que O Mágico de Oz aconteça. Aos poucos, itens, personagens, ações, vão deixando o palco pronto para que um novo furacão ataque o Kansas e leve Dorothy e seu cãozinho para a terra mágica. Por mais que tal fato só aconteça quase quarenta anos depois. Numa história ágil, lindamente fotografada, com efeitos espetaculares, Oz: Mágico e Poderoso é no fim das contas uma ótima aventura. Grandiosa, vibrante, colorida, mágica, divertida. Como toda boa aventura deve ser.

Em tempo: a Disney já planeja uma sequência para este novo filme, que seria justamente baseada no livro O Mágico de Oz.

 

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4 comentários sobre “Resenha do blog: Oz – Mágico e Poderoso

  1. Rober disse:

    Eu ainda estou meio dividido, não sei se eu gostei ou não gostei. Só sei que cada segundo de Oz, fiquei com vontade de rever O mágico de Oz da Dorothy. O que eu mais gostei, claro, foram as “explicações” para as coisas que vimos no clássico de 39 (ou veríamos, depende do ponto de vista). Eu acho que, como eu poderia dizer, prefiro a falta de tecnologia do primeiro ao “excesso” de efeitos do último. Não estou odiando nem amando, ainda estou dividido com relação a Oz Mágico e Poderoso. Talvez eu não esteja no momento para assistir filmes desse tipo…

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