Hannibal – o seriado

Depois de assistir à ESPETACULAR primeira temporada de Bates Motel, é difícil imaginar outro seriado de suspense tão bom quanto este. Ainda mais partindo da mesma premissa.
Então venci meu preconceito inicial (principalmente quanto ao protagonista – antipatia instantânea e gratuita) e resolvi começar a ver Hannibal.

O primeiro episódio é tenso principalmente pelo ar de “a gente sabe o que vai acontecer” (que também paira no ar em Bates). A ideia de contar a história antes da história é interessantíssima porque nos torna meio cúmplices do assassino. A gente fica se achando o máximo por ser ‘o único’ que sabe quem aquele cara é de verdade. Claro que assistir a O Silêncio dos Inocentes e Hannibal (o filme de 2001) logo depois do episódio 1 ajudou bastante no clima…

A série começa com foco não no Dr. Lecter, mas em Will Graham (Hugh Dancy de Delírios de Consumo de Becky Bloom e Rei Arthur e cotado para ser o protagonista de 50 Tons de Cinza). Ex agente do FBI, Will está afastado por problemas psicológicos. Extremamente perturbado, era um agente brilhante, mas agora tem pesadelos, suores noturnos, nenhum amigo e enquanto dá aulas na academia do FBI sobre serial killers abriga cachorros de rua em sua casa.
Depois de termos um bom perfil de Will, somos apresentados a seu chefe, Jack Crawford (Laurence Fishburne, de Matrix, Quebrando a Banca e mais uns 483 filmes) que o convida a voltar para a labuta como consultor numa investigação. Outro convidado a ser consultor na mesma investigação é um psiquiatra conhecido, um tal de Dr. Hannibal Lecter #medo (Mads Mikkelsen, de Os Três Mosqueteiros e Cassino Royale). A simples aparição do psicopata causa arrepios na espinha instantaneamente.

Conforme as coisas vão correndo vamos acompanhando Will e o Dr. Lecter na investigação. Como uma espécie de CSI bem mais psicológico, o foco principal é claro é na mente dos dois protagonistas. Então entre uma investigação e outra os dois vão se aproximando. A personagem-a-ser-odiada (porque todo seriado precisa de uma) aparece no segundo episódio na pele de Freddie Lounds (Lara Jean Chorostecki, da minissérie Camelot). A repórter de um tabloide eletrônico surge com sua ruivice e beleza para atrapalhar a vida do já perturbado Will e aparentemente se torna um brinquedo fácil de manipular nas mãos do Dr. Lecter.

Com um pouco mais de ação (por assim dizer) que Bates Motel, a tensão vai aumentando a cada episódio. Cada vez que vemos Hannibal Lecter fazendo uma refeição (todos os episódios têm nomes de pratos franceses, aliás) é impossível não pensar que aquela carne é humana, e dá-lhe arrepios na espinha.  Aliás cada vez que a cara do psiquiatra aparece em close com um quase sorriso meio de lado dá um medinho….

Apesar da comparação com a saga de Norman Bates ser inevitável, as séries são bem diferentes. Hannibal aqui já é um psicopata e já é adulto. Não temos por ele a simpatia e, hum, carinho que temos pelo jovem Norman. E essa era minha implicância. Mads Mikkelsen não é exatamente uma pessoa carismática e sempre tive o Dr. Lecter como alguém que primeiro conquista pra depois mostrar seu verdadeiro lado. Mesmo o psicopata encarcerado de Anthony Hopkins em O Silêncio dos Inocentes acabava por nos conquistar no início do filme. Mas não é que Mikkelsen consegue o impossível? Talvez por competência sua, ou do texto, ou da direção, o fato é que quando percebi já estava envolvido pelo filho da mãe e em suas mãos.

Criada por Bryan Fuller (a mesma mente genial por trás da maravilhosa Pushing Daisies, prematuramente cancelada na segunda temporada), a série tem a mesma preocupação visual característica das outras obras de seu mentor. Com uma estética bacana, levada a sério, já foi renovada para a segunda temporada depois de muita enrolação da NBC, apesar de uma audiência não tão boa na primeira mesmo com os elogios da crítica e já arrastando uma legião de fãs. É transmitida no Brasil pelo canal AXN às terças feiras às 22h.

Diferente de Bates, ela não cria um passado para Lecter, mas se baseia no livro Dragão Vermelho, o mesmo que virou filme em 2002 com Edward Norton no papel de Will Graham e, claro, Hopkins no papel de “Hannibal the Cannibal”.

Ser convidado por ele para jantar é o que de mais aterrorizante eu posso imaginar. E uma das coisas que mais queria que acontecessem de verdade….

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