Resenha do blog: Universidade Monstros

Até abril de 2013 Monstros S.A. já tinha rendido quase 300 milhões de dólares. Nada mais natural que uma sequência aparecesse. Mesmo não sendo característica dos estúdios Disney/Pixar como é dos demais. Tudo bem, não ERA uma característica. Carros 2, Toy Strory 2 e 3 e o já anunciado Procurando Dory (sequência de Procurando Nemo) desmentem esta teoria. O caso é que nunca vi estas sequências como…. bem, como continuações. Elas funcionam perfeitamente sem os filmes anteriores, como fossem filmes originais. Toy Story 3 chegou a concorrer ao Oscar de melhor filme (levando o de melhor animação e musica). Os desenhos se tornaram cada vez mais relevantes e, sob influência da própria Pixar, cada vez melhores. Então, 12 anos depois chega aos cinemas Universidade Monstros.

Não uma continuação, mas um prequel do filme de 2001, a história se passa antes de Monstros S.A. Nela, Mike e Sully ainda irão se conhecer no campus da universidade, estudando para serem assustadores. Claro que muitos (se não todos) dos espectadores no cinema já viram a aventura anterior e irão reconhecer outros personagens além dos dois principais. Mas isso não é necessário. O filme funciona muito bem por si só.

Mike é uma criança sem amigos na escola. Baixinho, acaba sempre ficando pra trás e sendo mal tratado pelos colegas. Ao conhecer a Monstros S.A. (fonte de energia da terra dos monstros alimentada pelos gritos de crianças assustadas), o pequeno monstro de um olho só decide que quer ser um assustador e galga seu caminho até a Universidade Monstro para realizar seu sonho. O único problema é que ele não é considerado assustador o suficiente, e isso pode atrapalhar seus planos.

O maior trunfo do filme é demonstrar que nem sempre força de vontade e estudos são o bastante. Às vezes depende de quem você realmente é. Uma importante lição para as crianças, de fato. Na vida adulta a gente bem sabe que é assim: nem sempre a competência e eficiência bastam. Enfiado em livros desde o começo dos estudos, Mike vai acabar percebendo que nem tudo se aprende com eles, que certas coisas nascem com a gente. Mas…. como estamos falando de um desenho e especialmente de uma produção Disney/Pixar, as mensagens de superação, acreditar em si mesmo, amizade e valorizar aquilo que se tem de melhor estão lá, claro. E, mesmo que não pelos meios mais convencionais, o filme mostra que podemos sim alcançar nossos objetivos, de um modo ou de outro, basta querer.

Se é edificante para as crianças e faz os pais e acompanhantes se identificarem um pouco com sua lição, por outro lado o filme possui piadas fracas e pouca aventura. Não vai figurar entre as obras mais brilhantes do estúdio, como Up, Wall-E ou mesmo a trilogia Toy Story. Assim como Valente, seu visual é o mais bacana do filme: colorido e repleto de informações. Claro que ver Mike e Sulley se comportando como adolescentes, cheios de si ou de inseguranças (dependendo do momento, como adolescentes realmente são) é um prazer a parte. Aqueles monstros que passamos a adorar há anos se mostrando ainda mais parecidos com nós mesmos: com medos, anseios, planos e frustrações. Não fosse o objetivo principal deles assustar criancinhas, o filme poderia muito bem ter sido feito com atores comuns e se tornaria uma ótima aventura adolescente.

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