Resenha do site: Kick-Ass 2

Kick-Ass-2-PosterOs produtores, ou seja lá quem seja que põe títulos nos filmes no Brasil, que tanto adoram um subtítulo perderam uma grande oportunidade aqui de de colocar um que realmente valesse a pena: Kick-Ass 2 – Justiça para Sempre teria sido muito bom.

Continuação do filme de 2010 que estourou dentro de um público restrito, Kick-Ass 2 traz de volta o herói que dá nome ao filme e sua “fiel companheira” Hit Girl. Novamente com Aaron Taylor-Johnson e Chloë Grace Moretz nos papéis principais, o filme (assim como seus atores) cresceu e amadureceu. No intervalo entre o primeiro filme e este, Taylor-Johnson participou do elogiado Albert Noobs, de Selvagens de Oliver Stone e do visualmente deslumbrante Anna Karenina no principal papel masculino. Moretz, por sua vez, foi a estrela da versão americana de Deixe Ela Entrar, brilhou no espetacular A Invenção de Hugo Cabret e é aguardadíssima no papel principal do remake de Carrie – A Estranha. Como se pode perceber ambos os atores evoluíram artisticamente falando, e também cresceram (fisicamente falando). Então nada mais natural que seus personagens fizessem o mesmo. E o filme também.

Kick-Ass, ou Dave Lizewski, já não é o adolescente fracote e inseguro que era quando resolveu criar seu super-herói pessoal. Agora mais forte, mas empenhado em sua luta contra o crime, ele inspira novos justiceiros mascarados. Já Hit Girl, ou Mindy Macready, não é mais aquela menininha de 12 anos. Agora pré adolescente, ela terá que lidar com as agruras do temido high school. Será alvo das garotas populares e, por uma promessa, terá que abandonar a fantasia de Hit Girl para se tornar uma menina “normal”. Enquanto os dois seguem com suas vidas, Chris D’Amico (Christopher Mintz-Plasse) busca sua vingança contra os heróis que mataram seu pai no final do primeiro filme, e deixará de ser o vilão Red Mist para se tornar o supervilão Motherfucker (com um figuro de origem ainda mais inusitada que a roupa de mergulho do personagem principal, diga-se).

O filme não deixa de lado as marcas registradas do primeiro: humor, violência extrema e heróis “reais”. Ninguém aqui tem superpoderes, todos são pessoas comuns dispostas a fazer do mundo um lugar melhor. Os companheiros que Kick-Ass encontra e onde passa a fazer parte do “Justiça Para Sempre” são o melhor exemplo disso: pais de família que tiveram o filho sequestrado, uma moça que teve a irmã estuprada e assassinada… e por aí vai. Pessoas normais que buscam a justiça pelas próprias mãos quando a justiça dos homens falha. O grupo é liderado pelo Coronel Estrelas, numa das interpretações inspiradíssimas e sem caretas de Jim Carrey. O mesmo que depois se recusou a divulgar o filme por causa de sua violência, porém a gente bem sabe que o mundo “real” é muito mais violento. Como os personagens do filme gostam de repetir: a vida não é uma história em quadrinhos.

Juntando novamente muitas referências pop, o filme diverte e entretém como poucos. E quem sabe pode-se dizer até que é melhor do que o primeiro, por conta da evolução clara de seus personagens e do desenvolver da história. Matthew Vaughn que escreveu e dirigiu o primeiro filme, desta vez assina somente a produção executiva e passa o bastão para Jeff Wadlow, que também dirige e assina o roteiro. Ambos os filmes são baseados nas HQs de Mark Millar e um terceiro filme já é previsto, também baseado numa terceira história em quadrinhos lançada recentemente nos Estados Unidos, e pensando num possível gancho no final desta segunda aventura.

Assim como o primeiro, Kick-Ass 2 é tão divertido que passa rápido demais e ficamos com a sensação de que alguns personagens e atores foram subaproveitados , como John Leguizamo, por exemplo. Ainda assim é um filme que com certeza agradará seu público de fãs de quadrinhos e super-heróis que sempre quiseram se tornar um. Ou mesmo aos fãs de um bom cinema-pipoca que gostem de um filme que não seja apenas violência por violência e que no fim das contas até consiga nos fazer pensar um pouco e questionar sobre quem está certo e quem está errado, por que não?

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