Resenha do site: Capitão Phillips

capitao-phillips-posterEm 2010 a Sony Pictures adquiriu os direitos de um livro que contava uma boa história. É assim que a maioria dos projetos hollywoodianos começa. Em “Dever de Capitão”, Richard Phillips contava sua história a bordo do navio Maersk Alabama, invadido por piratas na costa da Somália. Uma história heroica e, segundo o restante da tripulação do navio, fantasiosa. Já que Phillips pinta a si mesmo como herói, enquanto sua equipe desmente e diz que ele ignorou procedimentos padrão e atrapalhou várias tentativas de resgate. Mas Capitão Phillips, o filme que a Sony Pictures produziu a partir do livro, não vem para desmistificar o mito. Vem para confirmá-lo.

Com Tom Hanks à frente do elenco, Capitão Phillips estreou no final de setembro no Festival de Cinema de Nova York e arrebatou a crítica. Direção, atuações, fotografia, roteiro, edição…. e no meio de tanto elogio o filme já desponta como um dos certos indicados ao Oscar de 2014. O diretor Paul Greengrass, especialista em suspenses realistas como Vôo United 93, traz o perigo para a cara do espectador e, certamente, faz um dos melhores filmes do ano.

Existem alguns filmes que os críticos gostam de dizer que a cidade ou o cenário são tão personagens quanto os de carne e osso. Pode-se dizer que em Capitão Phillips isso aconteça de uma forma diferente. De forma magistral, Greengrass coloca a tensão e o desespero como personagens reais a bordo do Maersk Alabama e sua baleeira. Desde o momento que os piratas surgem em suas lanchas no radar do navio cargueiro americano é simplesmente impossível respirar de maneira normal e não se contorcer na poltrona diante das ameaçadoras metralhadoras e dos olhares daqueles quatro piratas somalis.

Claro que boa parte da razão disso está nas espetaculares performances de Tom Hanks e Barhad Abdi (que trabalhava como chofer quando foi convidado para fazer o filme e não tinha experiência alguma como ator), como Muse, o líder dos piratas. O roteiro de Billy Ray (responsável pela adaptação de Jogos Vorazes e pelo texto da anunciada cinebiografia de Frank Sinatra dirigida por Martin Scorsese) é de um primor técnico impecável e não desperdiça palavras: Capitão Phillips não se enrola. Depois de uma rápida introdução do capitão com sua esposa, já somos atirados ao mar e logo já somos apresentados aos piratas. Depois disso a tensão em tela só cresce, culminando num final desesperador que se estende pela última meia hora de filme.

Não é preciso ser muito esperto para perceber que o filme, por melhor que seja, é pura patriotada americana, como eles mesmos bem gostam. O ator mais querido dos Estados Unidos (e um dos mais talentosos, claro), representando o herói nacional, que se dispõe a dar sua própria vida por sua tripulação num filme que não se preocupa com questões históricas ou em explicar muita coisa: os somalis são os vilões e querem roubar o barco para ganhar dinheiro. Simples assim. Não precisamos de explicações (segundo Greengrass) ou de justificativas. Assim como pressupõe-se que Phillips é bom, pressupõe-se que Muse e seus comparsas sejam maus. Sem lugar para meio termos ou personalidades mais ambíguas.

Desde sua primeira exibição Capitão Phillips vem recebendo críticas positivas e elogios. Alguns dizem que trata-se da melhor performance de Hanks em anos. Ninguém melhor portanto para nos fazer torcer por um personagem. O ator que em breve estará nas telonas encarnando ninguém menos que Walt Disney, e que já está em todas as listas de previsões do prêmio da Academia no ano que vem. E é disso que o cinema americano gosta: histórias pessoais, preferencialmente baseadas em fatos reais, heroicas, patrióticas. E nisso, senhoras e senhores, Capitão Phillips acerta em cheio.

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