Resenha do site: Don Jon – Como Não Perder Essa Mulher

don jonComédias românticas são, essencialmente, filmes femininos. De mulherzinha mesmo. A história, quase sempre contada do ponto de vista da mocinha, a acompanha pelas desventuras de ir atrás do cara que não a ama, se apaixonar acidentalmente pelo brutamontes ou pelo melhor amigo e frequentemente terminam naquela cena linda de casamento e o beijo final apaixonado. Só aqui resumi uns 80% dos filmes do gênero.

Vez ou outra o cinema apronta das suas e muda esse foco. Foi assim há quase 20 anos com Quatro Casamentos & Um Funeral, que ao menos em parte, mudou o ponto de vista: aqui quem via a história era o mocinho, interpretado por Hugh Grant. Mas ainda assim era pouco.

Don Jon (ou Como Não Perder Essa Mulher, nome estapafúrdio que recebeu nos cinemas brasileiros que em nada tem a ver com o filme) vira totalmente estas lógicas. É, em todo ele, uma comédia romântica para homens. Dá pra imaginar o casal de namorados no cinema assistindo o filme e pensando “é bem assim mesmo“. Ele, concordando com o protagonista masculino e ela com a mocinha que só quer o melhor pra ele.

Jon (Joseph Gordon-Levitt) é um jovem de família italiana que tem poucas preocupações na vida: seu corpo, seu carro, ir à igreja, sexo casual com garotas e… pornografia. Sim, ele é viciado em videos pornôs. Nem o sexo real faz com que ele deixe essa compulsão e mesmo depois do ato sexual real ele recorre ao computador para satisfazer uma necessidade que, ele diz, mulheres de carne e osso não satisfazem. Novamente: a quantidade de homens que se identificarão com o personagem será imensa. Quando ele conhece a linda e loira Barbara (Scarlet Johansson) se apaixona e inicia um relacionamento “sério”, porém ela flagra o namorado se divertindo virtualmente enquanto assiste um vídeo e faz (segundo ela) uma única exigência dali pra frente: que ele abandone a pornografia virtual. Pode parecer fácil, mas Jon tem um vício, ainda que não admita. Como o filme é narrado por ele e sob seu ponto de vista, quem o julga é que está errado.

A jornada do filme narrada por ele é, na verdade, sobre amadurecimento. Ele vai se propor a mudar pela mulher amada até o limite. Como um moleque se torna um homem. Como o envolvimento com uma mulher mais velha (Julianne Moore) pode ensiná-lo muitas coisas. Inclusive (e principalmente) sobre sexo, coisa que como todo homem Jon acha que domina, já que “pratica” desde a adolescência.

Joseph Gordon-Levitt vem se especializando em fugir do comum. Em comédias nada convencionais. Virou queridinho do público indie com (500) Dias Com Ela, protagonizou uma comédia sobre câncer (!!!) em 50%, um filme de ação sobre bicicletas em Perigo Por Encomenda, um filme sobre um garoto de programa em Mistérios da Carne e um suspense noir em A Ponta de Um Crime. Mas foi ainda na infância que ganhou fama, como um dos protagonistas do seriado 3rd Rock From the Sun. Hoje, depois de filmes bobinhos (mas deliciosos) como 10 Coisas Que Eu Odeio em Você e blockbusters como Looper, A Origem e Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, ele se dá ao luxo de atuar em várias frentes: Don Jon é também escrito e dirigido por ele. Demonstra uma leve falta de prática na mão no comando, é verdade, mas ao mesmo tempo traz muito potencial. Mesmo com um tema um pouco pesado, o filme é leve e fluido, não sem enrola nem filosofa demais, e possui alguns momentos de linguagem bem peculiar.

Envolvido em projetos relacionados à TV e literatura, com uma produtora independente que recruta talentos pela internet, Gordon-Levittt é um dos atores mais promissores de sua geração e já foi chamado de “o novo Heath Ledger”, pela semelhança física e de talento. Já participou de números musicais do programa Saturday Night Live, mostrando que sabe apresentar, cantar e dançar  e somente nos próximos meses estará em vários outros filmes: já confirmou sua participação ao menos na produção da adaptação cinematográfica dos quadrinhos Sandman (fala-se também em direção e atuação), dublou o personagem principal da animação japonesa Vidas ao Vento (último filme de Hayao Miyazaki) e estará no elenco da segunda parte do filme Sin City, prevista para agosto do ano que vem.

Não é para qualquer um ter, em seu filme de estreia na direção e roteiro, dois dos nomes femininos de maior projeção do cinema atual: Johansson e Moore já passaram diversas vezes pelo Oscar e possuem um talento indiscutível. Uma forma de dar “grife” ao filme que, sem elas talvez não chamasse tanto a atenção, mas que graças ao talento do trio principal e do frescor e inovação de seu roteiro, o tornam uma ótima estreia para um cada vez mais promissor one man show.

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