Resenha do site – O Hobbit: A Desolação de Smaug

ads_hobbit84Quando Peter Jackson se propôs a adaptar O Senhor dos Anéis para o cinema, o fato de ter em mãos uma trilogia de livros justificava uma trilogia de filmes. Nada mais justo então. E criou um dos maiores espetáculos cinematográficos de todos os tempos, em qualidade técnica e cinematográfica, culminando num Oscar de melhor filme (e mais outros 10 em outras categorias) para a parte final há 10 anos.

Natural seria também que ele, numa forma de estimular sua galinha dos ovos de ouro, fosse atrás dos demais livros de J.R.R. Tolkien para também adaptá-los para o cinema. O Hobbit é um deles: um livro curto, infantil, que Jackson se incumbiu de transformar novamente em uma trilogia.

Se a primeira parte era ágil e com as normais apresentações dos personagens, esta segunda parte, A Desolação de Smaug, se mostra um pouco enrolada demais. Longe de ser um filme ruim, claro. Algumas de suas sequências são melhores que muitos filmes inteiros, mas algumas outras se mostram desnecessárias e estão ali claramente só pra justificar os três filmes de duas horas e meia de duração.

O Hobbit é um livro (e um filme) que em si carece de personagens carismáticos que causem a simpatia do público. Com exceção do protagonista, aqui nesta segunda aventura temos apenas mais um personagem com quem simpatizar: o anão Kili. Ator de séries de TV e do horrendo Os Instrumentos Mortais, Aidan Turner na pele do anão demonstra em olhares e palavras uma simpatia que não é compartilhada pelos demais anões da trupe que acompanha Bilbo (Martin Freeman) na saga.

O grupo de 12 anões liderados por Thorin (Richard Armitage, também experiente em séries de TV) acompanha o pequeno hobbit até uma montanha onde ele deverá entrar sorrateiramente para pegar uma joia que devolverá a Thorin o trono dele roubado. Claro que, para quem já assistiu ou leu O Senhor dos Anéis, dá pra imaginar que a coisa não será simples assim. Com a ajuda do mago Gandalf (Sir Ian McKellen, sempre espetacular) eles enfrentarão os temíveis Orcs. Ainda contarão com a ajuda dos elfos, principalmente de Legolas (novamente na pele de Orlando Bloom) e Tauriel (Evangeline Lilly, que após o seriado Lost afirmou que iria se aposentar, porém, segundo ela mesma, não pôde resistir ao convite).

Mesmo se passando no mesmo universo, sendo do mesmo diretor e com alguns dos mesmos personagens da trilogia O Senhor dos Anéis, O Hobbit mostra várias diferenças. Se lá tínhamos uma infinidade de personagens para quem torcer, desta vez quase torcemos por um dos vilões. Se lá tínhamos várias nuances de romance, aqui temos uma rápida passada de um flerte. Porém as imagens são sempre semelhantes, os planos abertos sobre montanhas e cidades, as longas caminhadas floresta adentro. Tudo para criar a conexão entre as histórias.

Praticamente desnecessário dizer que se um dos maiores trunfos (senão o maior deles) da primeira trilogia era Gollum/Smeagol, sua criatura digital em pixels e captação de movimento, desta vez a coisa também se repete. Desde o final de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada no ano passado, o que o público queria mesmo era ver o dragão Smaug. Novamente criado digitalmente a partir da captação de movimentos do ator, o dragão que vemos na tela é simplesmente impressionante. Claro, que muito do mérito disso está em quem dá voz e alguns dos movimentos do cospe-fogo: o inglês Benedict Cumberbatch faz a tela do cinema tremer a cada frase e impõe um medo e um perigo quase tão reais quanto Sauron. Porém acaba fazendo com que torçamos por ele mesmo sendo um dos maiores vilões do filme.

Juntando, ainda que não em carne e osso, os parceiros do incrível seriado Sherlock (Cumberbatch e Freeman são, respectivamente, Sherlock Holmes e Watson), A Desolação de Smaug entretém e prende a atenção. Com cenas de ação de grudar na cadeira – como toda a sequência dos barris – e um final que, claro, deixa o gancho pronto para a parte final a estrear no final ano que vem, esta segunda parte seria melhor com um pouco menos de enrolação. Mas ainda assim é um dos melhores filmes do ano.

3 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s