Resenha do site – Planeta dos Macacos: O Confronto

Planeta-dos-Macacos-O-Confronto-poster-nacionalSão necessários quase vinte minutos para que o espectador veja o primeiro rosto humano real em cena. Assim, assustados com tamanha coragem de uma equipe cinematográfica, somos apresentados ao mundo de Cesar e seus companheiros, “dez invernos” após os acontecimentos do primeiro filme. Macacos de diversas espécies se comunicam, portam armas, organizam caçadas, respeitam um líder, constroem casas. E é impossível conter o desconforto. Sim, estes quase vinte minutos são extremamente desconfortáveis para nós, meros humanos. Porque não parecem reais? Não, justamente pelo contrário. O realismo e a, digamos, probabilidade de tais cenas, as semelhanças entre eles e nós… tudo isso faz com que não consigamos ficar confortáveis em nossa poltrona.

Então eis que finalmente um rosto humano aparece. Não conseguimos conter um suspiro aliviado. Ufa, alguém como eu!, pensamos. E no instante seguinte percebemos que não… talvez nossa maior semelhança não seja com o humano…

Este jogo que identificação vai permear todo o enredo de Planeta dos Macacos: O Confronto, que estreia dia 24 de julho no Brasil. Já fomos apresentados ao protagonista desta história, conhecemos Cesar (mais uma espetacular encarnação digital de Andy Serkins) em 2011 na história contada em Planeta dos Macacos: A Origem, um filme que como alguém já disse, era muito melhor do que precisava ser. Já sabemos também, qual será o final desta história. Sabemos o começo e o fim, agora estamos sendo apresentados ao meio.

Se em 2011 Cesar fugia do laboratório com uma trupe de macacos e se refugiava em uma floresta próxima a São Francisco enquanto um misterioso vírus contaminava um cientista, agora vemos as consequências destes atos. Cesar lidera um verdadeiro povoado de macacos na floresta, enquanto o vírus chamado de Gripe Símia dizimou a população na proporção de sobreviventes de 1 para cada 500 mortos. Um grupo destes sobreviventes vai então tentar entrar em um acordo com os macacos como forma de beneficiar a ambos (mais os humanos que os macacos, é claro).

Não é à toa que praticamente todo o elenco “humano” de O Confronto seja de gente não muito conhecida. Claro, rostos como Jason Clarke (de A Hora Mais Escura e O Grande Gatsby) e Keri Russell (do seriado Felicity e Garçonete) não são completos desconhecidos do público, embora despertem mais aquela sensação de ‘já vi essa cara antes’ que verdadeiro reconhecimento. O maior nome do elenco é mesmo de um dos melhores atores do cinema atual: Gary Oldman, como o antagonista principal, eficiente e competente como sempre. O diretor Matt Reeves ainda conseguiu trazer atores de seus projetos anteriores, como Russell de Felicity (que dirigiu alguns episódios) ou Kodi Smith Mc-Phee, que era ainda um garotinho em Deixe-me Entrar, também comandado por Reeves.

Em meio ao confronto do título, nos colocamos mais no lugar de Cesar que de qualquer ser humano. É Cesar quem quer proteger seus semelhantes. É Cesar quem nos dá verdadeiras lições de humanidade (“Macaco não mata macaco“). É Cesar a criatura mais próxima dos humanos em cena. Por mais que seja um macaco. E novamente o jogo de identificação entra em cena: quem é mais semelhante a nós?

Planeta dos Macacos: O Confronto é um filme poderoso, forte, tenso e na realidade, assustador. Convém (muito) assistir o longa anterior de 2011 antes de ir ao cinema. Sabemos que a possibilidade de um vírus criado em laboratório (para fins benéficos ou não) atingir a população não é algo tão fictício assim. Esse medo real existe e já foi esmiuçado em inúmeros filmes. Mas a questão aqui é colocar homens lutando pela sobrevivência contra seres semelhantes. Ao mesmo tempo menos e mais evoluídos que nós. Como não temer um grupo forte, organizado até mesmo politicamente, capaz de sobreviver com muito menos recursos que nós? “Eles não precisam de eletricidade”, frisa um dos personagens em determinado momento. E é esse o maior exemplo do medo pulsante que permeia todo o longa: eles podem evoluir mais rápido que nós e nos tornar obsoletos.

Basta ver o clássico Planeta dos Macacos de 1968 para saber como essa história termina. Não é seu final que conta. São seus porquês, seu desenrolar. O Confronto é a parte do meio de uma trilogia, que tem seu final já planejado para 2016. E é um filme que começa com um clímax e termina com um maior ainda. É esperar para ver o improvável se tornar uma das maiores trilogias dos anos 2010. É se extasiar com tudo o que O Confronto é, no quesito filme completo, que envolve uma excelente história, atores eficientes, efeitos especiais espetaculares e sair do cinema com a sensação de que você pode passar por um daqueles macacos na primeira esquina e ele te cumprimentar com um ‘Olá, tudo bem?’ de tremer as pernas.

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