Resenha do site: Maze Runner – Correr ou Morrer

maze runner correr ou morrerÉ seguro dizer que Maze Runner – Correr ou Morrer (nunca vou entender a função de subtítulos) é um filme que já existe. A coisa do “acordar num lugar cheio de perigos sem saber como foi parar ali” já foi mostrada no excelente Cubo (1997); A nova sociedade de garotos, em O Senhor das Moscas (1990); As provas para sair vivo do lugar desconhecido, claro, em Jogos Vorazes (2012).

Então como um mix disso tudo, Maze Runner ganha as telas do cinema adaptado da trilogia de livros do americano James Dashner. Ex-contador, Dashner abandonou a profissão para se tornar escritor. É hoje autor de catorze livros infanto juvenis divididos em cinco séries e tem uma nova sendo lançada. O filme parte do primeiro livro da trilogia do labirinto e, claro, deixa o gancho para as duas produções seguintes. Ou três, já que a trilogia acaba de ganhar uma prequel com o sucesso alavancado justamente pela saga Jogos Vorazes.

Na trama, o jovem Thomas, de cerca de dezesseis anos (o inexpressivo Dylan O’Bryan de Teen Wolf) acorda em um lugar desconhecido, transportado por uma jaula. E é exatamente assim que o filme começa, sem maiores enrolações ou introduções. Ponto positivo. Quando vê a luz do sol, Thomas não sabe onde está nem como foi parar ali. Nem quem são aqueles outros meninos o encarando. Aos poucos a hierarquia e sociedade do lugar vão sendo mostradas a ele (sem se preocupar muito em desenvolver personalidade de mais de dois ou três): quem manda e quem obedece, quem tem qual função no grupo. As caras mais conhecidas deste elenco jovem são Will Poulter (que já foi o Eustáquio em As Crônicas de Nárnia e mais recentemente mostrou seus bons dotes para a comédia em A Família do Bagulho) e Thomas Brodie-Sangster (que conhecemos pequenininho em Simplesmente Amor).

Após a chegada de Thomas, uma nova ordem começa a se estabelecer, já que o jovem parece não respeitar as regras do lugar e resolve fazer coisas a seu modo. A certeza de que tudo irá mudar é quando pela jaula vem uma garota, Teresa (Kaya Scodelario), a primeira menina desde que tudo começou e um bilhete: “Ela será a última”. A única forma de escapar do lugar é atravessando um labirinto de pedra, mutável e com predadores meio mecânicos meio animais. Não é difícil saber que Thomas vai tomar as rédeas do lugar, que algum deles irá se opor a esta novidade e, numa discussão política até então inimaginável num filme infanto-juvenil, vemos um embate de poderes onde o velho se sente ameaçado pelo novo, como se um totalitarismo tentasse prevalecer sobre uma democracia.

Maze Runner é uma ótima aventura. A maioria dos atores jovens é bom (inexplicavelmente o mais fraco deles é justamente o protagonista) e a trama chega a prender a atenção. Claro que está repleta de clichês, mas talvez o que mais me incomodou foi a ausência de realidade. Em uma micro sociedade feita só por rapazes entre 12 e 17 anos (vá lá), a única preocupação aparente é manter aquela sociedade em harmonia, como se fosse uma comunidade hippie de paz e amor? Mas sem a parte do “amor”, já que nenhum deles parece ter hormônios e enfrentam a puberdade sem garotas de forma simples e singela.

Sem ser longo demais e sem muita embromação, o filme corre rápido aparando as arestas e mantendo o interesse até o fim, onde a dica para a continuação se faz presente. Ainda não existem confirmações sobre possíveis sequências. Tudo vai depender do sucesso comercial desta primeira aventura. Mas como um único filme, Maze Runner acaba sendo empolgante e divertido. Um ótimo passatempo. Pode não ser tão sanguinolento e inteligente quanto Cubo, nem tão político quanto O Senhor das Moscas, nem tão fenômeno quanto Jogos Vorazes. Mas faz sua parte: entretém sem emburrecer. E só isso, nos dias de hoje, já é uma grande vantagem.

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