Morre Roberto Gómez Bolaños, ator e criador de Chaves e Chapolin

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Responsável pelo fenômeno Chaves e Chapolin desde da década de 70 e que até os dias de hoje faz rir com seu humor inocente e simples, campeão de audiência na emissora de Silvio Santos, sim estamos falando de  Roberto Gomez Bolaños. O grande ator e criador da turma do chaves faleceu hoje, 28 de novembro, aos 85 anos. Roberto estava internado à algum tempo. Bolaños estava com a saúde fragilizada há mais de uma década e passou os seus últimos anos em uma cadeira de rodas, lutando contra problemas respiratórios e complicações da diabetes. Com sua morte, Chespirito, apelido que adotou desde início de sua carreira e que significa pequeno Shakespeare em espanhol, deixa órfão milhares de fã na America Latina e principalmente no Brasil, terra que ele adorava e declarou amor várias vezes.

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Chaves – Tanto carinho pelo personagem tem receita simples, humor ingênuo e inteligente a história do garoto orfão que “sem querer querendo” inferniza a vida da vizinhança caiu nas graças do público apostando em piadas ingênuas e sem apelação, “Quando sobram piadas chulas, é porque falta talento”, afirmou o mexicano em entrevista a VEJA em 1999. Chespirito fugia de piadas racistas e preconceituosas em programas, “…nos meus programas as meninas sempre são mais inteligentes. No Chaves, era a Chiquinha quem arquitetava os planos mirabolantes”, dizia ele.

Um dos últimos Tweets de Chesperito

Chespirito – Bolaños já era um rosto conhecido no méxico e tinha uma carreira sólida com uma trajetória impecável mas foi com a criação de seus dois personagens mais queridos, Chaves e Chapolin, que ficou conhecido mundialmente. Dono de uma marreta biônica de plástico e de “anteninhas de vinil” sensitivas, Chapolin é uma divertida sátira dos infalíveis super-heróis dos quadrinhos americanos. A série colecionou um enorme número de fãs e conquistou o seu próprio status cult – camisetas com o emblema do personagem são um ícone pop até hoje –, mas seu alcance jamais superou o da outra criação de Bolaños.

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No Brasil, Chaves foi e é fenômeno e veio quase que por acaso em um pacotão de programas comprados por Silvio Santos da Televisa, canal que produziu o seriado no México. Ainda no início do SBT, Chaves tornou-se coringa na programação do dono do Baú sendo exibido em qualquer espaço na programação e levantando a audiência ganhando muitas vezes da Globo, deixando os executivos da emissora carioca de cabelo em pé.

Embora também tenha conquistado fãs em outras partes do mundo, foi na América Latina que a principal obra de Bolanõs ganhou contornos de fenômeno cultural – a ponto de ser comparada pela revista Forbes ao revolucionário Simon Bolivar por seu poder unificador no continente. Para o humorista, os índices de pobreza da região ajudavam a explicar o grande apelo do personagem entre os latino-americanos. “O Chaves é uma criança que não cresce porque não come. O personagem faz sucesso em qualquer lugar do planeta onde haja fome”, disse ele na entrevista a VEJA.

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O seriado foi produzido e foi ao ar entre 1971 e 1980 então, quando ele começou a passar no SBT ele já tinha terminado. Depois ele fez parte como esquete dentro do programa do Chespirito na Televisa até 1992 quando parou por idade avançada de Roberto mas o programa já havia sofrido baixas em seu elenco – a primeira delas por causa de um inesperado triângulo amoroso entre Chaves, Dona Florinda e Quico. Ou melhor, entre Bolaños, a atriz Florinda Meza e o ator Carlos Villagrán.

Namorada de Villagrán durante anos, Meza trocou o parceiro pelo intérprete de Chaves em 1977. Logo depois, Villagrán anunciou sua saída do programa para seguir carreira-solo. A rusga entre os ex-colegas, porém, não terminou por aí e acabou se desdobrando em uma disputa judicial pelo personagem de Quico. Por causa da briga, Villagrán passou a se apresentar alterando a grafia do nome para “Kiko”. Mostrando que o tempo não aplacou a animosidade entre eles, o ator acusou Bolaños em 2011 de não lhe pagar os direitos devidos pelo faturamento do programa. “Tudo quem leva é o Roberto, que é multimilionário”, alfinetou.

Outro conflito famoso é entre Chespirito e Maria Antonieta de Las Nieves, a Chiquinha, que a partir de 1994 travou uma disputa nos tribunais pelos direitos autorais da personagem que se arrastou por décadas e a amizade se desgastou e os dois nunca mais conseguiram ter uma amizade. “Ele não atende meus telefonemas nem meus convites. Se não quer, não posso obrigá-lo a ser meu amigo”, lamentou Maria Antonieta em entrevista à revista Veja.

Florinda foi a mulher da vida de Bolaños, vinte anos mais nova do que ele, foi sua companheira por mais de trinta anos – nos últimos deles fazendo também o papel de assessora e enfermeira do marido já debilitado. Qual o segredo do sucesso? Chespirito reponde: “Chaves sempre defendeu valores familiares como honestidade e compaixão, e as pessoas se identificam com ele por causa disso”.

Um dos últimos Tweets respondidos de Bolaños a uma brasileira, ele declara seu amor ao Brasil:

Tweets do elenco do Chaves sobre o falecimento do amigo:

Sentiremos sua falta Bolaños e obrigado por fazer parte de nossa infância. ISSO ISSO ISSO ='(

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That’s all folks

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