Resenha do site – Uma Noite de Crime: Anarquia

the-purge-anarchy-posterAnarquia: 1 Estado de um povo em que o poder público, ou de governo, tenha desaparecido. 2 Negação do princípio de autoridade. 3 Confusão, desordem. 4 Desmoralização. 5 Sistema político e social em que o indivíduo se desenvolveria livremente, segundo seus dotes naturais, pelo que a sociedade poderia dispensar o governo.

Como enfrentar um perigo aparentemente sem motivos? Como argumentar com um desejo incontrolável de matar? Como questionar moral se você está autorizado a matar? Sim, se ano passado com ‘Uma Noite de Crime’ as questões morais tinham uma pequena carga dentro do suspense, desta vez elas têm importância maior. Praticamente vital.

‘Uma Noite de Crime: Anarquia’, com estreia prevista para novembro no Brasil, se passa, como seu antecessor, nas 12 horas autorizadas pelo governo americano para o expurgo. Doze horas onde todos os crimes são permitidos e polícia, bombeiros ou hospitais não funcionam. Doze horas em que algumas pessoas se ocupam em manter-se seguras em casa enquanto outras se armam para atacar quem quer que passe pelo seu caminho. Também há o desejo de vingança, de devolver o mal mal a quem um dia te fez o mal.

‘Uma Noite de Crime’ rendeu ao redor do mundo mais de 90 milhões de dólares e custou 3 milhões. Claro que isso significaria (pelo menos) uma sequência. Se na primeira parte os protagonistas estavam presos dentro de casa, teoricamente protegidos contra a ameaça, desta vez eles estão na rua. Se lá, o foco era em uma família rica, agora os protagonistas são de classe média baixa. De mãos dadas com o perigo, está o preconceito e, novamente, as questões morais que envolvem a trama.

Já nos questionávamos sobre o certo e o errado do expurgo quando vimos o primeiro filme. Agora a coisa soa ainda mais questionável quando vemos pessoas “comprando” vítimas para exacerbar seu desejo de violência e sua veia “patriótica”. Claro que o teor político do filme é o mesmo: a culpa de todos os males do mundo parece ser da parcela da população que tem algum dinheiro, o que chega a incomodar. Mas antes de se preocupar com discursos, o longa se preocupa em mostrar que o perigo (assim como a redenção) pode estar em absolutamente qualquer parte. Seja no grupo ameaçador que te persegue na rua ou na família de classe média-alta segura em seu apartamento. Ou seja no final, tão estarrecedor quanto o do primeiro filme.

Claro que com o anúncio de que a franquia pode ganhar um filme novo todo ano, ficam as dúvidas se a qualidade será mantida, mas com certeza ideias é que não faltam. Os universos a serem explorados nessas doze horas são infinitos. E como podemos ver em ‘Anarquia’, os criminosos (e os cineastas) estão ficando mais criativos dentro deste universo particular.

Leia aqui: Uma Noite de Crime pode virar franquia com um filme novo por ano

Se para alguns a ideia do expurgo no ano passado poderia ter um lado bom, aqui fica bem claro seu perigo. As pessoas não entrariam numa espiral eterna de vingança? O preconceito, seja ele racial, social, religioso, sexual ou de qualquer outra ordem, não sera a desculpa perfeita para aplacar sua raiva do mundo? Grupos se atacando, governantes transformando a carnificina em ato político, tudo saindo do controle. Será mesmo que um expurgo assim diminuiria as taxas de criminalidade a 1%? Claro, estamos falando de ficção, de cinema, mas não tem como não pensar que trata-se de uma situação cada vez mais plausível, mesmo que não oficialmente.

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