Resenha do site #Oscar2015 – A Teoria de Tudo

ateoriadetudoUm dos mais comentados filmes da temporada de Oscars, ‘A Teoria de Tudo’ parece ter entrado na lista final mais por alguma regra da Academia que por mérito próprio. Todos os anos parece que alguns temas devem, obrigatoriamente, estar entre os indicados a melhor filme: dramas raciais, filmes de guerra, de época e biografias. É nesta última categoria que o longa se encaixa.

Mais do que merecimento, ‘A Teoria de Tudo’ merece um reconhecimento sim. Por contar a história de uma mente brilhante que, ainda que tenha o corpo afetado por uma grave doença degenerativa, não deixa de co-existir neste corpo. Stephen Hawking é hoje talvez o físico mais conhecido do mundo e sua figura na cadeira de rodas com voz metálica ainda inspira muita gente. Não demoraria para que sua história virasse um filme, evolução natural das coisas em Hollywood.

Deixando de lado o complicado mundo da física, rapidamente ilustrado em algumas teorias, o filme baseia-se no livro de mesmo nome escrito por Jane Hawking, esposa do físico, de quem se divorciou em 1995 após 30 anos de casados. Na história, acompanhamos o jovem Stephen apaixonando-se pelo mundo da física e pela bela Jane, a descoberta da doença e o desenvolvimento de seu drama particular enquanto definha visivelmente e a esposa tenta manter o mundo rodando ao seu redor.

A força de Jane é essencial para que Stephen sobreviva e seu amor e dedicação são impressionantes. Enfrentando os problemas do marido, a criação dos três filhos e todos os tipos de problema que uma doença como a dele pode apresentar, é ela o pilar essencial de sua vida e é totalmente aceitável quando ela começa a se cansar deste papel.

‘A Teoria de Tudo’ não é, essencialmente, um filme ruim. O maior pecado da história além de seu ritmo arrastado talvez seja seu tom excessivamente documental, bagagem do diretor estreante em longas ficcionais e vencedor do Oscar pelo documentário ‘O Equilibrista’. James Marsh pesa a mão em fatos e história e esquece de carregar consigo a emoção. O filme passa de forma asséptica e não conseguimos simpatizar com aquele personagem. Nos compadecemos de sua doença mas não há empatia. Hawking parece um ser humano distante, incapaz de demonstrar emoções mesmo quando pode fazê-lo.

Eddie Redmayne (de ‘Os Miseráveis’) é um dos favoritos ao Oscar de melhor ator por sua interpretação de Hawking, mais física que emocional, e a Academia adora atores que se transformam fisicamente para seus papeis. Felicity Jones (de ‘O Espetacular Homem-Aranha 2’) por sua vez, traz uma interpretação tão sutil e forte de Jane, toda olhares e entonações, que chega a destoar do trabalho corporal de Redmayne.

Com cinco indicações ao Oscar deste ano, incluindo filme, ator, atriz, roteiro adaptado e trilha sonora, é possível que o longa saia da festa somente com o prêmio de melhor ator. Não merece mais do que isso. Mesmo sendo um filme bom e contando uma história extremamente forte e interessante, o filme consegue passar sem transmitir sentimento algum. No quesito biografia, ‘O Jogo da Imitação’ faz um trabalho muito melhor, ao conseguir fazer o público se envolver no drama pessoal de Alan Turing e entrar de cabeça na história.

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