Resenha do site: Divertida Mente

divertidamenteJá pensou se todas nossas emoções, humor e ações fossem controladas por pequenas criaturinhas que moram dentro da gente? Como o medo, a raiva, a alegria, o nojo e a tristeza e tantas outras sensações?

Esta é a premissa brilhante de Divertida Mente, nova e aguardada produção da Disney-Pixar que estreia esta semana nos cinemas mundiais. É uma pena que o produto final passe bem longe da ideia original.

Riley é uma garotinha de 12 anos que desde pequena tem sua vida guiada por essas cinco emoções dentro de sua cabeça. Tudo vai bem, Riley é feliz com os pais, joga hockey na escola e tem amigos com quem se diverte até que os pais decidem mudar de cidade e sua vida vira um inferno. Por conta de uma confusão em sua “sala de comando”, a alegria e a tristeza vão parar em outro lugar, em um “arquivo de memórias” e não estão mais presentes em sua vida, que passa a ser controlada pelo medo, pela raiva e pelo nojo em tempos intercalados. Riley deixa de ser aquela menina queria e amável que sai com os pais e come tudo que está no prato (exceto brócolis) para se tornar uma criança resmungona, briguenta, apática e nervosa. Alguém falou em adolescência?

Sim, todo o filme parece uma grande metáfora para a mudança de comportamento gerada pelos hormônios que transformam crianças fofas em adolescentes rebeldes-sem-causa. De repente eles não falam mais com os pais, eles não querem mais saber das coisas que gostavam na infância e reclamam de tudo. Sim, você já viu este filme. E dentro de casa. Vê-lo novamente no cinema pintado com cores exuberantes não parece ser uma boa pedida. E realmente não é.

Um dos mais fracos filmes que a Pixar já produziu, Divertida Mente brinca o tempo todo com as noções de subconsciente (“é pra lá que as coisas que não queremos lembrar vão”), memórias e personalidades. Pinta com cores alegóricas os fatos que formam nossa personalidade desde pequenos baseados em memórias afetivas e nossos gostos e preferências. Para o pessoal da psicologia é um prato cheio, definitivamente. Para as crianças também será, com seu excesso de personagens engraçadinhos e cores. Mas para os pais e/ou adultos que gostam de animação, nem tanto.

Coadjuvante em sua própria história, Riley terá a vida mudada tanto pela mudança de endereço dos pais que a levam para São Francisco quanto pelas mudanças hormonais. Digo, os acidentes que acontecem dentro de sua cabeça com a tristeza e a alegria. Enquanto tentam achar seu caminho de volta para a dita “sala de comando”, tristeza e alegria se encontrarão com amigos imaginários da infância, entrarão em mundos onde tudo é possível e tomarão LSD serão transformadas pelas fantasias infantis de Riley. Tudo embalado em muita cor, forma e 3D.

Infelizmente o longa dirigido e roteirizado por Pete Docter e Ronaldo Del Carmen (o primeiro responsável por longas icônicos como Monstros SA e Up: Altas Aventuras e o segundo diretor de arte de alguns longas da Pixar) não chega nem perto de emocionar (como ps primeiros minutos de Wall-E ou Up conseguiam) ou de causar reação maior que sono no espectador médio. Claro que com muito boa vontade os pais acharão graça nas emoções pintadas como seres coloridos e temperamentais e ainda se identificarão com as piadas decorrentes das emoções dos pais de Riley, mas alguns momentos de graça não compensam um filme que parece que não engata e segue arrastado por todo seu percurso. Afinal de contas que pai quer ver reproduzido na tela do cinema como seu filho adolescente vai se comportar (ou já se comportou), ainda mais usando bichinhos coloridos como desculpa? É complicado.

Divertida Mente perde seu público logo no início com personagens e piadas infantis demais para os adultos e subtextos complicados demais para as crianças. Não fica nem lá nem cá. Em determinado momento você se pergunta se os personagens não estão ali só para vender brinquedo (bingo!)… É pena, mas depois de tanta expectativa pelo filme parece que a Disney-Pixar perdeu a mão desta vez. Só nos resta esperar pelos próximos lançamentos. Quem sabe com mais tempo o filme ganhe mais força, quem sabe numa segunda assistida pareça mais interessante. Não parece ser o caso, mas enfim, quem sabe era minha alegria que tinha tirado uma folga durante a sessão, né?

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