25 anos sem Cazuza: 25 motivos para relembrar o ídolo de uma geração

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Há exatos 25 anos, em 7 de julho de 1990, silenciava um dos artistas mais emblemáticos do rock brasileiro. Com língua presa e poesias cortantes, das letras românticas ao achincalhamento da burguesia, Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza, cantou temas tabus e reclamou direitos aos marginalizados – ele próprio, apesar de filho de classe média, era bissexual e morreu de Aids, aos 32 anos. Expôs a própria vida. Exagerou. Cravou o nome na história da musicografia brasileira. Neste aniversário, lembramos 25 razões por que não esquecê-lo.

1. CD de inéditas
Será lançado disco com letras de Cazuza, musicadas por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rogério Flausino, Baby do Brasil, Seu Jorge e Bebel Gilberto, amiga de infância dele. Ele deixou 65 letras inéditas.

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Bebel Gilberto e Cazuza, amigos de infância e parceiros musicais. À direito, com a atriz Sílvia Buarque, filha Chico Buarque e Marieta Severo (que interpretou sua mãe no longa Cazuza – O Tempo Não Para, de 2004).


2. Exagerado
Em apenas nove anos de carreira artística, ele compôs 190 obras e 229 fonogramas, diz o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição. Exagerado é a mais tocada (nos últimos cinco anos), seguida por Bete Balanço e Malandragem.

3. Instituição
Criada por Lucinha Araújo três meses após a morte do filho – e, portanto, às vésperas de completar 25 anos -, a Sociedade Viva Cazuza fornece medicamentos, exames e assistência a portadores de HIV. São atendidos 140 pacientes.

4. Exposição
Sediada no bairro Laranjeiras, a Viva Cazuza tem uma mostra permanente, com os discos de ouro recebidos por ele, instrumentos musicais e objetos pessoais, como uma máquina de escrever, presente da avó materna.

5. Resgate
Só as mães são felizes (1997), de Lucinha Araújo em parceria com a jornalista Regina Echeverria, com mais de 100 mil exemplares vendidos e esgotado, será reeditado e ampliado neste ano.

6. Livros
A dupla fez Eu preciso dizer que te amo (Globo, esgotado), com letras e poesias, inclusive inéditas. O tempo não para: Viva Cazuza (Globo, R$ 39,90), da mãe, tem depoimentos de Ney Matogrosso, com quem ele namorou, Sandra de Sá e Frejat. Ambos devem ser relançados.

Com a mãe, Lucinha Araújo, parceira até o fim da vida.
Com a mãe, Lucinha Araújo, parceira até o fim da vida.

7. Política
O teor político de algumas letras, como Ideologia e Burguesia, reforça a atualidade das composições. Brasil, com George Israel, do Kid Abelha e vencedora do Prêmio Sharp em 1988, foi eleito como um dos hinos dos protestos de junho de 2013.

8. Romantismo
Poesias de amor rasgado são marcantes no cancioneiro do compositor carioca. Além da apaixonadíssima Exagerado, destacam-se Preciso dizer que te amo, Todo o amor que houver nessa vida e O nosso amor a gente inventa.

9. Diálogo
Essencialmente roqueiro, dialogou com outros gêneros, como bossa nova (Faz parte do meu show é um exemplo), samba (era fã de Lupicínio Rodrigues e Cartola) e MPB (Caetano Veloso foi um dos primeiros a cantar Todo amor que houver nessa vida).

10. Digitalização
Em fase de captação de recursos, um projeto orçado em R$ 660 mil deve viabilizar a catalogação, digitalização e o acondicionamento de mais de 10 mil itens. A previsão é que seja disponibilizado online no segundo semestre de 2016.

11. Regravações
Codinome beija-for é campeã de versões, com 65. Depois, vêm Brasil (56), Pro dia nascer feliz (53), Exagerado (51), que ganhou recentemente um novo clipe, e Bete balanço (49). Para comparar: Garota de Ipanema, a recordista do país, tem 240 gravações.

Diálogo com a MPB: Ney Matogrosso, Gal Costa e Caetano Veloso cantaram músicas de CazuzaDiálogo com a MPB: Ney Matogrosso, Gal Costa e Caetano Veloso cantaram músicas de Cazuza
Diálogo com a MPB: Ney Matogrosso, Gal Costa e Caetano Veloso cantaram músicas de CazuzaDiálogo com a MPB: Ney Matogrosso, Gal Costa e Caetano Veloso cantaram músicas de Cazuza

12. Vozes

Composições dele foram regravadas por centenas de artistas, como Gal Costa (Brasil), Cássia Eller (Malandragem), escrita para Ângela Ro Ro, que a deixou na gaveta por anos, e Adriana Calcanhotto (Mais feliz).

13. Filme
Protagonizado por Daniel Oliveira e com direção de Sandra Werneck e Walter Carvalho, Cazuza: O tempo não para mostra a trajetória artística e os dramas pessoais.

14. Musical
Visto por mais de 200 mil pessoas, Cazuza: Pro dia nascer feliz, com direção de João Fonseca e texto de Aloisio de Abreu, é protagonizado por Emílio Dantas. O roteiro mostra a vida dele, embalado pelas canções. No Recife, foi encenado em junho.

15. Barão
Com Frejat, Guto Goffi, Maurício Barros e Dé, formou das bandas mais influentes da década de ouro do rock brasileiro, junto com Titãs, Paralamas e Legião Urbana. Maior abandonado e Bete balanço foram hits.

16. Rock in Rio
“Que o dia nasça lindo pra todo mundo amanhã. Com um Brasil novo, com a rapaziada esperta”, disse Cazuza. Era 15 de janeiro, show do Barão Vermelho no primeiro Rock in Rio (virou CD e DVD).

Aos 23 anos, Cazuza começou a carreira de cantor, como vocalista da banda Barão Vermelho, um dos ícones do rock dos anos 1980.
Aos 23 anos, Cazuza começou a carreira de cantor, como vocalista da banda Barão Vermelho, um dos ícones do rock dos anos 1980.

17. Libertário
“Tudo aquilo contra o que ele lutou está voltando”, acredita Lucinha Araújo, sobre a onda de preconceito e desigualdades – tão presentes no Brasil atual – que ele criticou em Blues da piedade, Brasil e Um trem para as estrelas.

18. Discografia
Apesar da importância, os cinco discos lançados em vida – Exagerado (1985), Só se for a dois (1987), Ideologia (1988), que vendeu 2 milhões de cópias, O tempo não para (1988) e Burguesia (1989) – e os dois póstumos – Por aí (1991) e O poeta está vivo (2005) – estão esgotados.

19. Tributo
A solução é se “contentar” com o tributo Agenor: Canções de Cazuza (Tratore, R$ 20), com participações de cantores da nova geração, como os pernambucanos Mombojó (na faixa Vem comigo) e Catarina Dee Jah (Largado no mundo).

20. Igualdade
Ainda necessária, a discussão sobre respeito à comunidade LGBT foi tema de várias canções de Cazuza, bissexual assumido, desde Por que a gente é assim (1984), do Barão. Só as mães são felizes, Guerra civil a O tempo não para.

21. Aids
Cazuza foi um dos primeiros artistas a assumir publicamente ter Aids, em 1989. “Ele pediu para o Brasil mostrar a cara, como ele não ia mostrar a dele?”, diz a mãe. Renato Russo, por exemplo, nunca assumiu.

Em decorrência da doença, Cazuza morreu com menos de 40 quilos.
Em decorrência da doença, Cazuza morreu com menos de 40 quilos.

22. Trilhas

Composições dele estão nos filmes Bete balanço (1984), de Lael Rodrigues (nome da canção que titulou um compacto do Barão e foi incluída no LP Maior abandonado), e Um trem para as estrelas (1987), de Cacá Diegues. Ele atuou em ambos.

23. Clipes
A MTV – e a popularização dos  videoclipes – chegou ao Brasil em 1990, ano em que morreu. Apesar disso, ele deixou como legado Ideologia, considerado um clássico, além de O tempo não para e Exagerado.

24. Persistência
Doente, não esmoreceu. Gravou Burguesia na cadeira de rodas, assim como foi ao Prêmio Sharp, em abril de 1989. Na noite, Marília Pêra leu manifesto contra a capa da Veja (Uma vítima da Aids agoniza em praça pública), que o fez passar mal.

25. O Adeus
Cazuza morreu em 7 de julho de 1990 em decorrência de complicações causadas pelo vírus da AIDS. Mesmo com diversas internações em hospitais do Brasil e dos Estados Unidos, o músico morreu apenas três anos depois de se descobrir portador da doença.

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