#listadefilmes – 10 clássicos da literatura em releituras modernas no cinema

É mais fácil assistir um filme “bobinho” que ler um grande clássico da literatura né? Pois é. Por isso mesmo, diversas obras foram “mastigadas” e transformadas em filmes com cara de teen, com cara de comédia romântica, para agradara o grande público e, meio sem querer querendo, dar um pouco de literatura clássica ao povo.

Com a estreia de A Floresta Que Se Move, nos cinemas, resolvemos adaptar uma lista de releituras modernas de clássicos da literatura. A Floresta… é uma adaptação moderna de Macbeth, de William Shakespeare, que conta com Ana Paula Arósio, Gabriel Braga Nunes e Ângelo Antônio.

Shakespeare, aliás, deve ser sempre o mais adaptado, mas na lista ainda tem Chordelo de Laclos, Jane Austen, Machado de Assis e Dostoiévski. Olha só uma lista com dez releituras de clássicos da literatura para o cinema:

1. Filme: “Ela É o Cara” (Andy Fickman, 2006)
Obra original: Noite de Reis, William Shakespeare

Quando Sebastian vai passar uma temporada em Londres, sua irmã gêmea Viola aproveita para se vestir como o irmão e substitui-lo na nova escola. Tudo para conseguir realizar o sonho de jogar futebol entre os homens. Na história original de Shakespeare, Viola perde contato com seu irmão Sebastian em um naufrágio e se finge de homem para conseguir ajuda em Ilíria. O duque Orsino pede sua ajuda para se declarar para Olivia, sua amada. Mas dá tudo errado. Olivia se apaixona por Viola (que está vestida de homem) e Viola se apaixona pelo duque. Convenhamos: a adaptação para o universo adolescente é bem apropriada.

2. Filme: “A Mentira” (Will Gluck, 2010)
Obra original: A Letra Escarlate, Nathaniel Hawthorne

O filme estrelado pela queridinha Emma Stone não só se inspirou em “A Letra Escarlate” para criar o enredo, como inseriu a obra de Nathaniel Hawthorne na trama: o livro é leitura obrigatória na escola de Olive Penderghast, interpretada por Emma. Assim como Hester – a personagem central do livro –, Olive é humilhada e acusada de ser… bem, liberal demais.

3. Filme: “10 Coisas que Eu Odeio em Você” (Gil Junger, 1999)
Obra original: A Megera Domada, William Shakespeare

Assim como Kat, as adolescentes dos anos 1990 não conseguem resistir ao jeitinho rebelde de Patrick, personagem que elevou Heath Ledger à categoria “amor platônico” de muita gente. Agora, toda vez que você assistir ao filme, pode dizer que está vendo uma livre interpretação da obra “A Megera Domada”, de William Shakespeare. A adaptação é até bem fiel: no original, Bianca está apaixonada, mas precisa esperar sua temperamental irmã mais velha se casar. E, claro, Catarina não está disposta a se envolver com ninguém. Até que Petrúquio, um nobre falido, decide aceitar o desafio de conquistar a moça durona. Soou familiar? A obra também inspirou a novela “O Cravo e a Rosa” (2000), da Rede Globo.

4. Filme: “As Patricinhas de Beverly Hills” (Amy Heckerling, 1995)
Obra original: Emma, Jane Austen

Por essa você não esperava. Acredite, “As Patricinhas” saíram direto das páginas de Jane Austen para as badaladas ruas de Beverly Hills. Ok, para transformar um clássico da literatura feminina em um ícone da cultura norte-americana dos anos 1990, a obra passou por uma adaptação completa. Mas a matéria prima é a mesma: a jovem Cher/Emma é uma moça rica, que adora formar casais entre seus amigos. A associação entre as obras é clara. Vários nomes de personagens de Jane Austen são usados no filme teen.

5. Filme: “Segundas Intenções” (Roger Kumble, 1999)
Obra original: Ligações Perigosas, Pierre Choderlos de Laclos

Sarah Michelle Gellar – a Buffy – estrela esta adaptação ao lado de Reese Witherspoon, Selma Blair e Ryan Phillippe. A trama do filme circula em torno de dois irmãos “postiços” que se divertem manipulando pessoas e brincando com seus sentimentos – no livro, é um casal de ex-amantes que esquenta a sociedade francesa. Para resgatar a polêmica que a trama causou no século 18, o filme não economizou nas cenas provocantes.

6. Filme: “Jogo de Intrigas” (Tim Blake Nelson, 2001)
Obra original: Othello, William Shakespeare

A história do “mouro de Veneza” foi adaptada para os tempos atuais, transformando o mouro num astro do basquete adolescente. As intrigas, o perverso Iago (o maior vilão da literatura) se transforma em Hugo, melhor amigo de Odin (Othello) e de sua namorada Desi (Desdêmona) na história que, dentro do universo high school repete a trama de Shakespeare.

7. Filme: “Ela É Demais” (Robert Iscove, 1999)
Obra original: Pigmaleão, George Bernard Shaw

Houve um tempo em que o galã definitivo de filmes teen era o ator Freddie Prinze Jr. E este filme teve uma parte da culpa. A história é bem simples: Zack, um atleta popular, aposta com amigos que conseguiria transformar Laney – a nerd da escola – em uma gata. Claro que ele acaba caindo na própria brincadeira. Tipo o que aconteceu com Henry Higgins, o protagonista de “Pigmaleão”. A peça também inspirou o filme “My Fair Lady”, com Audrey Hepburn*.

8. Filme: Romeu + Julieta (Baz Luhrmann, 1996)
Obra original: Romeu e Julieta, William Shakespeare

Essa é a adaptação mais literal desta lista. Mesmo assim, houve liberdade: o amor impossível entre Romeu e Julieta foi transposto para um subúrbio italiano nos anos 1990, com direito a gangues de ruas, armas de fogo e drogas. Tudo isso mantendo os diálogos originais do livro, que já caíram na boca do povo. É claro que Leonardo Di Caprio no papel principal ajudou a arrastar gente para o cinema.

9. Nina (Heitor Dhalia, 2004)
Obra original: Crime e Castigo, Fiódor Dostoievski

A história da jovem Nina que mora com uma senhora decrépita e mal humorada é inspirada no clássico russo de pesar e arrependimento. Quando Nina mata a dona do apartamento onde mora, num acesso de raiva depois de tanto ser maltratada, entra numa espiral de auto-condenação diga de qualquer tragédia. Mesmo que seja mais palatável que o livro, mesmo assim o longa brasileiro não agrada qualquer tipo de público.

10. Dom (Moacyr Góes, 2003)
Obra original: Dom Casmurro, Machado de Assis

Bento é um homem cujos pais, apreciadores de Machado de Assis, resolveram batizá-lo com este nome em homenagem ao personagem homônimo do livro Dom Casmurro. Tantas vezes foi justificada a razão da homenagem que Bento cresceu com a ideia fixa de que seria o próprio personagem e destinado a viver, exatamente, aquela história. Até chamava sua amiga de infância no Rio de Janeiro, Ana, de Capitu. Seus amigos, conhecedores do seu sentimento de predestinação, lhe apelidaram de Dom. Bento e Ana separaram-se quando a família do menino mudou-se para São Paulo. Já adulto, Bento reencontra Miguel, um amigo que Bento conheceu antes de Miguel desistir da faculdade Engenharia. Miguel está em São Paulo para procurar modelos para um clipe de uma Banda de Rock, que sua empresa está produzindo, e leva Bento para o estúdio, com o pretexto de conhecê-la, mas na verdade é para aproximá-lo de sua assistente. É lá que “Dom” acidentalmente reencontra a sua Capitu e dali renasce o romance da infância, só que, agora, avassalador.

*** Bônus

Alice (Karim Aïnouz e Sérgio Machado, 2008)
Obra original: Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll

Na série transmitida pela HBO, Alice é uma jovem de Palmas, no Tocantins, que após a morte do pai precisa ir para São Paulo resolver as coisas de sua herança. A personagem então se envolve em um mundo antes desconhecido para ela, de drogas, sexo, música eletrônica e com tudo o que a vida em uma grande metrópole traz junto. Os episódios têm nomes como “Pela toca do coelho”, “O Lado Escuro do Espelho” e “Wonderland”. Com Andréia Horta e Juliano Cazarré no elenco (hoje ambos contratados da Rede Globo), Alice é uma série excelente, que nunca chegou a ser lançada em home vídeo no Brasil.

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