Silva vem mais sensual e soul em ‘Júpiter’, terceiro disco da carreira

Sim, é indiscutível que Silva é o que de melhor aconteceu na música pop brasileira nos últimos 10 anos (pelo menos). Depois do fim do Gram, do sumiço do Irreversíveis e com o estabelecimento do Ludov, Silva conquista seu espaço. Sua sonoridade simples e ainda assim extremamente bem trabalhada e remetendo aos anos 80, suas letras românticas e seu timbre de voz suave agradam os ouvidos e demonstram uma originalidade ímpar na mesmice da música pop do Brasil.

jupiter-silva

Depois de dois discos incríveis (“Claridão”, de 2012 e “Vista Pro Mar”, de 2014), o artista volta com novo álbum depois de um EP com participação de Lulu Santos e Don L. “Júpiter” chega hoje com exclusividade ao Spotify. Uma semana depois chega às demais plataformas digitais e ainda neste mês às lojas físicas.

Em uma carta escrita logo após finalizar o disco “Júpiter”, o capixaba comenta sobre seu processo de criação: “Júpiter é o maior planeta do sistema solar. (…) Nesse álbum Júpiter representa apenas uma alegoria. Não é um lugar físico exatamente, mas uma forma de ver o mundo”.

E é justamente assim que o ouvinte se sente. Quando os primeiros acordes da faixa-título começam (primeira do álbum), já fica clara a evolução de Silva ante seus discos anteriores. Cada vez mais, com detalhes, vamos percebendo um crescente nas músicas. De A VisitaMoletom (faixas do disco de 2012) para Eu Sempre Quis (primeiro single de “Júpiter”) foi um caminho e tanto. Ouvir seus discos em ordem cronológica é como segui um trilho na imaginação do artista. É nítida a preocupação cada vez maior com a sonoridade e as letras, que passam de românticas no início para mais críticas e sensuais no novo disco. Mas sem perder a característica suave e romântica e sem abraçar letras panfletárias (ainda bem).

É inevitável a comparação e impossível não pensar que Silva é o sucessor natural de Guilherme Arantes. Principalmente depois da regravação de Marina no Ar para o álbum “Nelson 70” em homenagem a Nelson Motta. E por falar em Marina, este também é o título de uma das canções de “Júpiter”, regravação de um dos maiores sucessos de Emílio Santiago.

Depois de gravar com nomes como Fernanda Takai e Lulu Santos, Silva abraça cada vez mais sua sensualidade. “Júpiter” vem mais soul, mais r&b, lembrando um pouco o finado charme que tentou vingar no Brasil e não conseguiu, inspirado no funk americano. Suas faixas são dançantes e ainda assim suaves, daquelas de ouvir com um sorriso na cara ou de dançar abraçadinho. Impossível ouvir uma vez só.

Ouça “Júpiter” no Spotify:

Um comentário em “Silva vem mais sensual e soul em ‘Júpiter’, terceiro disco da carreira

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  1. Sua análise traduziu tudo o que penso sobre Silva. Ele tem sido um ponto de luz nessa escuridão que está se tornando a MPB. Já sei o que vou dar de presente de natal.

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