Resenha do site: Deadpool

deadpoolNão é certeza, mas é muito provável que Deadpool seja o filme de super-herói com mais linhas de diálogo da história. Diálogo não exatamente. Monólogo. Wade Wilson/Deadpool fala o tempo todo, não há um segundo de filme em que ele não esteja soltando piadinhas. Mesmo quando outro personagem está falando, ele fala junto, em cima, corta, interrompe.

Deadpool, o filme, é assim: um adolescente hiperativo que ouviu da mãe quando era criança que era engraçado e cresceu acreditando nisso. Mas em algum momento antes da puberdade a graça desapareceu e a criança agora se esforça para fazer rir.

Rápido, ágil, com a cena de abertura mais espetacular que você verá este ano no cinema muito provavelmente, uma trilha sonora inesperada e muito, mas muito palavrão, o filme do diretor Tim Miller (sua estreia no cinema) ficou famoso antes mesmo da estreia, em seus vídeos na internet. Ao mostrar um herói politicamente incorreto, chegado em um palavrão e piadinhas de sexo, que gosta de tirar sarro da cara dos outros e que tem na verborragia sua maior característica, os trailers e teasers deixavam claro o tom do longa.

Deadpool foi apresentado ao público do cinema em X-Men Origens: Wolverine, mas isso é ignorado em seu filme solo e sua história é recontada. Wade Wilson (Ryan Reynolds) é um cara que “faz o trabalho sujo” de quem não tem força ou coragem em troca de dinheiro. Quando descobre que tem câncer em estado terminal, aceita a proposta de um estranho para ser curado e ganhar super-habilidades. O filme vai e volta no tempo contando a origem do personagem enquanto também o coloca no meio da ação num ritmo frenético que dá pouco espaço para respirar. É comum que em filmes de super-heróis eles vivam em seu próprio universo que ao mesmo tempo que é o nosso, também não é. Vingadores e Batman, por exemplo, são assim: vivem em um mundo próprio, onde existem pessoas como nós mas não as coisas que conhecemos. Deadpool faz diferente, e nisso ganha muitos pontos. Os personagens conhecem filmes de Leam Neeson (e brincam com isso), ouvem Wham!, fazem piadas com Sinead O’Connor, Alien e X-Men (em algumas das melhores do filme) e inclusive consigo mesmo dentro do universo de X-Men. É de se perguntar, aliás, se o público-alvo do filme conhece coisas como Sinead O’Connor ou Careless Whispers.

Mas infelizmente, Deadpool é um daqueles filmes que não é ruim, mas também não é bom, fica num limbo sem categoria entre a comédia e o filme de herói (ou de ação, já que ele não propriamente um herói). Não fosse Ryan Reynolds um ator tão hábil, seu personagem seria ainda mais irritante. Por mais que de sua boca saiam palavrões de nível intraduzível, quando a gente menos espera está simpatizando com o personagem. A tão falada quarta parede é quebrada de diferentes formas. Até mesmo as desnecessárias, já que ele parece não conseguir parar de falar. A brasileira Morena Baccarin em seu primeiro papel no cinema não decepciona. E como Wade mesmo diz em sua apresentação: o filme tem tudo que se espera de um filme do gênero: um herói, uma mocinha, um vilão britânico, uma criatura digital e uma adolescente nervosa.

Se em algum lugar dentro de você vive um adolescente que gostava de Beavis and Butt Head e que se diverte com piadas escatológicas você vai gostar de Deadpool. Ou se você é daqueles que consegue aguentar 10 piadas ruins pra apreciar uma realmente engraçada, e entender uma piada com uma música de 25 anos atrás ou nomes de atores em outros filmes também. Não espere humor inteligente e nem um vilão megalomaníaco que quer dominar o mundo como de costume. Wade Wilson luta em causa própria e faz piadas de bar. Mas em alguns momentos consegue ser acima da média, em tiradas que seu público alvo provavelmente não entenderá.

Entre bons e maus momentos, Deadpool rende algumas boas risadas e cenas de ação, mas a classificação etária do Brasil fala muito sobre a intenção do filme e seu público alvo: 16 anos. Então espere uma coisa que fica ali entre Adam Sandler e Hugh Grant, mas sem a imbecilidade gritante do primeiro ou o charme inglês do segundo.

Ah, e se você gosta de Curtindo a Vida Adoidado, pode ver motivo para ficar até o final dos créditos…

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