Resenha do site – A Bruxa

a bruxaNova Inglaterra. Década de 1630. Uma família é expulsa de uma comunidade e parte sozinha em busca de um novo lar. O pai, a mãe e cinco filhos se estabelecem em um pequeno casebre próximo a uma floresta onde pretendem criar uma fazenda. Com alguns poucos animais, a família enfrenta as dificuldades enquanto permanece com medo. Medo de que?

Na floresta, dizem, existe uma bruxa. As crianças não são autorizadas a entrar ali sozinhas e a sensação que se tem é que a floresta espreita o tempo todo a vida daquela família. Mas o medo não é só esse.

Na época a religiosidade era presença forte na vida das pessoas, então o medo de Deus era ainda maior que o medo de bruxarias e possessões. Se a colheita fracassou, se um animal morreu ou se um filho adoeceu é tudo uma punição divina por algo que se fez. Este é o real medo: de ser punido por um ser superior por um pecado que talvez nem se saiba ter cometido.

Neste universo de medo constante, o filho mais novo, ainda bebê, desaparece durante uma brincadeira com a irmã mais velha. Foi a bruxa da floresta ou foi apenas um lobo faminto? Existe realmente uma bruxa ali? Por que ela levou a criança?

O medo vai crescendo e as perguntas vão aumentando conforme outros acontecimentos vão aterrorizando aquela família, até o ponto em que o terror toma conta de todos e a tragédia é desencadeada de forma irreversível.

Citado como um dos filmes mais aterrorizantes do ano, A Bruxa tem um início promissor: a família mostrada de costas, a não-explicação, os longos takes da floresta que realmente dão a impressão de que todos estão sendo vigiados por ela, os escuros permeados apenas pelas chamas de velas, os longos silêncios que chegam a pulsar de tensão. Mas mais ou menos com meia hora de filme todos estes elementos já foram mostrados à exaustão, indo do suspense e do terror para a repetição e o cansaço.

Claramente bebendo de fontes como A Bruxa de Blair e filmes de Alfred Hitchcock, A Bruxa se pretende um filme que mais sugere que realmente mostra. O que consegue até certo ponto. Como saber se o que acontece é real ou mera sugestão?

Até o ápice, a sensação do espectador vai passar de medo e ansiedade para sono, cena após cena da floresta, silêncio após silêncio, bruxulear de vela, um após o outro, são repetidos tantas vezes que quando o filme chega em seu final o medo real é de não conseguir se manter acordado. E diga-se de passagem: tudo o que o filme apenas sugeria vai por água abaixo numa conclusão desnecessariamente explícita.

Vá, assista, mas não espere grandes sustos ou ficar com medo e nem se iluda com o trailer. A grande mensagem de A Bruxa é: o medo pode estar dentro de nós mesmos, o terror também. Ou não.

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