Por que ‘Supergirl’ é muito mais que um seriado de super-herói?

Existem duas “modinhas” entre os seriados no momento: adaptações de filmes transformados em séries e os de super-heróis. Marvel e DC brigam entre si para ver quem entrega o melhor na última categoria, quem tem mais audiência.

supergirl

Não foi sem relutância então que começamos a assistir Supergirl, um dos mais recentes a serem produzidos. Mas, depois de Daredevil, Jessica Jones, Agents of SHIELDFlash, Arrow e até mesmo GothamAgente Carter – que estão mais para o policial noir com suas cenas esfumaçadas e suas femme fatales, que pro seriado de super-herói -, era justificável o temor.

Mas então o que faz de Supergirl diferente dos outros? Sim, ele é cheio de voos, raios laser saindo dos olhos e sopros de gelo. Um salvamento de avião aqui, outro salvamento de ônibus escolar ali… sim, isso tudo é mais do mesmo. Mas então?

É quando Supergil é Kara Denvers que o seriado brilha e faz toda a diferença.

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Um texto ágil e inteligente, relações humanas mais críveis que as de novela das 21h e interpretações mais do que satisfatórias fazem dele algo fora do comum. Não é quando Supergirl está enfrentando o vilão megalomaníaco da semana e tentando salvar o mundo (ou ao menos National City) que torcemos por ela. É quando Kara está em um embate intelectual com sua chefe ou indecisa entre os dois homens que acha estar apaixonada que ficamos ao seu lado.

Supergirl é assim: um pouco O Diabo Veste Prada, um pouco uma comédia romântica. Quando Kara (Melissa Benoist) bate de frente com sua chefe controladora (Calista Flockhart, sensacional) que lembra muito a Miranda Priesley de Meryl Streep em O Diabo Veste Prada que ficamos do seu lado. E rimos das tiradas da chefe e da falta de jeito de Kara. Quando Winn (Jeremy Jordan) e James (Mehcad Brooks) disputam a atenção da mocinha que nós achamos graça no fato na mocinha nerd e sem jeito ter conquistado os corações dos dois rapazes tão diferentes entre si. Neste momento ele lembra uma (boa) comédia romântica).

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Entre dois amores: Kara entre Winn e James

É quando Kara e a irmã adotiva Alex (Chyler Leigh) têm seus poucos  instantes juntas, ou suas discussões, que nos identificamos nos momentos familiares mais íntimos. As relações humanas são a base de Supergirl. Mesmo ela sendo uma alienígena.

Não são os planos mirabolantes, as investigações ou mesmo as explicações (quase sempre estapafúrdias) que nos conquistam. São os momentos em que Kara deixa de ser uma heroína e passa a ser como nós: tímida, insegura, às vezes confiante, mas quase sempre relutante. Será que ela conseguirá ser uma pessoa comum? Será que ela conseguirá o que almeja? Será que nós conseguiremos?

cat grant

“Me traga uma salada para o almoço. Não me importa que salada seja, contanto que tenha um cheeseburger em cima.”

Claro, que no fim das contas, o que interessa mesmo são os feitos heroicos. A heroína de minissaia e roupa colada enfrentando inimigos. O discurso politizado e feminista está lá, nem um pouco disfarçado no meio de frases como “se eu fosse homem não precisaria dar explicações” ou “não posso demonstrar raiva porque sou mulher, se fosse homem poderia jogar uma cadeira da janela que ninguém diria nada”. E é tudo verdade.

Quando nos pegamos rindo, nos emocionando e torcendo para que Kara, e não Supergirl, consiga o que quer é que percebemos como o seriado vai muito além de qualquer outro. É nesse momento que percebemos que, ao contrário de todos os outros, Supergirl não é sobre um super-herói. É sobre uma pessoa comum que, por acaso, tem superpoderes. Mas que ainda assim, é alguém como nós.

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