Damien – Primeiras impressões

Mexer com um clássicos nunca é simples. Remakes, sequências tardias, adaptações… são sempre complicadas.

Algumas vezes funcionam, mas nem sempre. Nos dois casos vários exemplos podem ser citados: a sequência de Mad Max mais de 35 anos depois do filme original foi um grande acerto. Já a nova adaptação de Ben-Hur parece que não vai chegar na sandália do clássico de 1959. A sequência de O Mágico de OzOz: Mágico e Poderoso, quase 75 anos depois do original também não fez feio, mas a refilmagem de Planeta dos Macacos foi fiasco de público e crítica.

Talvez hoje um bom exemplo de sucesso neste caso seja Bates Motel. A adaptação do clássico de Alfred Hitchcock em formato de série contando a juventude de Norman Bates é excelente. Atores espetaculares, roteiro enxuto e tenso, trama densa e o visível enlouquecimento do protagonista levam o espectador pra dentro do universo de Psicose e já garantiram quatro temporadas do seriado para o canal A&E.

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Nada mais natural então que o mesmo canal tentasse de novo. Seguindo a linha do filme anterior (clássico-remake-seriado adaptação), chegou a vez de A Profecia ganhar o formato de episódios. O filme de 1976, refilmado com sucesso em 2006, estreou no canal americano na semana passada sem muito alarde.

Na trama, Damien Thorn é um jovem fotógrafo jornalístico que acaba de completar 30 anos e não se lembra dos acontecimentos de seu passado, envolvendo mortes e mistérios. Ao entrar em contato com uma estranha na Síria, Damien passa a ter flashes de memória e acaba descobrindo que é o enviado do anticristo.

Tanto o filme de 1976 e 2006 são excelentes. A trama tensa, ótimos atores e o clima de suspense mantido durante todo o longa contribuem para a criação de um dos maiores filmes de terror de todos os tempos. Utilizar este protagonista então para um seriado que desenvolva sua história é uma ótima ideia.

O personagem criado por David Seltzer (que assina também o roteiro dos dois primeiros episódios) é um dos mais aterrorizantes do cinema e explorar suas diversas facetas é um universo sem fim. Uma pena que o A&E não tenha conseguido reproduzir a qualidade de Bates Motel.

Existe o suspense, flashbacks do filme original ajudam a situar o espectador, mas o maior problema de Damien é seu protagonista. Ao escalar um ator “bonito” mas sem talento algum para o papel-título da série, o canal mata seu produto. De nada adianta ser interessante, ter um bom clima que remeta ao filme, um suspense crescente, se o ator que dá nome ao programa não se sustenta. Bradley James, que vem de iZombie Merlin, se limita a caretas e bufadas, parecendo mais perdido que os mortos que vão despencando ao seu redor.

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Para quem é fã do filme, fica a sensação de uma boa ideia desperdiçada. Depois de podermos nos deliciar com a espiral de loucura de Norman Bates, pensamos que poderíamos testemunhar o mesmo com Damien Thorn, mas infelizmente não é o que acontece. Bradley James não tem nem parte do talento de Freddie Highmore (que interpreta Norman) e, infelizmente, isso conta muito num seriado inteiramente calcado no personagem principal.

Resta saber se haverá algum desenvolvimento de ator e personagem durante os dez episódios da trama. Mas por enquanto, a perspectiva não é muito boa…

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