#comentáriosliterários – Mil Pedaços de Você, de Claudia Gray

capa mil pedaços de voceÉ incrível o talento que alguns escritores têm de partir de uma premissa extremamente interessante e esperta e descambar pro clichê, pro lugar comum e pro mela-cueca.

Mil Pedaços de Você, de Claudia Grey é assim. Sua protagonista, Margerite, é uma jovem que pretende um dia ser uma grande pintora. Enquanto estuda, vive com os pais. Ambos são físicos e conseguem inventar um artefato que permite ao usuário viajar entre as diferentes dimensões.

Sabe quando você decide por esta blusa ao invés daquela, ou vira pra esquerda ao invés de virar pra direita. Ou quando você pensa ‘e se eu não tivesse me atrasado?’, ou ‘e se eu tivesse faltado ao trabalho justo naquele dia?’. Então. Pela teoria do livro, cada uma das nossas decisões gera uma nova dimensão, onde tomamos a decisão diferente. No caso dos exemplos citados, dimensões onde você não se atrasou, faltou ao trabalho naquele dia e virou pra direita ao invés da esquerda. Assim como você, todo o universo tomou decisões diferentes e isso gerou dimensões totalmente diferentes da nossa, transformando você em outra pessoa em outra realidade.

Mas eis que um dia o pai de Margerite é assassinado e ela toma o artefato dos pais e parte, com ajuda de um dos pupilos do casal, para outras dimensões perseguindo o assassino.

Neste imbróglio de dimensões ela vai conhecer diferentes versões de si mesma, em diferentes vidas, e vai descobrir a verdade que envolve a morte do pai. Tudo parece interessante, dinâmico e bacana né? Pois então, a autora consegue estragar tudo colocando em primeiro plano… uma paixonite.

Sim. Sem a menor necessidade, o que poderia ser um interessante livro de aventura e mistérios “futuristas”, Mil Pedaços de Você vira um romance meloso e cheio frases prontas, de “ombros largos”, “olhares tristes” e suspiros. Haja paciência para chegar até o final. Até porque o grande mistério da trama você já matou lá pela página 20. E o resultado da “indecisão” amorosa (sim, porque a protagonista muito original, só que ao contrário, ainda está entre dois amores) também não é nada surpreendente.

É pena, porque a premissa do livro é bastante interessante. Mas ao escrever pra agradar somente leitores que gostaram de A Culpa É Das Estrelas ou Crepúsculo, Claudia Grey consegue desagradar todos os outros e entregar apenas mais um genérico. Ah, e claro que é uma trilogia.

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