Resenha do site – Ben-Hur

poster-ben-hur.jpgSe você é daqueles  que adora o discurso de que “Um filme como Ben-Hur não precisa de remake“, etc etc e etc, pode parar de ler aqui mesmo. Se você acredita que as novas gerações, acostumadas com Vingadores, Transformers e Velozes e Furiosos realmente irão se prontificar a assistir a um filme mais velho que seus pais, você não precisa ler este texto.

Mas, se por outro lado, você acredita que uma mesma história possa sim ser contada diversas vezes e carregar consigo novas visões, muito bem. Você faz parte do nosso time.

O novo Ben-Hur, que estreia esta semana nos cinemas, nunca se propôs a ser um clássico. Dificilmente irá ganhar algum Oscar, quem dirá os 11 que o filme de 1959 (que não foi o primeiro Ben-Hur, diga-se de passagem) levou pra casa ainda mantendo um recorde empatado com Titanic e O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei. E muito provavelmente não é isso que ele quer.

Antes de mais nada, é preciso que se diga: não estamos falando de um remake (tão em voga no cinema atual). Estamos falando de uma nova versão da história escrita por Lewis Wallace e publicada em 1808. Que, inclusive, entre a versão mais conhecida e esta que acaba de estrear, já ganhou outras duas adaptações: uma em forma de animação e uma como minissérie. Mas estamos falando aqui do filme, dirigido por Timur Bekmanbetov. O longa que padece de um mal cada vez mais comum no cinema: o de nascer carregado de pré-julgamentos.

Todo aquele pessoal que se acha cult demais para conseguir digerir um longa como Ben-Hur “refeito” nos dias de hoje, estufa o peito para gritar que o filme é desnecessário, visto a majestade da versão de 1959. Deixemos de baboseiras e de comparações. O novo filme é uma aventura como poucas vezes vista no cinema recente. Carregado de simbolismo e de emoção, é uma das mais gratas surpresas do ano.

A plateia dos dias de hoje (que pode nem saber da existência dos filmes anteriores) está mais acostumada com uma direção ágil, diálogos rápidos, cenas de ação intensas e não há discurso ufanista em favor dos clássicos que vá mudar isso em uma bilheteria de cinema. Clássicos são clássicos, devem ser visto com um outro olhar, não o de mero entretenimento. Por isso se tornaram clássicos, porque não são mero entretenimento. Tente apresentar O Mágico de Oz para uma plateia de adolescentes caçadores de Pokemon e veja a reação. Casablanca, Psicose, E O Vento Levou… são filmes que viverão para sempre na história do cinema e que podem sim ser reapresentados à novas plateias em novos formatos (que fique bem claro que o que fizeram com Psicose em 1998 não é um remake, é um arremedo de cópia, e por isso não merece créditos).

A história do judeu traído pelo irmão adotivo é emocionante, universal e atemporal. Então por que não reembalar o “clássico” em um formato que possa ser apreciado pelas novas plateias? O Judah Ben Hur de Jack Huston convence e chega até a emocionar nas cenas mais fortes. Não chega nas sandálias de Charlton Heston, mas novamente, não nos limitemos às comparações. A direção de Bekmanbetov (de filmes de ação como O ProcuradoAbraham Lincoln: Caçador de Vampiros) é certeira e, por mais que leve certo tempo pra engrenar, entrega cenas de tirar o fôlego. Sim, meus amigos, a cena da corrida de bigas continua espetacular, daquelas que você se pega na beira da poltrona roendo os dedos. Infinitamente melhor que muita batalha de super-heróis que o cinema vem nos enfiando goela abaixo atualmente e definitivamente uma das melhores cenas de ação do ano.

Deixe seu preconceito de lado e dê uma chance à esta nova versão de Ben-Hur. Você vai se surpreender e se emocionar talvez da mesma forma que seus pais se emocionaram décadas atrás. Não é crime admitir que uma história pode ser revisitada. Afinal vivemos na época dos reboots não é mesmo? Se a mesma história de um super-herói pode ser contada diversas vezes em questão de anos, por que uma história emocionante e clássica não pode ganhar uma nova versão quase sessenta anos depois? Judah Ben Hur pode não ter superpoderes, mas ainda assim é um herói.

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