Resenha do site – Nerve: Um Jogo Sem Regras

poster-nerveVocê tem a impressão de já ter visto este filme. E, de fato, se você conhece alguma coisa de cinema de suspense que não envolva seres sobrenaturais, provavelmente você já viu mesmo. Com elementos de Vidas em Jogo de David Fincher e Os 13 Pecados (que por sua vez é refilmagem de um horror tailandês chamado 13 Desafios), Nerve: Um Jogo Sem Regras é uma versão mais adolescente e mais “soft core” de todos eles juntos.

Elevando à infinita potência a fixação por conteúdo real e imediato na internet e pela fome de fama instantânea gerada por seguidores e curtidas em redes sociais, o longa coloca seu protagonistas dentro de um jogo imprevisível. Ao aceitar participar, o jogador terá que cumprir desafios durante 24h e, enquanto isso vai ganhando somas em dinheiro. Só existem duas formas de parar o jogo: desistindo ou não cumprindo um desafio em tempo. Ao pressionar “jogar”, o gamer automaticamente abre as portas de sua vida online para os organizadores do jogo. Postagens, fotos, músicas ouvidas, conta bancária. Tudo é utilizado como elemento para criar os desafios que vão ficando cada vez mais difíceis.

E a cada desafio cumprido o jogador vai ganhando seguidores, que o acompanham online e ao vivo e são estimulados a debater, sugerir desafios e filmar constantemente, transformando os melhores jogadores em, claro, celebridades instantâneas.

Quando Vee (Emma Roberts, de Pânico 4Scream Queens) aceita participar do jogo e cumpre o primeiro desafio – o de beijar um estranho, não sabe que na verdade este estranho também é um jogador: Ian (Dave Franco, de Truque de Mestre) e que ambos se tornarão uma peça única no jogo.

Se os desafios começam “inofensivos” como o de beijar um estranho ou de cantar para alguém em um restaurante, aos poucos vão ficando mais perigosos e colocando personagens uns contra os outros. E o perigo vai aumentando.

Pelo menos em tese. Apesar da excelente ideia, ainda que não exatamente original, Nerve deixa algo a desejar. Não dá pra perceber se a falha é do roteiro da estreante Jessica Sharzer adaptado do livro de Jeanne Ryan. Ou da falta de urgência e química entre Roberts e Franco, este último com interpretação sofrível. Ou ainda se á a falta de mão firme dos diretores Henry Joost e Ariel Schulman, os mesmos dos também fracos Atividade Paranormal 3 e 4. O fato é que ao final do filme ficamos com a nítida sensação que faltou alguma coisa. Um estalo, uma tensão, um perigo real e imediato.

Ao contrário dos já citados Vidas em JogoOs 13 Pecados, filmes densos, tensos e adultos, Nerve tenta vender a ideia para um público mais jovem, mais antenado com tecnologia e aficionado em redes sociais e celebridades online e acaba ficando no caminho. Outros lançamentos adolescentes recentes e menos conhecidos como Projeto Almanaque ou Infected conseguem carregar o espectador pra dentro da história de forma bem mais eficiente.

Nerve é um filme assistível. Diverte, é colorido, com trilha sonora bacana e personagens cativantes. Mas fica no caminho quando precisa criar tensão e emoção e, nesse ponto, não empolga. O casal principal deixa a desejar em talento e química e temos a impressão que a resolução fácil poderia ter vindo a qualquer momento, só não veio antes pro filme durar mais. Vale uma hora e meia no cinema, só não espere demais.

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