Revisitando o cinema dos anos 90: Priscilla – A Rainha do Deserto

Em 1994 pouca gente sabia quem eram Hugo Weaving e Guy Pearce. O primeiro se tornaria o vilão icônico da trilogia Matrix. O segundo estrelaria os excelentes Los Angeles: Cidade ProibidaAmnésia. Mas isso só aconteceu depois. Depois de ambos, ao lado de Terence Stamp, desfilarem em saltos altos e roupas extravagantes em Priscilla – A Rainha do Deserto.

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Um dos primeiros filmes a expor uma cultura totalmente segmentada (ainda mais na época) se tornou um fenômeno. Aquele pequeno filme australiano não só se tornaria histórico como faturaria números inéditos para o cinema do país. Ao lado de O Casamento de MurielPriscilla alavancou a indústria cinematográfica do país (e com isso inúmeras carreiras) e reviveu outro ícone: Abba.

A “aventura” das três drags pelo deserto australiano para apresentar um show encantou o mundo e, ao mesmo tempo, mostrou a todos que ser gay ou drag queen não era necessariamente uma coisa de outro mundo. Ou sentença de morte e sofrimento, como os filmes com ranço da década de 80 ainda pintavam. Os três amigos são bem humorados (ainda que às vezes carrancudos), extravagantes e, ao longo da viagem, irão expor as suas feridas e as dos outros, mostrando definitivamente que somos todos iguais, não importam as roupas que usemos ou quem levamos pra cama.

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Pioneiro não só em mostrar a cultura drag, que na época não era em nada parecida com o que é hoje (você jamais veria um programa como RuPaul’s Drag Race na TV, por exemplo), Priscilla também foi um dos primeiros filmes a colocar gays como pessoas comuns, iguais a todas as outras. Homens com conflitos, desejos e sonhos, possíveis e plausíveis para qualquer um. O filme conseguiu desmistificar tanto a doença como o estigma de preconceito ao redor dos homossexuais, colocando homens jovens e velhos, com filhos ou não, com talentos ou não, como três pessoas “normais”. É bem verdade que sua sexualidade não é exatamente exposta, não rola beijo ou olhares para outros homens, mas numa época que o cinema era bem mais fechado, já se trata de um avanço.

Priscilla_Queen_of_the_Desert

É bem importante que se explique aqui que um dos três (Terence Stamp) está durante o filme em processo de transformação. O personagem é um transexual que acaba por se apaixonar. Claro que como mais velho, seu conflito será justamente deixar viver uma paixão com um homem que até pouco tempo era casado com uma mulher e sequer sabia que alguém assim existia. São cidades pequenas as que o trio encontra pelo caminho, e o preconceito sempre estará presente.

Em momento algum Priscilla glamuriza as drags. Ao contrário: as pinta como pessoas fortes que, mesmo estando com um sorriso no rosto, sofrem preconceito diariamente em todos os lugares.

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Priscilla é no fim das contas um filme sobre pessoas. Pessoas com sonhos. Independente de serem gays ou drag queens, os três protagonistas são humanos. Ao confiná-los em um ônibus de viagem, deixá-los perdidos no deserto, o filme só exacerba estes personagens e suas personalidades. E cria um novo clássico absolutamente necessário em todas as listas de filmes com temática gay.

Veja como estão os atores hoje:

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Terence Stamp

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Guy Pearce

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Hugo Weaving

 

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