Liniker em Curitiba: estávamos lá!

Saias, barbas, cabelos, flores, vestidos, calças, tatuagens, tiaras… Homens de saia e mulheres com flores na cabeça. Uma pequena multidão que, aparentemente, não se veria junta de tão diversa esperava e conversava calmamente nas cadeiras da Ópera de Arame em Curitiba. Mas por quê?

Hipsters, indies, neo-hippies, gays, heteros, coxinhas, tribos das mais diversas estavam lá presentes para presenciar um fenômeno da natureza. A força vital que é Liniker.

É hoje CURITIBA!!! Liniker e os Caramelows na Ópera de Arame! À partir das 21hs!!!! 💝 💝 💝 RemontaTour

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Alguns minutos de espera e as luzes se apagam. Liniker entra no palco de vestido e bota de salto. Barba e maquiagem. Negro, magro e com uma voz de abalar as estruturas do teatro, o cantor é nada menos que uma avalanche sonora. Do fundo até a ponta do palco, dos cantos mais escuros até o spot principal, ele não para um segundo, e não permite que sua platéia pare. É com cerca de 40 minutos de show que público e artista se permitem sentar por alguns minutos. Praticamente todas as músicas de seu disco “Remonta”, que tem menos de um mês de lançamento são cantadas a plenos pulmões por uma público diverso mas que se une por um motivo: apreciar boa música.

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Não é exagero. O conceito de “festa estranha com gente esquisita” poderia caber aqui, mas assim como quem está no palco, seu público não precisa de rótulos. O “esquisito” ali é o “normal”. Mas o que é normal? Numa sociedade cada vez mais diversa, prender-se a este ou àquele grupo para se encaixar é burrice.

liniker-curitiba

A música de Liniker preenche o espaço com sua backing vocal poderosa e sua banda Os Caramelows oferecendo tudo que o cantor precisa para completar sua mise-en-scéne: guitarra, percussão, metais. Tudo ali está a serviço da voz retumbante que vai do agudo ao grave, do semi-bolero dois-pra-lá-dois-pra-cá a uma explosão de vozes e bateria ensurdecedora. Soul, funk “de raiz”, balada, letras românticas e engraçadas… tudo faz parte de seu repertório.

Com 21 anos, ele já admitiu que começou a compor aos 16. Que sofreu bullying quando resolveu usar roupas de mulher. E que usa isso para se fortalecer. Hoje transita entre o masculino e o feminino com a liberdade de quem conhece o talento que tem. De barba, vestido, salto alto e maquiagem, Liniker (que tem nome de jogador de futebol) refere-se a si mesmo no feminino. Provoca estranheza? Talvez por um segundo ou dois. Mas quem está em seu show sabe que “normal” não existe mais. Ainda bem. Afirma não saber se é “o” Liniker ou “a” Liniker e que não precisa ter certeza. Prefere ser livre. “O que eu sei é que eu sou bicha, preta, pobre e estou aí, batalhando por um povo”, disse em uma entrevista.

Sem esconder referências, suas músicas remetem a Tim Maia, Nina Simone, Cazuza e, claro, Ney Matogrosso. Liniker pode não estourar, pode não virar um fenômeno de vendas (por mais que já seja um fenômeno online) afinal não é popular. Mas seu nome com certeza já está cravado na história da música brasileira. Seja por se colocar fora dos padrões chato-normativos, seja por sua voz avassaladora, por sua presença de palco digna de alguém com décadas de carreira, ou pela sua simpatia e carinho com os fãs. O cantor abraça apertado, agradece a presença, pergunta se gostou do show. Quem agradece somos nós. São raras as vezes em que conseguimos testemunhar o nascimento de um artista completo e único. São raras as vezes que conseguimos nos encaixar num grupo tão diverso unido por uma boa causa: o talento de um cantor.

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