Conheça 5 artistas brasileiros que estão desafiando os conceitos de gênero e ainda fazendo música boa

Em 1983 Pepeu Gomes bradava “Ser um homem feminino não fere o meu lado masculino. Se Deus é menina e menino, sou masculino e femininoI”. Ney Matogrosso se apresentava em roupas extravagantes que não estavam nem para figurino masculino nem para o feminino. Fred Mercury, Renato Russo, Cazuza faziam suas músicas sem esconder de ninguém sua sexualidade.

Lá se vão 33 anos. E o mundo foi ficando cada vez mais careta. Por mais que hoje a liberdade sexual e de expressão esteja maior, maiores também estão o preconceito e a necessidade de rotular o outro.

Mas aos poucos algumas pessoas vêm fazendo a diferença. Quando Conchita Wurst venceu o Eurovision ano passado, chocou e admirou muita gente.

No Brasil, alguns artistas estão surgindo fazendo música de qualidade e questionando novamente os limites entre masculino e feminino, sem que isso envolve necessariamente sexualidade.

Vamos dar uma olhada em cinco nomes que atualmente fazem parte desta lista seleta de gente que sim, pode mudar o mundo através da música:

LINIKER: “As pessoas precisam saber que eu sou negro, pobre, gay e posso ter uma potência também. Sou um artista que se expressa assim. Então, se você está aí, se sente reprimido e tem vontade de colocar seus demônios para fora, mostrar quem você realmente é, coloque-se. Esse é um dos meus maiores desejos como artista desta geração. (…) O corpo é meu. Eu que tenho liberdade sobre ele. Se tenho minha inteireza, por que você quer colocar seu bedelho em mim? Quem é você para ditar regras que eu tenho que seguir? Cada um é cada um, cada corpo é uma história”. – Entrevista para El País.

JOHNNY HOOKER: “A música é muito machista e controlada pelo produto, por coisas que dão dinheiro. As pessoas que chegam com apresentação forte, maquiagem, brincadeira com gênero, com personagens, às vezes são recebidas com muita falta de respeito. (…) O meio da música é muito machista. Você só encontra mulheres como cantoras. É difícil encontrar em outras funções ou instrumentos. Estou muito inspirado também pelo tema, porque fui assistir a Mad Max e estou apaixonado por Furiosa. O mundo está mudando e sempre vai ter essa primeira reação de quem quer empurrar a roda da história para trás. Mas a roda vem com tudo e eu venho com ela”. – Entrevista para Diário de Pernambuco.

FILIPE CATTO: “As pessoas sempre tentaram me encaixar em um estereótipo, porque era muito difícil pra elas entenderem minha voz. Pra mim, por exemplo, o fato de não me montar era a transgressão maior, porque tudo que se esperava de mim era exatamente que eu correspondesse a uma imagem feminina nas roupas e na maquiagem pra justificar minha voz andrógina, mas sempre achei que no meu caso isso seria redundante, clichê. O mais importante quando falamos de quebrar os paradigmas do gênero é questionar esses padrões pré-concebidos. No meu caso, as pessoas precisavam desesperadamente de uma “fantasia” porque o choque de realidade era muito confuso, muito fora do padrão. O repertório era fora do padrão, as referências eram fora do padrão. Nunca me senti exatamente encaixado, mas isso me fez achar um maneira própria de viver e de me expressar. Tem, sim, que se vestir como quiser, tem que se expressar como quiser, amar quem e como quiser. Não é mais uma questão de sexualidade, mas de identidade, e quando falamos de identidade estamos falando de liberdade, de originalidade. Com a musica aprendi a me expressar na minha maior diferença, e ali descobri que essa singularidade era minha melhor arma pra enfrentar o preconceito e a ignorância”. – Entrevista para Eaí?¿.

JALOO: “Sobre o meu visual, estou desconstruindo essa mítica do ‘bom selvagem’. Atualmente estou observando esses seres da floresta, que pintam a cara e saem fazendo ‘bububú’ nas baladas. Eles estão mais plastificados, montados e amontoados que a Barbie Califórnia. Então, vendo essas coisas, eu pensei: porque não plastificar literalmente esse ‘bom selvagem’ ou ‘mau selvagem’? – Entrevista para  Diário do Pará. 

PABLO VITTAR: A drag com nome de homem fez sucesso na internet com sua versão elotrasamba de Lean On (em menos de 4 meses o vídeo alcançou a marca de 1 milhão de visualizações) e depois de assumir os vocais da banda do programa Amor & Sexo viu seu nome estourar de vez. Pabllo participou do videoclipe da música “Insight”, de Luiza Possi. Em abril de 2016 Pabllo foi anunciada como a garota propaganda da mais nova campanha da AVON, “Louca Por Cores”.

VIA

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4 pensamentos sobre “Conheça 5 artistas brasileiros que estão desafiando os conceitos de gênero e ainda fazendo música boa

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