Resenha do site – Kong: A Ilha da Caveira

poster-kongKing Kong é um patrimônio do cinema. Desde seu primeiro filme em 1933 o macacão já surgiu de diversas formas e tamanhos nas telonas. Não esqueço de minha mãe, quando fui ver a versão de 2005 no cinema, desdenhando “King Kong? Nossa, eu via isso quando era criança na matinê!”. Então como modernizar um monstro que está por aí há quase 100 anos?

O dito filme de 2005, dirigido por Peter Jackson (de Titanic e Avatar) conseguiu trazer Kong de volta para o imaginário cinematográfico, onde andava meio esquecido. Mas embora viesse em um bom filme, a aventura não vingou muito bem e Kong voltou para as páginas incertas dos estúdios.

Eis que depois de muita produção, chega às telas do cinema Kong: A Ilha da Caveira. Se você viu algum dos trailers, se preparou para embarcar na atmosfera Apocalipse Now que parecia embalar o novo filme. Bom, por mais que tenha um pôr-do-sol semelhante aqui, um napalm ali e a Guerra do Vietnã no plano de fundo, as semelhanças não vão muito além disso.

Respondendo à  pergunta anterior: como se moderniza um filme assim? Anabolizando tudo, é claro. E o que acontece geralmente quando se anaboliza a imagem? Se esquece de também anabolizar o cérebro. Com sua ambientação nos anos 70 (e a trilha sonora que vem acoplada a isso), suas cenas de ação são magníficas, seus efeitos superlativos, seus monstros aterrorizantes, seu Kong um espetáculo. Cada cena do filme poderia ser congelada que viraria um pôster para pendurar na parede. De mortes bizarras a monstros marinhos, o longa é de encher os olhos. Tanto que às vezes a gente se sente sobrecarregado com tanto arroubo visual.

Porém, do outro lado, estão seus personagens, sua história. Com exceção de John C. Reilly e John Goodman (os dois melhores personagens do longa), os demais fazem muito pouco além de correr de um lado para o outro. A história é simples: pesquisador arrasta grupo de soldados para ilha desconhecida. E, bom, fica nisso. Chegando na ilha dão de cara com Kong, com os outros monstrengos e tudo o que querem é ir embora. Tom Hiddlestone como um rastreador rastreia muito pouco; Samuel L. Jackson repete um papel em que parece permanecer há alguns filmes com pequenas variações e lidera um grupo de soldados que mal conseguimos decorar os nomes e definir algum traço de cada um. Goodman é o líder dos pesquisadores, o responsável por levar todos à ilha e Reilly é um ex-soldado americano preso na ilha desde a Segunda Guerra Mundial.

Claro que não podia faltar a mocinha: a fotógrafa interpretada por Brie Larson tem muito pouco o que fazer em cena também. Sempre de câmera na mão e olhos arregalados ela, invariavelmente, será salva por Kong em uma cena ao mesmo tempo poética e exagerada. Mas espera, estamos falando de um filme com um “macaco da altura de um prédio” e monstros que parecem criaturas jurássicas reeditadas, então exagero é o de menos.

A ilha da Caveira é justamente assim: um exagero. E como um daqueles caras saradões de academia, é uma beleza para os olhos, mas uma tristeza para o cérebro. Deixe o seu julgamento inteligente em casa e se divirta com o filme.

O longa estreia hoje nos cinemas, inclusive no IMAX Palladium em Curitiba em 3D.

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