Resenha do site – Meu Malvado Favorito 3

meu-malvado-favorito-posterNão é difícil imaginar a conversa na distribuidora brasileira de Meu Malvado Favorito 3 quando foram decidir as vozes da dublagem:

“__ Tem um vilão. O cara foi importante nos anos 80. AMA os anos 80. Usa ombreiras, cabelo com gel e mullets, canta as músicas dos anos 80, usa gírias dos anos 80, dança, tem quarto com neon… precisamos de alguém bacana pra dublar esse cara. Alguém que seja um ícone brasileiro dos ano 80. Alguém que atue, cante, dance e faça todo mundo lembrar dos ano 80…

__ Mas a gente já usou o Sidney Magal no segundo filme.

__ Deve ter mais alguém… JÁ SEI!”

E assim foi escolhida o que deve entrar para a lista das melhores dublagens brasileiras em animação (quase ao lado de Marieta Severo como Izma em A Nova Onda do Imperador): Evandro Mesquita assume a voz do vilão Balthazar Brett e cria um personagem simplesmente incrível (com direito até a um “Você venceu, batata frita”).

Leia mais: conheça as vozes famosas por trás das animações e filmes

Numa história cheia de personagens marcantes, como o próprio Gru, a pequena Agnes ou os Minions que já até ganharam um filme solo, seria difícil se destacar. Mas se o vilão em si já é sensacional (e vai fazer a alegria dos pais com milhares de referências que vão de Take My Breath Away e Physicall até os programas de monstros e robôs gigantes destruindo cidades), a voz de Evandro só faz deixar tudo ainda melhor. O personagem parece feito sob medida para o líder da Blitz. É uma pena ele não ter mais tempo em cena. No original, a voz do vilão é de Trey Parker, criador e dublador do South Park.

Mas mesmo com um destaque inesperado, Meu Malvado Favorito 3 soa irregular. Se o vilão é a melhor coisa do filme, o irritante irmão gêmeo de Gru é chato e cansativo. O filme alterna boas cenas de ação e alguns momentos hilários de vários personagens secundários (um beijo pro cabrito e pro menino de galochas) com outros que, pensados pras crianças menores, acabam se perdendo no meio da trama.

Talvez melhor que o segundo filme, esta terceira parte, claro, deixa brechas para mais continuações (hoje em dia praticamente inevitáveis). Se o ritmo e as boas piadas se mantiverem estamos no lucro. Mas se for pra colocar Minions mostrando a língua desnecessariamente, melhor parar por aqui. Sabe quando uma criança faz uma coisa engraçadinha, todos riem e depois ela repete à exaustão até perder completamente a graça? Então, logo os Minions chegarão neste ponto (se já não chegaram). O filme solo deles (e neste aqui a cena da prisão, por exemplo) mostra que eles são melhores do que meros alívios cômicos.

Ainda que irregular, o filme deve agradar em cheio às famílias: tem piadas visuais para os menores, ação para os mais velhos e muitas lembranças da infância para os pais. Depois do sucesso de Stranger Things e do revival de longas como Os Caça-Fantasmas (ícone pop dos anos 80) Meu Malvado Favorito 3 e seu vilão perdido no tempo parece ser a cereja no topo do milkshake da nostalgia.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s