Resenha do site – Okja

poster-okja.jpgTodos nós temos na lembrança algum filme com um animal ou ser estanho que, invariavelmente, nos fez chorar. Seja A História Sem FimET, O Gigante de Ferro ou mesmo longas mais recentes como Marley & Eu ou Coração de Dragão.

Okja se pretende uma modernização deste gênero. Por que não, em épocas de politicamente correto e questões ambientais, não adicionar exploração comercial e consumo de carne à esta mistura?

O animal (ou ser estranho) aqui é um superporco. Na verdade uma mistura do dragão Falkor, de História sem Fim com Totoro, da animação de Hayao Miyazaki Meu Amigo Totoro. Gentil, carinhosa e imensa, com olhos desproporcionalmente pequenos que delatam sua mente nada brilhante, Okja foi criada para ser um experimento. Mas acabou virando o animal de estimação da pequena Mikha. E é quando a experiência genética precisa retomar seu curso que a coisa sai dos trilhos.

Mikha não sabe que seu animal de estimação faz parte de um experimento. A gigante global Mirando está em busca de criar um animal que produza carne saborosa e tenha pouco impacto ambiental para alavancar suas vendas. E os superporcos parecem ser o ideal.

Claro que teremos muitos embates éticos, muito “comer carne” X “maus tratos dos animais”. Muito “criados em laboratório” X “também têm sentimentos”. Mas a real mensagem do filme, o gigantesco protesto que deveria estar claro acaba perdido em um longa irregular, arrastado e, no fim das contas, chato.

Se a intenção era cativar as crianças, Okja não consegue. Fatalmente as colocará para dormir ainda em seus minutos iniciais (assim como seus pais, provavelmente). Embora a superporca seja carismática, a pequena Mikha seja excepcional (a incrível Seo-Hyun Ahn) e Tilda Swinton esteja mais uma vez incrível, a história arrastada e os péssimos desempenhos de Paul Dano (quem algum dia disse que este rapaz era bom ator?) e, quem diria, o histriônico personagem de Jake Gylenhaal, tornam o filme uma maratona contra o sono. Se segure para não conferir seu facebook, instagram, pegar pipoca ou levantar para ir ao banheiro durante o filme. Vai ser difícil.

O longa do diretor Joon-ho Bong (o mesmo do excelente O Expresso do Amanhã) poderia ser um filme poderoso, com uma mensagem importante e atual para todas as idades, mas  acaba se tornando um belíssimo sonífero e, pecado dos pecados, tendo sua mensagem jogada no lixo junto com os efeitos especiais convincentes e os olhos de cachorro pidão de um superporco que poderia se tornar icônico, como Falkor ou Totoro. Mas que inevitavelmente será esquecido assim que outro meme tomar conta da internet. Infelizmente a carismática porquinha (ou porcona) e sua dona talentosa mereciam um filme melhor ou, que pelo menos, mantivesse o espectador acordado. A mensagem final de Okja sobre a exploração animal, o capitalismo e a indústria da carne, acaba perdida entre os bocejos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s