Resenha do site – O Estranho que Nós Amamos

o estranho que nos amamos2Todos os filmes da diretora e roteirista Sofia Coppola têm um elemento em comum. Não, não é a atriz Kirsten Dunst, embora ela esteja em vários deles. Mas sim a situação de “deslocamento” em que vivem seus protagonistas.

Seja um grupo de irmãs deprimidas (As Virgens Suicidas, 1999), uma turista meio perdida (Encontros e Desencontros, 2003), uma rainha (Maria Antonieta, 2006), um ex ator de Hollywood (Um Lugar Qualquer, 2010) ou um grupo de adolescentes ricos e entediados (Bling Ring, 2013). Todos estão, de uma forma ou de outra, perdidos. Seja no contexto em que estão, na família ou na perspectiva de vida.

E em O Estranho que Nós Amamos, que estreia dia 10 de agosto nos cinemas brasileiros, não poderia ser diferente. Na história (que já foi levada ao cinema em 1971 com Clint Eastwood e Geraldine Page nos papeis principais), encontramos Miss Martha, uma mulher por volta de seus cinquenta anos que comanda um pequeno internato de meninas durante a Guerra Civil americana. Na casa, outras cinco mulheres de idades entre uma criança e uma jovem adulta convivem esperando a guerra acabar, sem muita vontade de estar ali mas sem ter pra onde ir. A rotina tediosa de todas é quebrada quando uma das crianças encontra um homem (Colin Farrell) na mata e, para salvar sua vida, o leva para a casa.

A presença deste estranho vai despertar em todas sentimentos há muito recobertos pela necessidade de sobrevivência e todas elas, cada uma à sua maneira, se apaixonarão por ele. Principalmente Alicia (Elle Fanning), a adolescente que vê nele a opção de uma aventura, Edwina (Kirsten Dunst), a jovem adulta que se percebe descobrindo o amor e, claro, Miss Martha (Nicole Kidman), que acredita que aquele estranho possa voltar a lhe dar o carinho que um marido que morreu na guerra oferecia.

E assim se arma o cenário. Em uma fotografia deslumbrante repleta de luzes de velas, escuros e sombras, temos a sensação de que os quadros de Edgar Degas tomaram vida com suas meninas e bailarinas e seus jardins. A quase completa ausência de trilha sonora contribui para o clima crescente e a tensão sexual é quase palpável  durante boa parte do longa.

Imagine que os quadros de Degas ganharam vida em uma história escrita por Jane Austen e Oscar Wilde e foram parar no cinema pelas mãos de Alfred Hitchcock. É mais ou menos esta a sensação que se tem com O Estranho que Nós Amamos.

Com atuações incríveis de Kidman e Dunst, um roteiro enxuto, um elenco mínimo e um clima quase de filme de terror, Sofia Coppola entrega novamente uma história sobre pessoas deslocadas: estas mulheres não querem estar ali. E este homem não deve estar ali. Essa junção de fatores será o estopim de um filme surpreendente.

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