Resenha do site: A Forma da Água

a forma da aguaSe você nunca viu um filme que pudesse chamar de “poesia visual” (supomos então que nunca assistiu longas como O Fabuloso Destino de Amelie Poulin, Ela, Peixe Grande E Suas Histórias Maravilhosas, Herói, A Espuma dos Dias ou O Grande Hotel Budapeste), ou mesmo se você nunca entendeu este conceito, assim que você assistir A Forma da Água, pode mudar todo o seu conceito de VER cinema.

Sim, porque o novo longa do diretor Guilhermo del Toro, dos incríveis O Labirinto do Fauno e A Colina Escarlate, é pura poesia. Para os olhos e para o coração. Não se assuste com o tom de terror, ou de romance quase-gótico do filme. A Forma da Água é, como seu narrador diz logo no início, “um conto de amor e perda e o monstro que tentou destruir tudo isso”. Nós logo vamos descobrir quem é o monstro, mas o filme vai muito além disso.

Visualmente estonteante, como muitos dos filmes do diretor o são, o longa passado no final da década de 1950 nos transporta no tempo. Nos leva a uma época onde inocência era permitida, onde sentimentos simples e vilões e mocinhos eram bem delineados. Um cinema antigo, quase tolo, quase ingênuo, mas que traz uma mensagem muito mais poderosa dentro de sua história.

Eliza (Sally Hawkins, nada menos que perfeita) é uma moça solitária que carrega em sua mudez o peso de se sentir discriminada. Ao lado de Zelda (Octavia Spencer, sempre impecável) ela é uma das faxineiras de um centro de pesquisas misterioso. Ali, Eliza vai conhecer uma estranha criatura que vive em um tanque de água salinizada e, assim como ela, não fala.

Com coadjuvantes absurdamente bem construídos, como o amigo de Eliza, Giles (vivido com paixão e delicadeza por Richard Jenkins) e a própria Zelda e protagonistas arrebatadores, como Eliza e seu monstro, vivido por Michael Shannon, A Forma da Água  é uma fábula que toca fundo no coração. Como diz uma frase de O Corcunda de Notre Dame, da Disney, “Quem é o monstro e quem é o homem?”.

Assim como A Colina Escarlate, que é uma história de amor com um fantasma no meio, A Forma da Água é uma história de amor com um monstro no meio. Quem é o monstro, vai ficar a critério da plateia decidir. Mas ao final das duas horas do filme e de uma história excepcionalmente bem contada e bem representada por um diretor visivelmente apaixonado por cinema, é impossível sair incólume. A Forma da Água é sim, pura poesia. Encanta aos olhos e ao coração e, por que não, nos devolve u  pouquinho da ingenuidade e da inocência que perdemos com o tempo. Um filme para se apaixonar. Por ele, por quem está próximo de nós, pelo cinema e pelo improvável.

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