Por que falar de homofobia, machismo e direitos das mulheres em época de #EleNão NÃO É MIMIMI?

Tenho visto nos últimos dias uma imagem na internet afirmando que falar de feminismo, homofobia, racismo e machismo nas eleições é mimimi, que o Brasil precisa de um presidente e não de um pai.

Resolvi então fazer um post pra explicar porque isso é não só estúpido, como absurdo.

Vamos por partes:

Falar de homofobia ao escolher um candidato à presidente não é mimimi. O Brasil é o país que MAIS MATA LGBT NO MUNDO. Segundo dados do Grupo Gay da Bahia (GGB) houve um aumento de 30% nos homicídios de LGBTs em 2017 em relação ao ano anterior, passando de 343 para 445. Segundo o levantamento, a cada 19 horas um LGBT é assassinado ou se suicida vítima da LGBTfobia, o que faz do Brasil o campeão mundial desse tipo de crime. Tirando o fato de que se você NÃO É LGBT você não pode falar de homofobia (já que é algo que nunca sentiu na pele), apoiar um discurso deste somente deixa clara sua atitude de não se preocupar com o outro.

Um país onde dois homens são espancados na rua apenas porque estavam abraçados (e eram pai e filho). Um país onde EU tenho medo de sair na rua e sofrer agressões simplesmente por conta da opção sexual realmente não precisa de um pai, mas de uma autoridade competente.

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Falar de direitos das mulheres ao escolher um candidato à presidente não é mimimi. Seguem alguns dados pra tentar explicar porque:

– O Brasil registrou 1 estupro a cada 11 minutos em 2015. São os Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, os mais utilizados sobre o tema. Levantamentos regionais feitos por outros órgãos têm maior ou menor variação em relação a isso.

– As estimativas variam, mas em geral calcula-se que estes sejam apenas 10% do total dos casos que realmente acontecem. Ou seja, o Brasil pode ter a medieval taxa de quase meio milhão de estupros a cada ano.

– Cerca de 70% das vítimas de estupro são crianças e adolescentes. Quem mais comete o crime são homens próximos às vítimas. (Fonte: Ipea, com base em dados de 2011 do Sistema de Informações de Agravo de Notificação do Ministério da Saúde)

– Há, em média 10 estupros coletivos notificados todos os dias no sistema de saúde do país. (Dados do Ministério da Saúde de 2016, obtidos pela Folha de S. Paulo). 30% dos municípios não fornecem estes dados ao Ministério. Ou seja, esse número ainda não representa a totalidade.

– Somente 15,7% dos acusados por estupro foram presos (Dados do estado de São Paulo obtidos pelo G1, referentes aos meses de janeiro a julho de 2017)

– O mesmo levantamento apontou que na cidade de São Paulo há 1 estupro em local público a cada 11 horas.

– No estado do Rio de Janeiro, há um caso de estupro em escola a cada cinco dias e 62% das vítimas tinham menos de 12 anos. (Dados do Instituto de Segurança Pública obtidos pelo EXTRA e referentes a Janeiro/2016 a Abril/2017. Nota-se aqui que não há distinção entre os níveis de ensino e que há meninos vítimas de violência sexual)

– No Metrô de São Paulo registra-se 4 casos de assédio sexual por semana. (Dados de 2016 obtidos pelo Estadão)

– A cada 7.2 segundos uma mulher é vítima DE VIOLÊNCIA FÍSICA. (Fonte: Relógios da Violência, do Instituto Maria da Penha)

– Em 2013, 13 mulheres morreram todos os dias vítimas de feminicídio, isto é, assassinato em função de seu gênero. Cerca de 30% foram mortas por parceiro ou ex. (Fonte: Mapa da Violência 2015)

– Esse número representa um aumento de 21% em relação a década passada. Ou seja, temos indicadores de que as mortes de mulheres estão aumentando.

– O assassinato de mulheres negras aumentou (54%) enquanto o de brancas diminuiu (9,8%). (Fonte: Mapa da Violência 2015)

– Somente em 2015, a Central de Atendimento a Mulher – Ligue 180, realizou 749.024 atendimentos, ou 1 atendimento a cada 42 segundos. Desde 2005, são quase 5 milhões de atendimentos. (Dados divulgados pelo Ligue 180)

– No estado de Roraima, metade das acusações de violência doméstica prescrevem antes de alguém ser acusado. Não foi conduzida nenhuma investigação nos 8.400 boletins de ocorrência acumulados na capital Boa Vista. (Dados do levantamento realizado pela Human Rights Watch em 2017)

– 2 em cada 3 universitárias brasileiras disseram já ter sofrido algum tipo de violência (sexual, psicológica, moral ou física) no ambiente universitário. (Fonte: Pesquisa “Violência contra a mulher no ambiente universitário”, do Instituto Avon, de 2015).

As mulheres ganham menos que os homens em TODOS OS CARGOS que ocupam:

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Ou você concorda com estes versos, cantados por apoiadores de Bolsonaro, que afirmam “Dou pra CUT pão com mortadela / E pras feministas ração na tigela / As minas de direita são as top mais belas / Enquanto as de esquerda têm mais pelo que as cadelas”?

Apenas para ficar claro, segue o conceito de feminismo da Wikipedia:

Feminismo é um conjunto de movimentos políticos, sociais, ideologias e filosofias que têm como objetivo comum: direitos equânimes (iguais) e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões patriarcais, baseados em normas de gênero. Envolve diversos movimentos, teorias e filosofias que advogam pela igualdade entre homens e mulheres, além de promover os direitos das mulheres e seus interesses

Deu pra entender? Ser feminista NÃO É ser masculina, não se depilar ou ser de esquerda. Ser feminista é QUERER DIREITOS IGUAIS aos dos homens. Simples assim.

Então, você ainda acha que optar por um candidato que diz que “preferia um filho ladrão a um filho gay”, “que ser gay é falta de porrada”, que “deu uma fraquejada” e por isso teve uma filha mulher, que existem mulheres que merecem ser estupradas e que ameaçou a ex-mulher de morte é uma opção?

Os dados são do G1, Estadão e O Globo

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