Quais as diferenças da nova versão de ‘Dumbo’ para a animação de 1941?

Quando se trata de Dumbo, novo filme de Tim Burton que estreia no Brasil nesta quinta (28), temos de mencionar o elefante na sala: por que Dumbo não fala?

O desenho animado de 1941 conta a história de um outsider – um paquiderme orelhudo que supera seus adversários e sai voando, graças à ajuda de seu amigo tagarela, o rato Timóteo. Apesar de Dumbo e sua mãe, a senhora Jumbo, não serem muito loquazes na versão original, os outros animais parecem não ficar quietos, incluindo os corvos, uma cegonha e os outros elefantes.

Pelo que dá para notar pelos trailers e teaser já divulgados, fica claro que são os personagens humanos – Danny DeVito, Eva Green, Michael Keaton e Colin Farrell – é que vão falar. Com exceção dos voos de Dumbo, os animais estão limitados a suas características terrenas, como os chiados dos ratos e os bramidos dos elefantes.

Em uma entrevista ao HuffPost, o produtor Justin Springer e o roteirista-produtor Ehren Kruger explicam por que o filme terá uma perspectiva mais humana.

“Uma das coisas que queria fazer era transportar o público, fazer com que ele se sentisse parte do circo de Dumbo”, diz Kruger.

“Seria uma experiência incrível se Dumbo fosse de verdade. Se existisse um elefante voador, como seria ser parte da família dele? Foi por isso que decidimos contar a história que conhecemos e amamos de uma perspectiva diferente, por meio de olhos humanos. A ideia é envolver o público, como se ele estivesse lá nos anos dourados do circo, testemunhando a descoberta dessa criatura incrível.”

Nessa nova versão da história, muitos dos elementos problemáticos do original foram descartados, incluindo os corvos.

Os corvos da versão original vieram a ser considerados caricaturas estereotipadas de negros. Para piorar as coisas, o líder dos pássaros é Jim Crow, nome pelo qual eram conhecidas as leis de segregação racial que vigoraram no sul dos Estados Unidos entre o fim do século 19 e o começo do século 20.

Kruger diz que a decisão de abrir mão dos corvos teve a ver com o fato de que os animais não falariam no novo filme.

“Desde cedo decidimos [excluir os animais falantes], em nome do realismo e porque Dumbo nunca fala na versão [em desenho animado], Jumbo tem uma ou duas falas, e eles são o elemento central da história”, explicou Kruger. “Por isso, tiramos alguns dos personagens da versão original.”

Especificamente sobre os corvos, ele afirma: “É só uma parte do filme original que não encaixava na história que estamos contando”.

Alguns momentos icônicos foram adaptados para o novo Dumbo, como a parada dos elefantes cor-de-rosa, que talvez seja uma das memórias mais marcantes (e traumatizantes) da sua infância.

No desenho, a cena vem depois de Dumbo beber, sem querer, de um balde, água misturada com champanhe. Ele começa a enxergar elefantes coloridos e acorda no dia seguinte em cima de uma árvore, sem saber como foi parar lá.

Em vez de reviver essa sequência, o filme de Burton usa efeitos visuais para capturar o espírito do original, que aparece de passagem nos trailers:

“Uma das oportunidades e alegrias [de participar de um projeto como esse] é pegar as coisas mais icônicas do original e encontrar maneiras de incluí-las no seu filme”, diz Springer. “E, como disse Ehren, queríamos criar uma realidade plausível de 1919, para transportar o público para esse mundo.”

A cena dos elefantes cor-de-rosa é um exagero da realidade, segundo o produtor.

“Não parecia certo cortar para uma sequência animada, como no desenho original, mas desde o começo sabíamos que teríamos de incluí-la no filme”, diz Springer.

O momento estava no roteiro desde o começo, mas foi Burton que o trouxe à vida. “Queríamos mostrar de uma maneira que pudesse ser real no circo naquela época”, afirma Springer.

Apesar de não vermos Dumbo bebendo álcool antes da aparição dos elefantes cor-de-rosa, “vemos Dumbo em uma banheira, e não posso dizer com certeza se caiu um pouco de champanhe lá dentro”, brinca o produtor.

As primeiras reações nas redes sociais elogiam a direção de arte de Dumbo, especialmente o personagem principal. Como em todo o resto do filme, o importante era ancorar o personagem na realidade, diz Springer.

“Foi um longo processo de design”, explica o produtor. “Obviamente ele é o personagem central. Se não acreditarmos nele, o filme não vai funcionar. Então queríamos criar um personagem que pudesse existir no mundo real, mas que ao mesmo tempo fosse a versão mais fofinha possível.”

Como no desenho original, Dumbo é muito fofo. Mas, além dos olhos grandes e da personalidade brincalhona, parece haver um elemento “científico” no elefante, especialmente as orelhas enormes.

“Estudamos a física do personagem, qual deveria ser o tamanho das orelhas etc. A ideia é que elas fizessem sentido do ponto de vista da física, mas não fossem grandes demais para ficar sobrando na hora em que ele está andando.”

Dumbo estreia no Brasil dia 28 de março. Assista ao trailer abaixo:

VIA

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