CRÍTICA: ‘Emily em Paris’ é ingênua e engraçada, mas carregada de temas sociais

Logo no começo de Emily em Paris as assinaturas de Darren Star pulam na tela: takes da cidade, tomadas de ruas, tráfego e prédios, e sua mocinha de cabelo e vestido esvoaçante andando pelas calçadas ao som de uma música animada.

Quem é fã de Sex And The City e Younger logo nota que se trata de mais uma das criações de Star. O que por si só já é um grande ponto a favor.

Emily, vivida por Lily Collins (de Espelho, Espelho Meu) é uma jovem de 20 e poucos anos que, de uma hora pra outra, se vê mandada para Paris no lugar de sua chefe para um ano de trabalho em uma empresa francesa. Entre as diferenças culturais e geracionais, Emily vai, como nós, se encantar pela cidade luz.

Vendo somente os pontos positivos da cidade (como achar “charmoso” seu apartamento no quinto andar de um prédio antigo e sem elevador) e tendo como únicas referências da cidade os filmes (“Me sinto como Nicole Kidman em Moulin Rouge!”, “Parece que estou dentro do Ratattouille!”) sem falar mais do que meia dúzia de palavras em francês, Emily logo vai perceber que nem tudo são flores. Mas, ainda estamos em um conto de fadas onde seu primeiro insight profissional dá certo, onde ela é retuitada pela primeira dama e sua chefe mais velha acha “bonitinho” sua obsessão com redes sociais.

Numa primeira olhada, Emily em Paris parece mais uma comédia bobinha feminista. No entanto, assim como as já citadas Sex And The City e Younger, por trás de sua ingenuidade carrega nas críticas sociais ao machismo, etarismo e preconceitos em geral. As ideias de social media de Emily aos 20 e poucos vão bater de frente com sua chefe tradicionalista de 50. Seus comentários anti-machismo serão encarados com revirar de olhos e o que ela mais vai ouvir são frases do tipo “Nós sempre fizemos assim” ou “Na França fazemos assim”. E ela está ali justamente para mudar isso.

Assim como Carrie Bradshaw e Lisa Miller, Emily mantém o ar saltitante e ingênuo, com uma pitada de realidade aqui e ali. E é justamente nisso que reside a graça das produções de Darren Star: nos dar essa dose de conto de fadas, de “tudo vai ficar bem” em forma de comédia e romance, ainda que ingênua. De mundo real andamos cheios. Então por que não acreditar que nossa primeira ideia vai ser um sucesso, que de um dia pro outro saltaremos de menos de 50 para mais de 5 mil seguidores no Instagram e que todo mundo vai nos amar ainda que sem sequer entender o que estamos dizendo?

No fim, Emily em Paris é o conto de fadas perfeito para a geração Netflix que acha que vai mudar o mundo ganhando followers. Quem sabe?

2 comentários em “CRÍTICA: ‘Emily em Paris’ é ingênua e engraçada, mas carregada de temas sociais

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