Resenha do site – Palmer

Alguns filmes conseguem nos maravilhar pela simplicidade. Histórias de gente comum, com bons textos e boas interpretações não são constantes no cinema, mas vez ou outra aparecem e nos encantam. Isso aconteceu com filmes como Jojo Rabbit, Pequena Miss Sunshine ou A Garota Ideal, por exemplo. E aconteceu de novo com Palmer.

O longa, comandado por Fisher Stevens (ator pouco conhecido mas com mais de 100 títulos no currículo e diretor vencedor do Oscar pelo documentário The Cove) foi produzido de forma independente e comprado pela Apple TV para distribuição em streaming. Está disponível no Brasil desde o final de janeiro e, se você ainda não viu, não sabe o que está perdendo.

Na história, Justin Timberlake é Palmer, um ex-presidiário que sai da cadeia e volta para sua pequena cidade para morar com a avó. Depois de 12 anos preso, ele reencontra amigos da infância e percebe que pouca coisa mudou no tempo que esteve fora. No terreno da casa da sua avó, em um trailer estacionado permanentemente, mora Shelly e seu filho Sam. E, por conta da avó, Palmer irá construir uma amizade improvável com o pequeno e peculiar Sam.

LEIA MAIS: 20 feel good movies para relaxar a alma

Não se trata de um filme de reviravoltas ou surpresas, sua história é até mesmo bastante previsível. A beleza aqui está na simplicidade: Palmer vai se ver refletido no garoto. Assim como ele recebe olhares enviesados por ser ex-presidiário, o pequeno Sam recebe olhares por ser diferente. Sam é claramente uma criança trans, embora esse termo sequer seja mencionado no filme. Ele gosta de desenhos de princesa, brinca de boneca e de maquiagem, não interage com outros meninos na escola e até mesmo questiona (em diálogos sensacionais) o que é ser menino ou menina. Sam e Palmer são iguais. E não poderiam ser mais diferentes.

A maneira como Fisher Stevens conduz o filme não soa exagerada nem manipuladora. Não existe “a hora de chorar” como é de praxe em produções do gênero. Sam e Palmer vão construir sua relação diante de nossos olhos, como pessoas comuns. Outro ponto positivo: o filme não transforma ninguém em herói. Por mais que Palmer assuma este lado paternal, ele continua sendo alguém com conflitos e demônios. Aliás, Justin Timberlake está incrível! Seu olhar triste e sua expressão de quem, a qualquer momento, vai explodir nos deixam de boca aberta. A raiva contida em Palmer transparece em seus olhos, em seu caminhar, em seu silêncio bronco.

LEIA MAIS: 20 filmes para ver online e celebrar o orgulho LGBT

Palmer é, desde já, um dos grandes filmes de 2021 e merecia mais crédito nas premiações (ainda não sabemos sobre Oscar, mas provavelmente terá poucas chances). Por hora, somente Ryder Allen (que interpreta Sam) mereceu uma indicação no Critic’s Choice Awards como melhor ator jovem.

Uma história dobre diferenças, sobre segundas chances, sobre aprendizado. Uma lição que muitos de nós precisamos aprender. Um filme que merece ser descoberto.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Acima ↑

<span>%d</span> blogueiros gostam disto: