Metáfora trans de Matrix volta a ser assunto às vésperas da estreia do quarto filme

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Em 1999 um filme de ficção científica tomou o mundo, se tornou um fenômeno e fez escola. Desde então, 11 de cada 10 filmes de ação repetiram o efeito “bullet time” do filme e diversas outras estratégias criadas pelos irmãos Andy e Larry Washowski.

Muito se teorizou sobre os reais significados da saga de Neo como salvador, inclusive muitos fizeram paralelos entre o personagem e Jesus.

Corta para 2020. Andy e Larry agora são Lana e Lilly Washowski: duas irmãs transexuais. Neste ano, Lilly esclareceu o que estava por trás de Matrix.

Em uma entrevista para o Netflix Film Club ela afirmou que o filme era uma metáfora trans. No vídeo, Lilly esclareceu que, tal como vinha sendo debatido em vários fóruns, ensaios acadêmicos e até mesmo em ensaios de relevância viral, como o publicado pela jornalista Emily VanDerWerff, o filme é, de fato, sobre a experiência de ser transgênero. “Essa era a intenção original, mas o mundo não estava totalmente preparado”, revelou.

Segundo ela, “Tudo em Matrix tem a ver com o desejo de transformação, mas tudo vinha de um ponto de vista que estava trancado”. Aquele desejo que as irmãs Wachowski tinham na cabeça se transformou plenamente no personagem Switch, um homem no mundo real e uma mulher em Matrix, no roteiro original, e que representava, segundo a diretora, “onde estavam nossos espaços mentais”.

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O personagem Switch em ‘Matrix’ só aparece na primeira parte da saga.
O personagem Switch em ‘Matrix’.

Em 2010 Andy Washowski se declarou uma mulher trans (embora rumores sobre sua transição tenham surgido já em 2003 no lançamento de Matrix Reloaded e Revolutions). Em 2016 Larry fez o mesmo, tornando-se assim Lana e Lilly, respectivamente.

Em Matrix as personagens de Sion rejeitam nomes binários e abraçam a possibilidade de transcender o gênero como o entendiam: Neo (Keanu Reeves), ao entrar em Sion, rejeita seu nome, Thomas Anderson; quando conhece Trinity (Carrie-Ann Moss), deixa escapar que entendia que era um homem, ao que ela responde: “Muitos caras pensam assim”. Seu uniforme também é uma extensão dessa liberação: veste-se de preto e de forma assexuada. Emily VanDerWerff escreveu em sua análise de Matrix: “O filme inteiro gira em torno da transcendência das formas de experiência física para explorar as possibilidades de nossa mente. Os corpos são, na melhor das hipóteses, uma sugestão. Seu cérebro é o que realmente importa”.

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Mas foi o mítico discurso de Morpheus quando conheceu Neo que mudaria tudo, para o bem e para o mal:

“Deixe-me dizer por que você está aqui. Está aqui porque sabe de algo. Você não pode explicar, mas sente. Você sentiu isso durante toda a sua vida. Há algo que anda mal no mundo. Você não sabe o que é, mas está aí, como uma lasca em sua mente, deixando você louco. É essa sensação que te trouxe até mim. Você sabe do que estou falando?”

Essas palavras, e especialmente a pílula vermelha que logo em seguida se fazia presente para despertar sua mente e ficar consciente da Matrix, tornaram-se referência para os pesquisadores sobre o subtexto trans no filme. O fato de a pílula de estrogênio usada no tratamento de mulheres transgênero ser uma pílula vermelha também corroborava a teoria.

Mas por que o assunto voltou à tona?

É fato que estamos em um mundo totalmente diferente do que estávamos em 1999 quando Matrix foi lançado. De lá pra cá muita coisa mudou e a real temática do filme pôde, enfim, ser desvendada.

Com a aproximação da estreia de The Matrix Resurrections, quarto filme da saga, e a divulgação do trailer, a entrevista de Lilly foi redescoberta e a metáfora trans de Matrix divulgada abertamente.

The Matrix Resurrections terá o retorno de Keanu Reeves como Neo, Carrie-Anne Moss como Trinity, Jada Pinkett Smith como Niobe, Lambert Wilson como The Merovingian e Daniel Bernhardt como Agent Johnson. O elenco ainda terá Yahya Abdul-Mateen II, Andrew Caldwell, Priyanka Chopra, Jonathan Groff, Neil Patrick Harris, Jessica Henwick, Ellen Hollman, Eréndira Ibarra, Toby Onwumere, Christina Ricci, Max Riemelt e Brian J. Smith.

Entre os nomes do elenco, estão atores assumidamente gays, como Jonathan Groff, Neil Patrick Harris, além de Christina Ricci, bissexual.

The Matrix Resurrections estreia nos cinemas dia 22 de dezembro. Veja o trailer abaixo:

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