Resenha do site – No Ritmo do Coração

Longa que venceu o Oscar de melhor filme em 2022 emociona fácil ao falar de sonhos e família. Está disponível no Amazon Prime

Num primeiro olhar, No Ritmo do Coração pode parecer um filme piegas, meloso, bobinho até. Mas as discussões que ele nos propõe vão muito além do “filme de menina que quer cantar”.

Trazendo uma família de pessoas surdas (os atores são surdos de verdade) com uma única filha que ouve – vem daí o nome original do filme: CODA. Sigla para “Child of deaf adults”, ou seja: “filho de adultos surdos – que vive numa situação econômica degradante além de ter que enfrentar o preconceito, No Ritmo do Coração nos fisga de cara.

Seja pelo carisma meio torto do patriarca vivido por Troy Kotsur ou ao instantaneamente torcermos por Ruby (Emilia Rose), uma garota com um sonho que parece tão impossível quanto sair daquela situação em que se encontra: como única ouvinte da família, Ruby é mais que uma filha, é uma intérprete. Como ela pode pensar em deixar os pais e o irmão para viver sua vida se eles dependem dela para viver a deles?

A família Rossi trabalha com pesca em uma região que está sendo massacrada por taxas e impostos do governo, piorando a situação econômica. Na escola, Ruby sofre bullying por “cheirar a peixe” e com a tiração de sarro dos colegas por conta de sua família surda. Ela quer sair dali. Ela precisa sair dali. Mas, em sua cabeça, ela não pode.

No Ritmo do Coração é muito mais que sobre Ruby perseguir o sonho de cantar (como ela pode pensar em fazer algo que os pais não poderão apreciar? Como sua mãe diz em certo momento: “se fôssemos cegos você ia querer pintar?”). O mundo não é justo com Ruby. Mas não é com nenhum de nós. Ao mesmo tempo que ela quer sair, ela quer ficar. E então o filme nos coloca na difícil posição de escolher se continuamos torcendo por Ruby ou não. É sobre pressão. É sobre dependência. E independência.

Quando, no último domingo, No Ritmo do Coração venceu o Oscar de melhor filme, ator coadjuvante (Troy Kotsur) e roteiro adaptado (as três categorias a que era indicado), fazendo uma versão de um filme francês, o longa deu um importante passo. Não somente para a popularização de um filme que em si já é bastante fácil e prazeroso de assistir, mas pela representatividade: foi a segunda vez em 94 anos que um ator surdo ganhou um Oscar. A primeira foi justamente Marlee Matlin, que aqui interpreta a mãe de Ruby. Também foi a primeira vez que um filme produzido por uma plataforma de streaming venceu o maior prêmio do cinema mundial (o longa foi produzido pela Apple, mas no Brasil está disponível no Amazon Prime).

No Ritmo do Coração é encantador, singelo, emocionante, leve. E merece cada um dos prêmios que vem levando.

*O Pausa Dramática é um site independente sem vínculos ou patrocínios. Nos ajude a permanecer no ar: compartilhe este post em suas redes e siga nossos perfis no InstagramFacebook e Twitter.

FAÇA PARTE DO GRUPO DO WHATS DO PAUSA DRAMÁTICA E RECEBA DICAS E CONTEÚDO DIRETO NO SEU CELULAR

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: