Resenha do site: Família do Bagulho

familiadobagulhoOk, o título brasileiro é tao ruim que faz o filme parecer um quadro do “humorístico” Zorra Total. Mas convenhamos que o título original não ajuda muito também: We’re the Millers (Nós Somos os Millers, numa referência ao sobrenome da família) não diz muita coisa sobre o filme e talvez a piada medonha do título nacional acebe dizendo mais.

David Clark (Jaison Sudekis, de Quero Matar Meu Chefe) é um traficante quase quarentão que vive de vender pequenas quantidades de maconha a donas de casa e estudantes. Por uma fatalidade ele é roubado e acaba devendo para seu chefe-traficante. Como pagamento, David terá que cruzar a fronteira americana com o México para buscar uma quantidade grande da droga ‘direto da fonte’. David então percebe que sozinho é alvo fácil das autoridades mas, em família num motorhome dificilmente será revistado. Convoca então sua vizinha stripper (Jennifer Aniston que com mais de 40 anos mostra excelente forma física) para ser sua esposa, um outro vizinho adolescente meio pateta para ser seu filho mais novo (Will Poulter, de As Crônicas de Nárnia – A Viagem do Peregrino da Alvorada) e uma delinquente que fugiu de casa e perambulava pelo prédio para o papel da filha mais velha (Emma Roberts, de Pânico 4). Claro que o caldo vai entornar quando as quatro personalidades tão diferentes passam a conviver dentro do veículo. E aí é que está a graça do filme.

O roteiro de Bob Fischer e Steve Faber (os mesmos de Penetras Bom de Bico) não preza pela originalidade, é verdade, e traz vários dos estereótipos que o cinema americano tanto gosta de mostrar: o adultescente que se recusa a ter responsabilidades, a mulher mal compreendida obrigada a mostrar o corpo por falta de opção, o jovem tímido e virgem e a delinquente rebelde sem causa. Outros estereótipos não tardam a aparecer, como a família feliz, o traficante latino e o policial mexicano corrupto. Mas esse é um dos alimentos do humor, e já cansamos de filosofar sobre se são as pessoas que alimentam os estereótipos ou os estereótipos que alimentam as pessoas. Então o melhor é rir.

Sim, porque o filme é muito engraçado. Uma comédia de texto e situações absurdamente hilárias, que graças ao talento de seus atores principais não precisa se valer de piadas envolvendo sexo ou escatologia para fazer rir, como a maioria das comédias do momento. Se vale, sim, de uma situação cada vez mais comum nos filmes americanos: a defesa da maconha. Usar a droga ou não, vendê-la ou não, deixou há algum tempo de ser tabu ou mesmo criticado nos filmes. Aqui, por mais que a “família” Miller seja falsa, esteja mentindo e levando uma quantidade gigantesca da droga para os Estados Unidos, não conseguimos em momento algum torcer contra eles. Podemos não aprovar no início do filme o comportamento de David, mas não tardaremos a estar ao seu lado e torcendo para que tudo dê certo, mesmo que seja errado.

Por mais que o filme não seja politicamente correto, seu final é previsível e fofinho, o que não tira em momento algum o mérito da história. Dirigido por Rawson Marshall Thurber (de Com a Bola Toda), A Família do Bagulho é mais um dos filmes do momento que custam pouco e rendem muito: seu orçamento é estimado em 37 milhões de dólares (o que não é muito para os padrões americanos) e ele já rendeu até agora por lá mais de 140 milhões e segue em cartaz. Com muitas cenas engraçadas dentre as situações em que a falsa família se enfia, ainda assim a melhor piada do filme está em uma das cenas apresentadas durante os créditos finais. E Jennifer Aniston mostra que, por mais que nunca mais tenha feito grande sucesso depois de Friends, ainda sabe escolher bons papéis.

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