Séries que viraram filmes

Por Flávio St Jayme

Ainda aguardamos com ansiedade uma adaptação de Friends para o cinema enquanto vemos filmes serem adaptados para a TV, como O Bebê de Rosemary ou Um Drink no Inferno. Mas enquanto isso não acontece, que tal darmos uma relembrada em séries que foram parar na telona?

Parte do texto é do site Adoro Cinema, e parte foi escrita por mim mesmo:

Anjos da Leianjosdalei

A trilha pop, os penteados, as jaquetas de couro, os efeitos bregas de edição! Anjos da Lei (1987-1991) foi o típico seriado dos anos 1980, famoso hoje em dia por ter alavancado a carreira de Johnny Depp. A história girava em torno de uma equipe de jovens policiais que tinha que resolver crimes dentro de uma escola. Eles se reuniam sempre na rua Jump Street, número 21 (por isso o título original, 21 Jump Street), para distribuírem os novos casos e discutirem sobre as pistas encontradas.

A versão cinematográfica de Anjos da Lei conta apenas com uma pequena participação de Depp, enquanto os protagonistas são dois outros bons nomes de comédia: Channing Tatum e Jonah Hill, que debocham no filme de toda a cultura pop americana. Superando as melhores expectativas, o filme teve um enorme sucesso nos Estados Unidos, tendo arrecadado US$138 milhões.

Missão Impossívelmissaoimpossivel

Este é um caso é que o sucesso do filme quase faz esquecer que tudo começou com uma série de televisão. Mas entre 1966 e 1973 os agentes Dan Briggs (Steven Hill), e mais tarde Jim Phelps (Peter Graves), lideravam o Impossible Missions Force (IMF). Já pairava desde então um espírito de Guerra Fria, e os inimigos eram frequentemente ditadores de países orientais… Com o sucesso da série, ela voltou à televisão entre 1988 e 1990.

Já Missão Impossível, o filme, sempre teve a particularidade de ser dirigido por um diretor diferente a cada episódio, tendo o espião Ethan Hunt (Tom Cruise) como elo entre eles. Brian De Palma dirigiu o primeiro filme, em 1996, e depois vieram John Woo (2000), J.J. Abrams (2006) e Brad Bird (2011). O último filme, Missão Impossível – Protocolo Fantasma foi um enorme sucesso, mostrando que a franquia ainda tem fôlego para mais episódios.

Miami Vicemiamivice

Existem várias séries com policiais que investigam crimes pela cidade, mas Miami Vice tinha algo especial: à frente da direção estava Michael Mann, diretor de cinema que não hesitou em levar à televisão uma grande atenção aos enquadramentos e à música. Com exibições entre 1984 e 1989, a série foi frequentemente citada como uma das melhores da década em vários rankings especializados.

A responsabilidade de Miami Vice, o filme, era grande, mas felizmente Michael Mann decidiu continuar à frente e dirigiu também o filme. Mesmo assim, esta produção, caríssima (US$135 milhões), decepcionou apesar das estrelasColin Farrell e Jamie Foxx, e arrecadou apenas US$63 milhões, eliminando qualquer possibilidade de uma sequência.

Os Intocáveissintocaiveis

Existiram duas séries Os Intocáveis: a primeira, mais conhecida, veio entre 1959 e 1963, e a segunda, de duração menor, foi exibida entre 1993 e 1994. Os dois eram baseados na autobiografia de Eliot Ness, policial que lutava contra o crime organizado na cidade de Chicago, entre 1920 e 1930.

Os Intocáveis chegou aos cinemas em 1987, com tudo para ser um grande sucesso: direção de Brian De Palma, roteiro do especialista do gênero policial David Mamet e um elenco estelar, contendo Kevin Costner, Robert De Niro, Sean Connery e Andy Garcia. De fato, a recepção foi calorosa tanto pela Academia (com diversas indicações ao Oscar) quanto nas bilheterias, tornando o filme um dos clássicos do gênero.

As Panterasaspanteras

Entre 1976 e 1981, As Panteras foi a série que mostrou ao público que as mulheres também se viram muito bem em cenas de luta. Misturando romance e ação, ele ainda conquistou um novo segmento de mercado, ao atrair tanto o público feminino quanto masculino. Na série, três detetives resolviam os casos propostos por Charlie, que sempre se comunicava por um rádio, à distância. Em 2011 a série ganhou um remake, mas que sem sucesso teve somente uma temporada.

O filme, dirigido por McG, acentuou os traços da série: mais cenas de ação, uma chuva de efeitos especiais e maior atenção aos corpos de Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu. Com o sucesso de As Panteras (US$125 milhões), o diretor e as três atrizes fizeram As Panteras – Detonando que, apesar das más críticas e do orçamento faraônico, ainda obteve grande sucesso.

Arquivo Xarquivox

Entre 1993 e 2002, Arquivo X foi um marco para a ficção científica. Espiritualidade, teorias da conspiração e uma forte descrença no governo guiavam Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) em suas pesquisas por sinais de vidas no espaço. Quem se lembra do slogan “A verdade está lá fora”?

Com tamanho sucesso – esta é a segunda série de ficção científica de maior longevidade na TV – não demorou a aparecer o Arquivo X – O Filme, em 1998. Ele traz de volta os mesmos personagens e os mesmos atores centrais, mais muitas pessoas envolvidas não gostaram exatamente do resultado (principalmente David Duchovny). Um segundo filme ainda foi feito dez anos mais tarde, intitulado Arquivo X – Eu Quero Acreditar, que foi um grande fracasso, com uma bilheteria quatro vezes menor que o primeiro, mal pagando os custos de produção.

Star Trekstartrek

Jornada nas Estrelas foi mais do que uma série de televisão, constituindo um verdadeiro fenômeno do entretenimento, com direito a onze filmes para a televisão, desenhos animados, história em quadrinhos e parques de atração nos Estados Unidos. A série original existiu entre 1966 e 1969, e desde então não houve uma década sequer sem sua versão de Star Trek na televisão, adaptando os tradicionais personagens de James T. Kirk e Spock aos tempos modernos.

O primeiro filme foi feito em 1979, dirigido por Robert Wise. A trama se passava no século XXIII, com um alienígena perigoso desafiando a equipe de James T. Kirk (William Shatner). O sucesso foi considerável: US$139 milhões. Depois de uma série de adaptações, a versão mais recente chegou aos cinemas em 2009, dirigida por J.J. Abrams (Super 8), e obtendo o maior sucesso de todos os filmes baseados na série: foram US$257,7 milhões arrecadados.

Perdidos no Espaçoperdidosnoespaco

Em Perdidos no Espaço, a pobre família Robinson tentou durante 83 episódios voltar para casa, mas era sempre sabotada pelo atrapalhado Dr. Zachary Smith, que arruinava todos os planos. Exibida na televisão entre 1965 e 1968, a série passou do preto e branco às cores, introduzindo cada vez mais humor na história.

A série tinha uma audiência apenas modesta, o que talvez explique o fracasso do filme Perdidos no Espaço, produção de 1998, com William Hurt, Gary Oldman e Matt LeBlanc, recheada de efeitos especiais e pouco fiel ao espírito familiar do original. Diante do fracasso desta grande e caríssima produção, nenhuma sequência foi feita, e a história dos Robinson voltou para a gaveta.

Sombras da Noitesombrasdanoite

Esta foi uma das principais séries a combinar terror e comédia na televisão: misturando zumbis, vampiros, bruxas e diversos monstros, Sombras da Noite foca sua atenção no vampiro Barnabas Collins (Jonathan Fried na versão de 1966-1971, Ben Cross na versão de 1991). Com atuações melodramáticas, cenários multicoloridos e tramas inesperadas, a trama foi uma das precursoras do estilo kitsch nas séries de televisão.

Com tamanha excentricidade, não é de se espantar que Tim Burton tenha se interessado pelo material. O diretor de Edward Mãos de Tesoura, Alice no País das Maravilhas e Frankenweenie fez novamente parceria com Johnny Depp para interpretar Barnabás. O filme Sombras da Noite pode não ser o melhor da dupla, mas diverte. E bem.

A Feiticeiraafeiticeira

A Feiticeira foi uma das séries que marcou a cultura americana: veio de lá a tradicional tremida no nariz para lançar uma mágica, além de muitas piadas sobre sogras com a cínica Endora (Agnes Moorehead).  Entre 1964 e 1972, a série apresentou Samantha (Elizabeth Montgomery), uma bruxa que se casava com um mortal, Darrin (Dick York, e depois Dick Sargent), e tentava levar uma vida comum sem seus super poderes – mas nunca conseguia escapar das mágicas tão úteis no cotidiano…

Com diversas outras séries e materiais inspirados na história original, o filme tinha tudo para ser um sucesso, até pela direção de Nora Ephron, uma especialista no gênero das comédias românticas leves e de grande sucesso. Mas talvez pela inusitada escolha do elenco (quem teve a ideia de colocar Nicole Kidman e Will Ferrell como par romântico?), ou então pelo roteiro fraco, A Feiticeira (2005) foi um grande fracasso, sequer cobrindo seus altíssimos custos de produção.

A Família Addamsafamiliadams

As aventuras da Família Addams começam em 1964, e embora a série só tenha durado até 1966, ela foi o suficiente para marcar várias gerações e superar seu concorrente da época, The Munsters. A série era marcada pelas excentricidades de Gomez, Morticia, Wednesday e da “Coisa”, a famosa mão sem corpo que se juntava ao grupo.

Em 1991, Barry Sonnenfeld (Homens de Preto 3) dirigiu a versão cinematográfica desta comédia, com Anjelica Huston, Raul Julia e Christina Ricci nos papeis principais. O sucesso de A Família Addams foi muito maior do que o esperando, superando os US$100 milhões. Como estes sucessos não passam despercebidos em Hollywood, Sonnenfeld logo dirigiu a sequência, A Família Addams 2 (1993). Mas desta vez, talvez pela produção apressada, o filme foi um grande fracasso.

Agente 86agente86

Satirizando o gênero da espionagem, Agente 86 existiu entre 1965 e 1970, com o intuito de somar, numa mesma história, a ação de James Bond com o humor da Pantera Cor-de-Rosa. O resultado foi um grande sucesso na televisão, com a história de Maxwell Adams, Agente 86 (Don Adams), e sua parceira, Agente 99 (Barbara Feldon), que mais atrapalhavam as buscas do que ajudavam.

O filme Agente 86 (2008) apostou no talento cômico de Steve Carell (Hope Springs) e na popularidade de Anne Hathaway (Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge) para os papeis dos Agentes 86 e 99. Embora a crítica tenha torcido o nariz para produção, o sucesso foi muito maior do que o esperado: US$ 130 milhões de dólares apenas nos Estados Unidos.

Sex And The Citysexandthecity

Extraído do livro de Candace Bushnell, Sex & the City propôs realizer a verdadeira versão feminina do “buddy film” (filme de colegas): juntando quatro amigas muito diferentes, na faixa dos 30 e 40 anos, o roteiro pretendia falar tudo sobre amor, sexo e amizade, sem tabus, tendo como pano de fundo a cidade de Nova Iorque. Com seis temporadas, de 1998 a 2004, a série foi um enorme sucesso, tanto de crítica quanto de público.

Sex and the City – O Filme (2008) foi a comédia romântica de maior bilheteria do ano de 1998, além de ter um desempenho internacional digno das maiores produções de Hollywood. Todas as atrizes e atores principais interpretaram os mesmos papeis da televisão, e o diretor Michael Patrick King, da série, assumiu a direção e o roteiro do filme. Com o sucesso veio Sex and the City 2 (2010), embalado em muita polêmica sobre os salários exigidos pelas atrizes e sobre a decepção das mesmas com o roteiro. Com um orçamento quase duas vezes maior que o primeiro filme, o segundo episódio decepcionou, talvez por retirar as quatro amigas da amada Nova Iorque e colocá-las em pleno deserto dos Emirados Árabes Unidos.

Veronica Marsveronicamars

Veronica era uma “garota normal” que após o assassinato do melhor amigo decide investigar por conta própria os mistérios da cidade onde mora. Chamado de neo-noir, o seriado traz conflitos e segredos de investigação. Enquanto de dia ela frequentava a escola, depois da aula ajudava o pai numa firma de investigação particular. Exibido entre 2004 e 2007.

A versão para o cinema chegou somente este ano e foi direto para o mercado de home video no Brasil. Veronica é interpretada pela mesma atriz, Kristen Bell, e mostra a já adulta Veronica voltando para sua cidade natal para a reunião dos formados no high school, onde ela se verá frente a frente com uma nova investigação.

Os Simpsonsossimpsons

Os Simpsons dispensam apresentações: além de formarem a série de maior longevidade da história da televisão americana (começaram em 1989 e existem até hoje), ela é um marco incontornável da cultura americana, satirizando com inteligência a classe média. Por causa do conteúdo politicamente incorreto, Homer, Marge, Bart e companhia sempre geraram tanta crítica quanto admiração.

O anúncio de Os Simpsons – O Filme gerou apreensão: como dar conta de uma série tão importante em menos de duas horas? Pois a produção conquistou o público com excelentes resultados. A versão cinematográfica tornou-se um dos 30 filmes de animação de maior bilheteria da história, além de ser a mais bem sucedida animação adaptada de uma série de televisão em todos os tempos.

South Parksouthpark

Outra das séries de animação de maior sucesso da TV, South Park começou em 1997 e já está na 18ª temporada. Contando a história dos amigos Kyle, Kenny, Stan e Cartman na pequena cidade de South Park, com os preconceitos e rotinas, a série conquistou fãs no mundo todo. O personagem de Kenny costumava morrer em todos os episódios da série, da forma mais bizarra possível, sempre ressuscitando. Os criadores já afirmaram que ele foi inspirado no robô R2-D2 de Star Wars, por não falar e somente emitir ruídos. Kyle e Cartman são sempre atormentados pelos amigos (o primeiro por ser judeu e o segundo por ser gordinho).

Se a série prima pelo politicamente incorreto, o que se esperar de um filme de uma hora e meia? Uma guerra entre Estados Unidos e Canadá provocada por um grupo de mães revoltadas, piadas machistas e preconceituosas, uma dupla de humoristas que faz sucesso com flatulência, diabo tendo um romance com Saddam Hussein. Resultado: South Park: Maior, Melhor e Sem Cortes é considerado um dos filmes mais engraçados de todos os tempos. E com razão.

A Grande Famíliaagrandefamilia

A história de A Grande Família vem de longe. Entre 1972 e 1975 foram exibidos 112 episódios da série na televisão brasileira, adaptando o modelo de sucesso da série americana All in the Family. Esta primeira versão nacional, em preto e branco, tinha Milton Gonçalves e Paulo Pontes no elenco. A história também focava nas dificuldades de uma família de classe média-baixa. Em 2001 a Rede Globo decidiu retomar os personagens de Lineu, Nenê, Tuco e outros, tendo desta vez Marieta Severo e Marco Nanini à frente do elenco.

A Grande Família – O Filme foi grande sucesso, tendo sido o segundo filme de maior bilheteria no Brasil em 2007, atrás apenas de Tropa de Elite. Mais de 2 milhões de pessoas assistiram à produção nos cinemas.

Os Normaisosnormais

Entre 2001 e 2003 foi exibido o seriado de maior audiência na história das sextas-feiras da televisão brasileira: Os Normais, comédia escrita por Alexandre Machado e Fernanda Young, que tinha a excelente média de 28 pontos de audiência. Os personagens principais eram os noivos Rui (Luis Fernando Guimaraes) e Vani (Fernanda Torres), que divagavam sobre os problemas dos casais modernos… E acabavam criando humor por dizer em voz alta o que todo mundo pensa, mas não ousa dizer.

Com o sucesso da série vieram dois filmes. Os Normais – O Filme, de 2003, foi um enorme sucesso (3 milhões de espectadores), apostando nas brigas de Rui e Vania e também nos divertidos coadjuvantes, interpretados porMarisa Orth e Evandro Mesquita. Além disso, a história resolveu contar o início da relação de Rui e Vani. Já Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todas não teve o mesmo sucesso do primeiro, mas mesmo assim conquistou a respeitável marca de 2,1 milhões de espectadores, com a busca de Rui e Vani por uma parceira para realizar uma transa a três.

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