Resenha do site – Godzilla

8476310a_Godzilla-new-posterEm 1998 o mestre do cinema-catástrofe Roland Emmerich colocou Matthew Broderick e Jean Reno para enfrentar o lagartão gigante radioativo em Manhattan. O filme foi achincalhado pela crítica e é odiado até hoje. Mas nada nos prepararia para 2014.

Desta vez o lagartão aparece em São Francisco sob a batuta do novato Gareth Edwards, que em 2010 entregou o elogiado Monstros. A expectativa era grande, afinal o lagartão não conseguiu emplacar no cinema americano ainda e o diretor vinha de um filme bom e até inovador. Nomes de peso foram anunciados no elenco: Ken Watanabe, Juliette Binoche e Bryan Cranston. E o galã em ascensão Aaron Taylor-Johnson (de Kick-Ass). Sera que seria desta vez?

Bom, não foi. Se a ideia era homenagear os monstros japoneses, Círculo de Fogo fez isso com muito mais eficiência, num filme que mesmo com péssimos atores era ao menos divertido. Aqui os roteiristas Max Borenstein e Dave Callaham (este último responsável pelos roteiros da franquia Os Mercenários) entregam um filme chato, sem emoção e confuso. A nítida impressão que se tem é que atores do calibre de Cranston e Binoche gravaram suas primeiras cenas sem ler o roteiro completo. Depois que leram e viram o tamanho da bomba em que tinham se metido resolveram pular fora do barco. Não que o filme seja mal feito, isso não se pode dizer. Mas até Armageddom e Battlefield eram bem feitos, e nem por isso são considerados bons.

No que diz respeito à cenas de destruição, Godzilla não impressiona diante do que Superman e Zord fazem em O Homem de Aço ou em qualquer outro filme de super-herói moderno. Com relação aos monstros… bom, aí está outro dos grandes problemas do filme. A trama central não é Godzilla X humanidade, como seria de se esperar. Numa espécie de episódio de Jaspion (mas sem o Jaspion), monstros se enfrentam enquanto a população assiste e espera prédios serem derrubados e cidades devastadas e o lagartão em si tem pouquíssimo tempo em tela, além de demorar meio filme para dar as caras. Na história, o cientista Joe Brody (Cranston, da série Breaking Bad) descobre que um acidente acontecido há 15 anos no Japão não foi um mero terremoto. Estudos e palpites complicados que parecem ininteligíveis nos fazem concluir que quem causou o tal acidente foram monstros chamados de MUTO: seres que parecem a cruza genética de uma aranha, um morcego e um extrator de grampos e que mastigam mísseis nucleares como se fossem sementes de girassol para se alimentar. Sim, eles se alimentam de radiação. Quando esses MUTO saem da hibernação e ameaçam a Terra para comer todo seu produto radioativo, somente uma força maior que eles poderá detê-los: Godzilla! Ok, em sua mitologia o monstrengo às vezes é retratado como uma espécie de herói, mas sua sede de destruição está sempre presente. A não ser aqui, onde ele aparece quase “fofinho” pra população. Se as cenas caras de destruição e repletas de efeitos precisam existir, também precisam existir cenas mais emocionais e explicativas, que são mais baratas de produzir e servem para dar base à coisa toda. Pena que aqui isso não funciona.

Na parte dos humanos, Watanabe é um cientista que só sabe franzir as sobrancelhas e não faz nada de eficiente a não ser resmungar em japonês. E por falar em falta de eficiência, é difícil entender por que há um herói no filme. Tudo o que o personagem de Taylor-Johnsson faz (além de exibir uma cabeça assustadoramente desproporcional com relação ao corpo) é ir de um lado pra outro, sem dar um tiro sequer em nenhum dos monstros. Sim, o personagem não tem função alguma no filme e nem sua atividade no esquadrão anti-bombas será útil diante do pseudo-dilema nuclear da história. Mas ele terá seu momento com o bonzinho Godzilla. Do Havaí pro Japão e São Francisco, os monstros vão mudando de cidade de tal forma que em um determinado momento nem sabemos mais onde eles estão e, de repente, todo mundo se encontra. Se Monstros, filme anterior do diretor, era um filme-catástrofe intimista, muito do que falta aqui é sentimento. As três atrizes do elenco (Binoche, Sally Hawkins e Elizabeth Olsen) não fazem mais do que ser decoração de set, e os personagens masculinos – afora o herói – aparentemente possuem uma única fala em diferentes variações para repetir ao longo do filme.

Com algumas cenas e até frases de efeito praticamente copiadas de Parque dos Dinossauros, outras cenas que beiram o risível (como o “beijo” entre os MUTO e a emoção da doutora ao ver o monstrengo se reerguer) Godzilla é daqueles filmes que dá vontade de abandonar no meio sem maiores remorsos. Como a história não envolve e nem a trama familiar nos causa qualquer tipo de emoção e, claro, a gente bem sabe como tudo isso vai terminar, não faz mal nenhum. Talvez o tão criticado filme de Emmerich seja melhor que este, no fim das contas. E a gente aqui, inocentemente achando que o propósito do monstro Godzilla era assustar. Que nada, se passar a mão na cabeça desse aqui acho que ele até ronrona!

Um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s