Resenha do site #Oscar2015 – Whiplash

Whiplash-International-PosterÉ difícil entender os critérios que levam um filme a ser considerado bom o bastante para uma indicação ao Oscar de melhor filme. Tome-se por exemplo o espetacular ‘Garota Exemplar’, esnobado pela Academia a não ser pela indicação a melhor atriz para Rosamund Pike (fantástica). Agora vejamos ‘Whiplash – Em Busca da Perfeição’: um filme bom, interessante, envolvente mas em nenhum momento memorável ou digno de nota. Um longa que envolve o espectador mas que não traz consigo nenhuma originalidade. Numa festa onde os três favoritos transbordam inovações e características ímpares, ‘Whiplash’ parece perdido e deslocado.

Inspirado em um momento da vida real do diretor e roteirista estreante Damine Chazelle, o filme tem ritmo e emoção, conseguimos sempre torcer e entender a dedicação do jovem Andrew Neyman (Miles Teller, de ‘Reencontrando a Felicidade’, ‘Divergente’ e que em breve será visto como o Sr Fantástico no novo filme do Quarteto), constantemente castigado pelo professor e maestro Fletcher (J.K. Simmons, de ‘Juno’ e ‘Amor Sem Escalas’, numa interpretação excepcional). Andrew quer ser um baterista exemplar mas até que ponto deixará com que as provações físicas e morais aplicadas pelo professor afetá-lo?

Com uma história simples, previsível e bem contada, ‘Whiplash’ acaba sendo um filme agradável e fácil. Talvez o mais fácil dentre os oito indicados à categoria principal deste ano. Porém e talvez justamente por tudo isso, fica parecendo muito mais um filme de sessão da tarde que um filme digno de prêmio. É um daqueles filmes de “jovem quer ser músico, enfrenta professor difícil” que já vimos tantas vezes. E é somente mais um. Como filme, consegue superar ‘A Teoria de Tudo’ por exemplo, nos envolvendo mais em sua história, com seu protagonista e vindo num ritmo melhor e mais fácil. Porém é um longa mais “bobinho” por assim dizer.

Envolvido num imbróglio da Academia, ‘Whiplash’ pode ter sido cortado de uma das suas indicações ao Oscar por conta de um erro, que o colocou concorrendo a melhor roteiro adaptado quando na verdade trata-se de um roteiro original. Mas ainda lhe restam outras quatro indicações: melhor filme, ator coadjuvante (J.K. Simmons, favorito na categoria), edição e mixagem de som. Como trata-se de um filme essencialmente musical é possível que leve o prêmio também nesta última categoria, com suas várias cenas de tensos e sanguinolentos solos de bateria.

No fim, fica aquela sensação de que o filme poderia ter sido mais, que “pra Oscar” ele ainda precisa de algum feijão. Aliás é interessante pensar como a Academia vem se afastando do público trazendo filmes que se distanciam do espectador comum, ainda que seja o prêmio mais pop do cinema. ‘Whiplash’ talvez seja o filme mais digerível este ano entre os indicados. Mas acaba sendo (não exatamente por isso) o mais fraco deles.

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